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Investir no exterior? Confira os 5 melhores BDRs para 2023 segundo 11 analistas

Empresas do setor financeiro, tecnologia e saúde se destacam como opções para valorização; algumas podem entregar dividendos de até 3,2%

Katherine Rivas

(Crédito: Getty Images)

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Incertezas fiscais relacionadas ao novo governo e ruídos políticos de Brasília acendem alerta para a necessidade de diversificação internacional dos investimentos. Para quem pretende fazer isso por meio de ações estrangeiras, uma alternativa são os Brazilian Depositary Receipts (BDRs), recibos de ações listadas em bolsas internacionais negociados na B3.

Embora o investimento em BDRs não seja uma compra direta das ações – e, sim, do recibo que representa o papel no país onde se encontra – eles permitem a exposição aos riscos e oportunidades da companhia escolhida.

Essa diversificação demanda mais cautela em 2023, por conta da inflação elevada nos Estados Unidos, que deve levar o banco central americano a uma postura mais contracionista. O Fed (Federal Reserve), já elevou os juros para o patamar de 4,25% a 4,5% ao ano.

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Se as taxas subirem além dos 5,25% ao ano já precificados pelo mercado, a economia americana pode enfrentar uma recessão mais forte, segundo Raphael Rocha, analista de ações internacionais da Dica de Hoje Research. E isso poderia levar os ativos de risco a um cenário de queda.

Um outro aspecto também influencia os preços dos BDRs na B3: a cotação do dólar. No Brasil, a percepção de risco fiscal, político e institucional mantêm o dólar cotado acima de R$ 5, enquanto os juros também não dão trégua.

Régis Chinchila e Luis Novaes, analistas da Terra Investimentos, destacam que caso a percepção do risco fiscal continue se deteriorando nos próximos meses, o real deve desvalorizar em relação ao dólar, tornando o retorno de investimentos como BDRs maior, em razão da exposição cambial.

Para quem quer investir em BDRs, Jennie Li, estrategista de ações da XP, destaca a importância do que acontece na China, que finalmente está reabrindo a sua economia após a pandemia de coronavírus. “Não vemos como sendo linear, à medida que o número de novos casos voltaram a disparar e devemos ver um abre e fecha da economia, como ocorreu no resto do mundo”, diz.

Rocha, da Dica de Hoje Research, destaca ainda que se não houver recessão global ou esta for branda, o mercado deve valorizar. Já em caso que a recessão seja mais pesada do que esperado, as ações internacionais podem sofrer uma queda adicional, embora não muito grande.

Jennie cita alguns benefícios de investir no exterior por meio de BDRs. Um deles é o acesso a empresas, setores e temáticas de investimentos muito diferentes das encontradas na Bolsa brasileira. Setores como o farmacêutico ou de tecnologia, por exemplo, possuem pouca representatividade. Atualmente, há cerca de 850 BDRs listados na B3, contra aproximadamente 400 ações locais.

Diante desse cenários, quais são os BDRs com melhor relação de risco e retorno para investir no que deve ser um 2023 turbulento? O InfoMoney coletou as recomendações de 11 instituições. Confira quais foram os papéis mais citados:

Empresa Ticker da ação no mercado de origem Ticker do BDR na B3 Estratégia Paridade Ação: BDR Dividend Yield projetado 2023 Quem recomenda? Setor
JP Morgan JPM JPMC34 Dividendos e Valorização 01:10 Entre 1,9% e 3,2% Santander, Terra, Inter, GuiaInvest e VG Research Bancos
Alphabet GOOGL GOGL34 Valorização 01:12  – Dividendos.me, GuiaInvest, Guide, Terra, Santander Tecnologia
Berkshire Hathaway BRK.B BERK34 Valorização 01:20  – GuiaInvest, XP, Terra, Santander Financeiro
Johnson & Johnson JNJ JNJB34 Dividendos e Valorização 01:15 Entre 2,7% e 3% XP, Inter, Guide, Santander Saúde
Apple AAPL AAPL34 Valorização 01:20 0,80% GuiaInvest, Guide, Terra, Santander Tecnologia

Fonte: Levantamento InfoMoney com VG Research, Dividendos.me, Dica de Hoje Research, GuiaInvest, Monett, XP Investimentos, Inter, Guide, Terra, TC e Santander 

JP Morgan (JPMC34) para ter dividendos em dólar

Os analistas Guilherme Bellizzi e Ricardo Peretti, da Santander Corretora, explicam que o JP Morgan Chase é o maior banco dos Estados Unidos e o quinto maior do mundo, com US$ 3,8 trilhões em ativos em 2022. A instituição atua em mais de 100 países, com contas bancárias, empréstimos, cartões de crédito, seguros e serviços de pagamento.

“O JP Morgan é líder em segmentos de atacado e varejo, e possui uma notável capacidade de cross-sell [venda complementar] para ofertar produtos e serviços”, destacaram em relatório. Os analistas projetam dividendos de 3,2% por BDR para 2023.

