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SPX zera exposição direcional comprada em Bolsa e vê Brasil parado à espera da Previdência

Em carta enviada a cotistas, gestora destaca que conjuntura não é fácil para crescer e que, por isso, a recuperação é devagar e tende a continuar assim mais à frente

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(Shutterstock)

SÃO PAULO - Depois de o fundo Verde ter informado na semana passada que reduziu a posição em ações brasileiras "de maneira tática", foi a vez de a SPX anunciar que zerou a exposição direcional comprada da carteira e que seguiu alocada em empresas dos setores de óleo e gás e utilities contra o Ibovespa.

“Na parte internacional, estamos alocados em bolsas de regiões que consideramos descontadas e que se beneficiam da recuperação no crescimento mundial, combinando uma estratégia de proteção”, disse a SPX, na carta referente a abril.

No mês passado, o fundo SPX Nimitz ficou praticamente no zero a zero, com leve perda de 0,03%, ante a variação de 0,52% do CDI, referencial do multimercado. No acumulado de 2019, o fundo ganha 1,98%, ainda abaixo do CDI (2,04%).

Em carta enviada aos cotistas intitulada “As Incertezas permanecem”, a SPX destacou que o Brasil continua parado esperando pela tramitação da reforma da Previdência.

“Estamos em um processo de recuperação que ocorre em meio a um ajuste fiscal e em um ambiente em que o resto do mundo está crescendo pouco. Não é uma conjuntura fácil para crescer, por isso a recuperação é devagar e tende a continuar assim mais à frente”, indicou a gestora.

A incerteza política é apontada como entrave adicional para a atividade econômica, em meio à evolução lenta e turbulenta da reforma previdenciária no Congresso. Na visão da casa, a aprovação na Câmara dos Deputados só deverá ocorrer no fim do terceiro trimestre deste ano.

“O governo continua sem base de apoio no Congresso, o que torna o processo bem mais tumultuado. Apesar disso, acreditamos que o governo será capaz de aprovar a reforma. Não por mérito próprio, mas porque boa parte dos congressistas sabe que sem a reforma o país caminharia para uma crise fiscal permanente, o que tenderia a favorecer os partidos de esquerda.”

Juros

No que tange à política monetária, a SPX não espera mudanças de curto prazo e diz acreditar que, diante dos dado fracos de atividade, o Banco Central deverá agir com cautela até que a incerteza em relação à reforma da Previdência seja dirimida, o que só deve ocorrer no fim do ano. “Até lá o Banco Central deve manter um discurso mais prudente, esperando que o cenário se torne mais claro.”

Um cenário mais favorável do ponto de vista inflacionário, uma atividade econômica mais lenta do que anteriormente prevista e um cenário internacional com juros menores do que o antecipado justificam as alocações da SPX aplicadas na parte intermediária da curva de juros no Brasil. Apesar de algum otimismo, a gestora diz se manter cautelosa. Mesmo no cenário externo, as alocações continuam com baixo risco.

Cenário externo

A SPX permanece comprada em dólar e em petróleo. Na carta do mês, a gestora destacou que, depois de um período de arrefecimento mais pronunciado no segundo semestre de 2018, a atividade global mostrou-se mais resiliente nos primeiros meses de 2019.

A casa chamou atenção para a solidez dos dados de atividade mais recentes dos Estados Unidos e observou que espera uma recuperação gradual dos preços, inclusive com a nova rodada de tarifas sobre produtos chineses ajudando a levar a inflação de volta para 2% no fiml do ano.

“Neste ambiente, acreditamos que as perspectivas para a política monetária sejam bastante assimétricas. Altas de juros nos parecem improváveis, principalmente levando em consideração a crescente preocupação do Fed com uma possível desancoragem das expectativas de inflação. Por outro lado, acreditamos que pequenas decepções em atividade/inflação podem ser suficientes para que cortes preventivos de juros sejam implementados”, afirma a SPX.

Ainda que espere que o Fed, o banco central americano, mantenha uma postura de paciência, a casa vê riscos crescentes de um ciclo de dois ou três cortes de juros.

Em relação à Zona do Euro, a expectativa é de que os juros permaneçam em patamares baixos por um período bem longo. Já na China, a disputa comercial com os EUA coloca em risco a melhora da atividade econômica. “De forma geral, todo o cenário macroeconômico está condicionado à evolução da guerra comercial entre os EUA e a China. Os acontecimentos recentes dessa disputa, com novas tarifas sendo implementadas por ambos os países, indica a possibilidade de fortes turbulências à frente”, assinala a SPX.

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