Ifix fecha semana com queda de 1,94%, a maior desde novembro de 2021

E mais: 3 fundos distribuem dividendos; futuro dos dividendos dos FIIs de “papel”; TRNT11 prevê redução de até R$ 0,05 em dividendos

Wellington Carvalho

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Na contramão do mercado, o IFIX – índice dos fundos imobiliários mais negociados na Bolsa – fechou a sessão desta sexta-feira (11) com queda de 0,23%, aos 2.934 pontos. Nos últimos dias, o indicador acumulou perdas de 1,94% e registrou a pior semana desde a iniciada em 21 de novembro de 2021, quando o índice registrou baixa de 2,03%.

O fundo BTG Pactual Fundo de CRI (FEXC11) encabeçou a lista das maiores altas do dia, com elevação de 3,46%. Confira os demais destaques da sessão:

Maiores altas desta sexta-feira (11):

Ticker Nome Setor Variação (%)
FEXC11 BTG Pactual Fundo de CRI Títulos e Val. Mob. 3,83
RBRP11 RBR Properties Híbrido 3,46
RBRR11 RBR Rendimento High Grade Títulos e Val. Mob. 3,27
HFOF11 Hedge Top FoF II FoF 1,86
VCJR11 Vectis Juros Real Títulos e Val. Mob. 1,53

Maiores baixas desta sexta-feira (11):

Ticker Nome Setor Variação (%)
BLMG11 Bluemacaw Logística Logística -3,01
XPPR11 XP Properties Lajes Corporativas -2,74
RECT11 REC Renda Imobiliária Híbrido -2,32
JSRE11 JS Real Estate Híbrido -2,22
SPTW11 SP Downtown Lajes Corporativas -2,11

Fonte: B3

PNPR11 conclui compra de galpão no interior de SP; (TRNT11) prevê redução de até R$ 0,05 em dividendos

Confira as últimas informações divulgadas por fundos imobiliários em fatos relevantes:

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FII PNPR11 conclui compra de galpão do BLMG11 por R$ 45 milhões

O FII Panorama Properties concluiu a compra do galpão Jandira II, integrante do condomínio Business Park, localizado na cidade de Jandira, no estado de São Paulo. O espaço pertencia ao BlueMacaw Logística (BLMG11) e a negociação tinha sido iniciada no início do mês.

Pelo espaço, o PNPR11 desembolsou R$ 45 milhões, equivalente ao valor contábil do imóvel, conforme fato relevante divulgado pela carteira. Do total, o montante de R$ 15,8 milhões já havia sido quitado.

A conclusão do negócio estava condicionada ao cumprimento de todas as condições previstas no contrato. A parte compradora não detalhou o impacto da aquisição na distribuição de rendimentos da carteira.

Já os gestores do BLMG11 explicam que a venda do imóvel ajudará na estrutura de caixa do fundo e faz parte da estratégia de reciclagem de ativos do portfólio. Desta forma, explicam, a negociação não influencia na distribuição de dividendos.

A equipe de gestão do FII BlueMacaw Logística destacou ainda que o galpão Jandira I, também integrante do Business Park, permanece no patrimônio do fundo.

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Locatários (TRNT11) atrasam aluguel e fundo prevê redução de até R$ 0,05 em dividendos

O FII Torre Norte informou aos cotistas que não recebeu, até a manhã desta sexta-feira (11), o pagamento do aluguel de outubro de alguns dos locatários do fundo.

De acordo com a administração da carteira, o atraso reduziria a próxima distribuição de dividendos em aproximadamente R$ 0,11 por cota.

Ao mesmo tempo, o fundo recebeu todos os pagamentos que estavam em aberto referentes ao mês de setembro, montante equivalente a R$ 0,06 por cota.

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Considerando o atraso de outubro e a regularização dos inadimplentes do mês anterior, o fundo confirma a redução de R$ 0,05 por cota na próxima distribuição de dividendos.

O TRNT11 é proprietário de 100% do Torre Norte, edifício integrado ao Centro Empresarial Nações Unidas (CENU), localizado na avenida das Nações Unidas, bairro do Brooklin Paulista Novo, em São Paulo (SP).

Na segunda-feira (7), O FII de escritório assinou contrato com a Avenue Hoche Comércio Varejista para a locação de 1.661 metros quadrados do 34º andar do edifício homônimo do fundo, localizado em São Paulo (SP).