Para Guilherme Morais e Lucas Schwarz, analistas da VG Research, o JP Morgan é uma opção interessante para quem busca dividendos, dado que o banco é sustentado por um balanço forte e uma gestão conservadora. Contudo, eles destacam que não há grande margem para valorização das ações. “Projetamos um dividend yield de cerca de 2% para 2023”.

No Inter, a expectativa de dividendos para 2023 é de 2,5%. Segundo a analista-chefe Gabriela Joubert, com resultados acima do consenso, é esperado que o banco continue mostrando controle nas despesas e um aumento de receita nas áreas de empréstimo e banco comercial. ”Juros elevados devem beneficiar o spread bancário, compensando perdas de outros segmentos”, diz a analista.

Desconto de (GOGL34) não pode ser ignorado

A Alphabet, controladora do Google, não paga dividendos, mas seu BDR é recomendado para quem busca valorização em 2023. Guilherme Gentile, head de análise da Dividendos.me, destaca que a empresa opera como uma holding, oferecendo serviços de pesquisa na web, anúncios e vídeos por meio de subsidiárias. “Ela tem uma forte geração de caixa, baixo endividamento e um alto retorno sobre o capital investido”, diz.

Segundo Gentile, após a queda das ações de quase 40% em 2022, a empresa está descontada e com capacidade de entregar retornos acima da média do mercado. “A companhia tem um crescimento esperado de 12% para os próximos anos”, afirma.

Lucas Pires, analista do GuiaInvest, também acredita que a Alphabet deve retomar a rentabilidade em 2023 e cita que o desconto da ação não pode ser ignorado. “Em questões operacionais, a empresa se destaca pelo fortalecimento dos seus negócios em nuvem [cloud], que devem destravar valor neste ano”, avalia.

O analista Fernando Siqueira, da Guide, cita também a vasta base de dados do Google, responsável por 85% do faturamento da empresa. “O Google consegue mapear os diferentes usuários dos seus serviços e converter as informações e preferências em assuntos eficientes, os ads”.

Berkshire Hathaway (BERK34): a holding de Warren Buffett

Assim como o seu controlador, o megainvestidor Warren Buffett, a Berkshire Hathaway preza pelo longo prazo e é vista como alternativa para esse tipo de estratégia. A holding tem um histórico de investimento sólido e de sucesso em empresas como Coca-Cola, American Express, Gilette e até Apple.

Segundo Jennie, da XP, a Berkshire atrai investidores pelo compromisso de Buffett com uma gestão transparente e de elevada governança corporativa, além do alinhamento pleno entre acionistas e a administração da holding. “Nem todos sabem, mas cerca de 80% das receitas da Berkshire são provenientes de seguros e 20% de transporte ferroviário e geração de energia”, explica a estrategista.

A XP tem recomendação de compra para o BDR BERK34, com preço-alvo de R$ 96 para 2023, o que embute potencial de valorização de cerca de 18%. O consenso de mercado é uma valorização de 19,8% para o ativo.

BDRs de fundos de índices (ETFs) também têm vez

Para diversificar os portfólios, recibos de ações estrangeiras não são a única alternativa. Também é possível adquirir recibos de ETFs (fundos que replicam índices) listados no exterior. Na B3, o investidor consegue fazer isso por meio de BDRs de ETFs.

Para Thiago Beretta, responsável por ETFs na HMC Capital, há boas oportunidades em ETFs temáticos, focados em tecnologia comunicação, segurança cibernética, biotecnologia. Também são atrativos os que reúnem empresas que pagam bons dividendos. “Estas teses dependem menos do humor dos mercados no curto prazo”, diz.

Ele cita ativos como o BKYY39 (Cloud Computing), BFBI39 (Arca Biotech), BFVD39 (Value Line Dividend), BFDL39 (Morningstar Dividend Leaders), BCIR39 (Cybersecurity) e BQCL39 (Clean Edge) como boas escolhas para o investidor.

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Para Rodrigo Araújo, estrategista-chefe de investimentos da Global X ETFs para América Latina, 2023 reserva oportunidades em cibersegurança e tecnologia disruptiva, lítio e baterias, desenvolvimento de infraestrutura e urânio. Entre os ativos, ele cita os BDRs de ETF BBUG39, BLBT39, BPVE39 e BURA39, disponíveis para investidores em geral.

Sobre o ETF de urânio, Araújo explica que é um segmento específico do mercado de energia, que apresente características de uma commodity, com a capacidade de mitigar pressões inflacionárias. “O combustível de urânio é o que permite que as usinas nucleares gerem eletricidade, e a energia nuclear está entre as mais limpas em relação à emissão de gases de efeito estufa”, comenta.

Katherine Rivas

Repórter de investimentos no InfoMoney, acompanha ETFs, BDRs, dividendos e previdência privada.