Juro em queda: fundos DI e de renda fixa renderam menos em 2006

Rentabilidade foi menor em 2006, enquanto saída de recursos foi destaque negativo da indústria de fundos de investimento

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SÃO PAULO – O forte crescimento da indústria de fundos em 2006 não se estendeu aos investimentos exclusivos em renda fixa. A continuidade da trajetória de queda na taxa básica de juro brasileira penalizou o rendimento das aplicações em fundos DI e renda fixa neste ano, na comparação com 2005.

Apesar de ainda permanecer em um patamar elevado em uma comparação internacional, a taxa Selic começou 2006 em 18% e atualmente está em 13,25% anuais. E esta forte queda já começou a afetar o equilíbrio da indústria de fundos de investimento no país.

Segundo dados da Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimentos), até o último dia 21 de dezembro, os fundos referenciados DI acumulam rentabilidade média de 14,72% no ano, enquanto a classe renda fixa tradicional apresenta ganho de 15,10% em 2006. No mesmo período no ano passado, o retorno médio dos fundos DI havia sido de 18,56% e o dos renda fixa tradicionais de 18,21%.

Desempenho* dos Fundos DI e Renda Fixa

Fundos Ganho no Ano
2006
Ganho no Ano
2005
Referenciados DI 14,72% 18,56%
Renda Fixa Tradicional 15,10% 18,21%

*Acumulado até 21 de dezembro

Nesse contexto de queda no juro, estas alternativas de investimentos foram perdendo a atratividade ao longo do ano, com muitos investidores passando a alocar seus recursos em aplicações de rendimentos mais interessantes, como os multimercados.

Assim, se a expressiva captação de recursos da indústria de fundos chama a atenção no ano, ao atingir R$ 66 bilhões e quase triplicar em relação a 2005, as categorias renda fixa e referenciados DI não têm grande participação no resultado.

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Saída de recursos

Números da Anbid mostram que o destaque negativo de captação líquida de recursos neste ano fica com a categoria renda fixa, e em seguida aparecem os referenciados DI, contrariando o desempenho anual registrado em 2005.

Os fundos de renda fixa tiveram uma saída líquida de recursos de R$ 15,75 bilhões no ano, levando o patrimônio líquido para R$ 319,87 bilhões, e os fundos DI registraram migração negativa na faixa de R$ 3,77 bilhões, apresentando patrimônio líquido de R$ 168,31 bilhões. No mesmo intervalo do ano passado, a categoria renda fixa mostrava entrada líquida de recursos de R$ 67,37 bilhões e a opção de aplicação em referenciados DI tinha captação líquida de cerca de R$ 6 bilhões.

É importante ressaltar, entretanto, que em 2005, em função da instrução nº 409, muitos dos fundos anteriormente classificados como multimercados, passaram a ser designados como renda fixa. Isso justificou a forte migração para esta categoria no ano passado.

Patrimônio cresce menos

Devido a essa saída de recursos, uma análise no ritmo expansão do patrimônio líquido dos fundos DI e renda fixa ajuda a ilustrar a perda de atratividade destes investimentos. Em um cenário de que a indústria de fundos analisados pela Anbid já supera os R$ 900 bilhões neste quesito, estas aplicações em juros não tiveram uma forte aceleração no patrimônio líquido, com relação ao obtido no ano passado.

Comemorando um ano positivo, o patrimônio líquido dos multimercados cresceu 64% e o dos fundos de previdência aumentou em 38%. Em contrapartida, o patrimônio líquido dos fundos DI e de renda fixa tiveram juntos um crescimento de apenas 11,6% em relação ao valor apresentado em 2005.

Ritmo de crescimento do PL*

Fundos PL no Ano (2006)
(R$ bilhões)
PL no Ano (2005)
(R$ bilhões)
Crescimento
Referenc. DI 168,316 148,166 13,59%
Renda Fixa 319,875 289,279 10,57%
Multimercados 205,987 125,436 64,21%
Previdência 73,218 52,919 38,35%

*Patrimônio Líquido em 21 de dezembro

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Entenda os fundos

Os fundos de renda fixa tradicionais dependem da visão do gestor sobre a composição da carteira em títulos pré e pós-fixados, mas em geral investem em ativos prefixados, ou seja, aqueles cuja remuneração é determinada no momento da aplicação.

Já quando um investidor aplica em um fundo referenciado DI, ele tem cerca de 95% da sua rentabilidade atrelada à variação do CDI/Selic, pós-fixado, que, portanto, é mais atrativo em momentos de juros em alta.