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Quem investiu em títulos de renda fixa com vencimento próximo ganhou mais em julho do que quem apostou nos papéis de prazo mais longo. É o terceiro mês seguido em que isso acontece, segundo dados divulgados na quinta-feira (13) pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).
Entre os índices da Anbima que acompanham o desempenho médio desses investimentos, o destaque foi o IRF-M 1, indicador que reúne títulos prefixados com vencimento de até um ano. Prefixados são papéis que pagam uma taxa combinada já no momento da compra, e nesse caso específico o indicador só considera os que vencem em até doze meses. Ele subiu 1,26% no mês e acumula 7,97% em 2026, a maior alta entre os subíndices do IMA (Índice de Mercado Anbima).
Bem perto dele ficou o IMA-S, que acompanha as LFTs, títulos públicos que rendem de acordo com a Selic e por isso são considerados os mais conservadores do mercado. O indicador subiu 1,23% em julho e no acumulado do ano aparece na frente, com 8,26%. Na prática, os dois resultados mostram que as aplicações em papéis de vencimento curto e nos que acompanham os juros do dia têm se saído melhor desde maio.
Do outro lado, os títulos de prazo mais longo renderam bem menos. O IRF-M 1+, que reúne prefixados com vencimento acima de um ano, subiu 0,70% no mês e 5,20% no ano. O IMA-B 5+, formado por NTN-Bs (Tesouro IPCA+) com vencimento acima de cinco anos, títulos que pagam a inflação mais uma taxa fixa, teve ganho de 0,75% em julho e 2,98% no acumulado de 2026, o pior resultado entre os subíndices do IMA neste ano.
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Essa diferença tem a ver com a chamada marcação a mercado, o mecanismo que faz o preço dos títulos oscilar todos os dias conforme as expectativas de juros, mas que se realiza apenas se o investidor vender o papel naquele dia. Quanto mais distante o vencimento, maior o efeito dessa oscilação, o que explica por que os títulos longos oscilam mais quando as expectativas de juros mudam.
E incerteza é justamente o que tem pesado no cenário, segundo o economista da Anbima Marcelo Cidade. “Pelo terceiro mês seguido, o investidor tem preferido posições mais defensivas, concentrando a demanda nos papéis de menor prazo”, afirma. Para ele, o comportamento combina as dúvidas sobre o resultado fiscal em ano eleitoral com as incertezas externas, “sobretudo com o desenrolar da Guerra no Golfo Pérsico e seus efeitos na economia mundial”.
Somando tudo, o IMA, que acompanha o desempenho dos títulos públicos a preços de mercado, fechou julho com alta de 1,07% e acumula 6,97% no ano, resultado puxado principalmente pelos prefixados de vencimento mais curto.
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