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Em compasso de espera, gestoras aumentam caixa dos fundos

Clima de cautela com tramitação da reforma da Previdência leva Itaú Asset e Neo Investimentos a aumentarem liquidez dos fundos. Garde evita posições muito alavancadas

Dinheiro
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Com um prazo cada vez maior previsto para a tramitação e a aprovação da reforma da Previdência, o mercado financeiro tem operado em compasso de espera. Ainda que também monitorem notícias corporativas brasileiras e a economia global, os gestores de recursos têm como maior foco de atenção a principal mobilização do Congresso brasileiro.

Em meio à expectativa em relação ao texto final e à economia que poderá ser gerada pela reforma, uma parte do mercado tem aumentado o caixa dos fundo, isto é, tem deixado o dinheiro em aplicações de renda fixa mais líquidas enquanto o cenário fica mais claro.

Confira o que gestores e executivos da Itaú Asset Management, Neo Investimentos, Garde Asset Management e Leblon Equities disseram em entrevistas exclusivas ao InfoMoney no vídeo a seguir:

Marcello Siniscalchi, diretor da Itaú Asset Management, diz que a gestora está bastante cautelosa neste segundo trimestre, aguardando o desenrolar das discussões relativas à reforma previdenciária. “A gente tinha posições maiores na virada do ano, reduziu e agora está com posições menores”, afirmou. Com uma visão geral otimista, Siniscalchi explicou que a redução das posições dos fundos foi feita para abrir espaço para capturar novas oportunidades à medida que o cenário fique mais claro.

Luiz Chrysostomo, sócio da gestora de recursos Neo Investimentos, avalia que há oportunidades latentes no mercado em meio ao patamar atual da taxa de juros, que é fruto de uma “enorme recessão” no Brasil, e à possibilidade de retomada do crescimento sem pressão inflacionária, dado o nível atual de capacidade ociosa. Por ora, contudo, o posicionamento da gestora é regido pela cautela.

“Enxergamos algumas oportunidades extremamente seletivas, mas eu diria que nós precisamos ter um pouco mais de segurança no direcionamento dessas reformas para que a gente amplifique essa tomada de decisão para maior risco”, disse Chrysostomo.

Depois de uma redução ao longo de 2018, a gestora tem aumentado sua posição em caixa, mas ainda num nível bem menor que o de anos anteriores, segundo o executivo.

Menos risco

Com uma visão construtiva para o Brasil desde setembro, Marcelo Giufrida, sócio e CEO da Garde Asset Management, também afirmou que tem evitado montar posições excessivamente alavancadas, por conta do cenário mais turbulento.

“A gente reduziu um pouco dos riscos por conta dessa turbulência momentânea, mas continua com viés mais positivo, mais construtivo para economia brasileira. Tem uma sintonia fina entre os diversos ativos, mas o viés é positivo”, comentou.

Com um olhar de mais longo prazo, Pedro Rudge, sócio da Leblon Equities, segue com ações de empresas exportadoras em seu portfólio, por considerá-las mais defensivas, e também papéis de companhias vinculadas à tese de economia doméstica. Mesmo com as preocupações com a ingerência política sinalizada pelo governo de Jair Bolsonaro ao intervir na política de preços de combustível da Petrobras, a gestora também mantém a exposição em estatais.

“Temos posições em algumas estatais, mas acende uma luz amarela, faz com que a gente monitore ainda mais perto como vai ser o desenrolar dessa situação. Num primeiro momento foi remediado, mas acende uma luz amarela para a gente ver se isso vai ser uma tendência ou não.”

Os gestores participaram do 10º Congresso de Fundos de Investimento da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), realizado nos dias 24 e 25 de abril, em São Paulo.

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