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Quais os riscos de investir na Anthropic? Veja se IPO da dona do Claude vale a pena

Apesar dos números chamativos, especialista alerta: excelente empresa não é o mesmo que excelente ação

Leonardo Guimarães

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Logotipo da Claude nesta ilustração criada em 5 de junho de 2026. REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração/Foto de arquivo
Logotipo da Claude nesta ilustração criada em 5 de junho de 2026. REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração/Foto de arquivo

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O IPO da Anthropic promete ser um dos maiores da história, dividindo os holofotes com SpaceX (SPCX34) e OpenAI. A empresa de inteligência artificial protocolou no dia 1º de junho seu formulário S-1 para abertura de capital de forma confidencial na SEC (a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA), gerando enorme expectativa no mercado. No entanto, a grande questão para os investidores é se o entusiasmo justifica o alto risco do investimento.

A empresa teve receita de quase US$ 5 bilhões no primeiro trimestre e projetou aproximadamente US$ 11 bilhões para o segundo trimestre. Apesar de números impressionantes, os especialistas recomendam cautela.

João Crapina, analista da Suno Research, destaca que o lucro projetado para o próximo semestre é considerado modesto, ficando na casa dos US$ 559 milhões, e lembra que, historicamente, esse tipo de oferta é movido por especulação e não costuma ser um bom negócio para o investidor inicial. Por isso, ele sugere ficar de fora do IPO.

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“É muito importante tomar cuidado porque muitas vezes as pessoas entram nessas empresas, às vezes sem olhar os números, o que pode gerar perdas de capital. No final, o preço de uma ação no longo prazo acompanha basicamente o lucro e a rentabilidade que a empresa teve ao longo dos anos”, avalia.

Bruno Corano, economista e CEO da Corano Capital, diz que a companhia possui um excelente posicionamento comercial, com forte adoção empresarial e um contrato de mais de US$ 100 bilhões com a AWS, da Amazon. Contudo, ele faz um alerta: “a Anthropic parece ser uma excelente empresa, mas isso não significa que será uma excelente ação”.

Na sua última rodada privada de investimentos, concluída em maio, a Anthropic foi avaliada em US$ 965 bilhões. Esse valor representa um múltiplo de mais de 20 vezes a sua receita anualizada, exigindo que a empresa mantenha um crescimento forte por anos para justificar o preço. Corano levanta uma dúvida que o mercado ainda não conseguiu responder sobre a rentabilidade do negócio: “depois de pagar chips, data centers, energia, parceiros de distribuição, pesquisadores e treinamento de novos modelos, quanto sobra em caixa para o acionista?”

Vale destacar que o valuation da rodada privada não equivale ao preço de mercado, que deve superar US$ 1 trilhão após o IPO. Por isso, um dos riscos do investimento na dona do Claude é o nível de exigência que o mercado deve ter com a empresa. “Uma desaceleração (no crescimento) de 100% para 40% ainda seria excelente operacionalmente, mas poderia provocar forte compressão dos múltiplos da ação. Em outras palavras, o mercado pode estar correto sobre a empresa e ainda assim pagar caro demais pelo ativo”, diz Bruno Corano. 

Ele ainda comenta a escolha pelo modelo de Public Benefit Corporation adotada pela Anthropic. A estrutura jurídica obriga a companhia a considerar o impacto social além do retorno financeiro. “Isso pode ser positivo para segurança e para a sustentabilidade da empresa, mas significa que a maximização do retorno dos acionistas não é necessariamente o único objetivo”. 

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Os analistas ainda se preocupam com riscos regulatórios. A Anthropic precisou suspender seus modelos de IA mais recentes, o Fable 5 e o Mythos 5, fora dos Estados Unidos por uma determinação do governo americano baseada em “questões de segurança nacional”. 

O Deutsche Bank, porém, considera o evento positivo para a empresa fundada por ex-funcionários da Open-AI. “Qual elogio pode ser maior do que ser considerado poderoso demais para ser lançado?”, questionam os analistas do banco. “É como se os tênis da Adidas fossem banidos de competições de elite por serem muito bons. Mesmo que a Anthropic tenha que manter seus modelos mais avançados sob controle no curto prazo, a longo prazo, sua reputação receberá um impulso significativo”. 

Como investir na Anthropic? 

Depois que as ações começarem a ser negociadas, o investidor brasileiro terá três caminhos principais. 

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O primeiro é por meio de uma conta em corretora internacional, modelo recomendado pelo CEO da Corano Capital. “O melhor caminho é abrir uma conta em uma corretora internacional e, preferencialmente, em uma corretora americana. Eu não vejo muito sentido em querer investir diretamente no mercado americano, mas continuar dependendo de uma estrutura brasileira”, afirma Corano, explicando que o investidor passa a ter acesso a um universo maior de ativos diretos.

Os BDRs representam outraa via, mas não fazem sentido para o economista: “é um recibo negociado no Brasil que representa uma ação mantida no exterior. Isso adiciona mais uma camada entre o investidor e o ativo original e pode trazer diferenças de liquidez, spread, disponibilidade e estrutura operacional”.

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Por fim, os investidores poderão optar por fundos de investimento e ETFs que devem incluir as ações em suas carteiras no futuro, oferecendo exposição para os cotistas.

Quem fundou a Anthropic? 

A empresa foi fundada em 2021 por sete ex-funcionários da OpenAI, incluindo os irmãos Dario Amodei (atual CEO da Anthropic) e Daniela Amodei (presidente). Dario era vice-presidente de pesquisa da OpenAI; Daniela era VP de segurança e política.

O grupo fundador inclui ainda nomes como Jared Kaplan, Tom Brown, Sam McCandlish, Jack Clark, Chris Olah e Benjamin Mann. O grupo deixou a OpenAI por divergências sobre como a inteligência artificial deveria ser desenvolvida, sobretudo em questões de segurança.

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Quem são os investidores da Anthropic hoje? 

Amazon e Google são os principais investidores minoritários, com compromissos na casa de US$ 25 bilhões e US$ 40 bilhões, respectivamente, mas sem direito a voto nem assento no conselho.

O modelo de Public Benefit Corporation, estrutura jurídica que obriga a considerar o impacto social além do retorno financeiro, garante que nenhum investidor único, não importa quão grande seja, tome o controle da operação.

Qual vale mais: Anthropic ou OpenAI? 

Hoje, a Anthropic vale mais. Com os US$ 965 bilhões da Série H, ela superou a OpenAI, avaliada em cerca de US$ 852 bilhões em sua rodada mais recente.