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SÃO PAULO – O governo federal discutirá, juntamente com as centrais sindicais, a rentabilidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O apelo das centrais sindicais foi feito pelo fato de que o fundo, que garante ganho anual de 3%, mais a variação da taxa referencial (TR), possui retorno baixo em relação a outros investimentos.
Conforme o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, as possíveis mudanças deverão levar em conta o reflexo direto sobre financiamentos imobiliários feitos com recursos do FGTS. Em sua avaliação, alterando a taxa de juros para aumentar a rentabilidade do fundo, haveria, automaticamente, um acréscimo nos empréstimos para compra de imóveis pela Caixa Econômica Federal. Atualmente, são cerca de cinco milhões de mutuários.
Aplicação
Para o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), uma das alternativas para aumentar o lucro dos trabalhadores, sem prejudicar os mutuários, é liberar os recursos para a aplicação em ações. “O governo poderia permitir que 5% do FGTS pudesse comprar ações da bolsa, de qualquer empresa, para você poder usar seu dinheiro onde os capitalistas ganham dinheiro”, avaliou.
Em alguma situações, o governo abriu possibilidade de os trabalhadores destinarem metade de seu saldo pessoal do FGTS para a compra de ações. Um exemplo foi o ocorrido entre julho e agosto de 2000, quando 310 mil pessoas optaram pela compra de ações da Petrobras, de acordo com a organização não-governamental FGTS Fácil.
Inflação
Pesquisa divulgada recentemente pela FGTS Fácil mostrou que, tomando como base a inflação oficial do País voltada às menores faixas de renda, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), a perda acumulada de 1991 até este ano foi de 28,77%, ou em reais, de R$ 46 bilhões.