Fundos: taxa alta não significa rentabilidade elevada

Números da Anbima revelam que, em alguns casos, fundos com taxas menores renderam mais que fundos mais caros

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SÃO PAULO – As taxas de administração cobradas de quem possui fundos de investimento caíram em algumas modalidades, mas registraram alta em outras categorias nos últimos cinco anos. 

Números da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) mostram que, nos fundos referenciados DI, de 2005 a 2010, a média ponderada da taxa caiu 19,08%, passando de 1,73% para 1,40%. Já nos fundos de renda fixa, a queda foi de 13,74%, passando de 1,31% para 1,13% no mesmo período.

Porém, nos fundos multimercados, houve elevação de 3,35% na taxa, que passou de 1,79% para 1,85%, enquanto nos fundos de ações o aumento foi bastante significativo: 8,25%, passando de 2,06% para 2,23% no período.

Rentabilidade x taxas
Engana-se quem imagina que a rentabilidade está diretamente atrelada ao valor da taxa de administração, ou seja, taxas mais altas não são garantia de rentabilidade elevada.

Segundo dados da entidade, no mês de outubro, a taxa média mais baixa foi a dos fundos de renda fixa (1,13%). Neste ano, essa modalidade de fundo apresentou – até o momento – rendimento de 10,40%.

Já os fundos de ações, que possuem taxa média de administração de 2,23% tiveram rentabilidade entre -0,93% e 19,73%. Isso porque essa modalidade possui diversas subdivisões. As rentabilidades citadas se referem ao fundo de ações IBRX ativo e fundo de ações Small Caps, respectivamente.

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Já os fundos referenciados DI, com taxa de 1,40% apresentaram rendimento de 8,89%, enquanto os fundos multimercados, com taxa de 1,85%, apresentaram variações de rentabilidade entre 8,23% (multimercados trading) e 12,37% (multimercados estratégia específica). 

Taxas
Embora a recomendação de grande parte dos consultores seja a de que os investidores de varejo não contratem fundos com taxas superiores a 2%, já que esse percentual poderia atrapalhar a rentabilidade, o gerente de informações da Anbima, Hudson Bessa, explica o porquê dessas taxas e defende que elas existam. 

“Fundos em que o tíquete de entrada é menor exigem taxas de administração mais altas, porque dão mais gastos. O investidor desses fundos com tíquete de entrada até R$ 1 mil tem um gestor gerindo os recursos, recebe os informativos, tem acesso a transações virtuais ou em agências físicas, recebe mensalmente um extrato, assim como o investidor que entra em um fundo em que o tíquete inicial é R$ 500 mil. Por isso obviamente as taxas são maiores”. 

De acordo com a Anbima, a taxa média ponderada dos fundos com tíquete de entrada entre R$ 1 e R$ 1 mil, é de 3,56% em 2010, enquanto a taxa para fundos com tíquete superior a R$ 500 mil é de 0,5%.