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De acordo com a carteira, a nova locação tem prazo de cinco anos e aumenta a ocupação do fundo para 56,08%. No último relatório gerencial, o percentual estava em 53,40.

O contrato também deve elevar a receita do fundo em aproximadamente 5,76%, calcula os gestores no comunicado ao mercado.

Dividendos hoje

Confira os FIIs que distribuem rendimentos nesta sexta-feira (11):

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Ticker Fundo Rendimento
CRFF11 Caixa Rio Bravo FoF R$ 0,63
CXRI11 Caixa Rio Bravo R$ 0,55
HABT11 Habitat II R$ 0,90

Fonte: InfoMoney

Giro Imobiliário: futuro dos dividendos dos FIIs de “papel”; questão fiscal será crucial para a inflação em 2023’, diz economista da FGV

FIIs de “papel” ainda têm fôlego para manter os dividendos turbinados agora que a inflação voltou?

Após três meses de deflação – que reduziu os dividendos dos fundos imobiliários de recebíveis –, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) voltou ao campo positivo e trouxe a expectativa de recuperação dos rendimentos dessas carteiras. Mas será que os proventos alcançarão o patamar que tornou esses fundos os queridinhos do mercado?

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA registrou alta de 0,59% no mês passado, depois de um trimestre de resultados negativos. Para parte do mercado de fundos imobiliários – mais precisamente para os FIIs de recebíveis – a volta da inflação surge como uma espécie de “alívio”.

Conhecidos também como fundos de “papel”, os FIIs de recebíveis investem em títulos de renda fixa atrelados a índices de inflação e à taxa do CDI (certificados de depósito interbancário). Quando o indexador do título sobe, a receita do fundo cresce e os dividendos pagos aos investidores pode ser elevado.

Em outubro de 2021, o Versalhes Recebíveis Imobiliários ( VSLH11), por exemplo, pagou aos cotistas R$ 0,18 por cota, montante equivalente a uma taxa de retorno com dividendos (dividend yield) de 1,80%, o maior entre os fundos imobiliários do Ifix – índice dos fundos imobiliários mais negociados na Bolsa.

O elevado dividend yield na época refletia o comportamento do IPCA nos meses anteriores, que estava em tendência de alta e chegou a ficar acima de 1% em setembro e outubro de 2021.

Mas a dinâmica do FII de “papel” também determina que quando o indexador do título cai – como ocorreu com o IPCA entre julho e setembro – a receita do fundo encolhe e acaba refletindo nos dividendos pagos aos investidores.

Conclusão: no caso do VSLH11, o dividend yield caiu para 1,04% em outubro deste ano, um recuo de 42% em relação ao patamar de um ano antes.

O mesmo movimento pode ser percebido na comparação entre os dez FIIs de “papel” com maiores dividend yields em outubro de 2021 – período de IPCA ainda em alta – e a taxa de retorno das mesmas carteiras no mês passado, quando ainda estavam sendo influenciados pelo cenário de deflação. Nesta base de comparação, a maior queda foi a do Vectis Juros Real (VCJR11), de 87%. Confira abaixo a lista completa.

‘Questão fiscal será crucial para a inflação em 2023’, diz economista da FGV

O desafio do novo governo de encontrar uma solução para o problema fiscal é um ponto crucial para o comportamento da inflação em 2023, diz o economista André Braz, coordenador de índices de preços da Fundação Getulio Vargas (FGV). “A questão fiscal é um risco, porque pode mexer com as incertezas, afetar o câmbio e, por sua vez, os preços das commodities e dos combustíveis.” Quanto à volta da inflação em outubro, disse que o efeito do corte de impostos sobre combustíveis e energia elétrica terminou.

“A variação negativa do IPCA era muito sustentada pela renúncia fiscal do ICMS sobre gasolina, energia elétrica e serviços de telecomunicações. Se não fosse isso, o IPCA teria tido variação positiva”, diz Braz. “Ou seja, não era um efeito generalizado, mas sustentado por quedas pontuais. Tanto é assim que o índice de difusão, que mostra o porcentual de itens com variação positiva, permaneceu acima de 60% nesse período”, detalha. Confira os principais trechos da entrevista.

Wellington Carvalho

Repórter de fundos imobiliários do InfoMoney. Acompanha as principais informações que influenciam no desempenho dos FIIs e do índice Ifix.