FIIs poderão ser usados como garantia na B3; medida começa em 11 de maio

Iniciativa da B3 reforça o espaço dos FIIs no mercado brasileiro e amplia possibilidades para investidores

Vinicius Alves

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A B3 anunciou uma nova medida para ampliar a relevância dos fundos imobiliários no mercado brasileiro. A partir de 11 de maio, investidores poderão utilizar cotas de FIIs como garantia em determinadas operações realizadas no ambiente da bolsa, em uma iniciativa voltada à ampliação dos ativos aceitos para cobertura de margem.

Inicialmente, 28 fundos imobiliários estarão aptos a integrar a lista de ativos elegíveis. Na prática, os FIIs poderão ser depositados como garantia em operações que envolvem a atuação da Câmara B3 como contraparte central, funcionando como proteção financeira para assegurar o cumprimento das obrigações assumidas pelos participantes.

A mudança ocorre em meio ao crescimento do mercado de fundos imobiliários no Brasil, que vem ganhando espaço entre investidores pessoas físicas e institucionais. Segundo a B3, o segmento movimentou R$ 11,4 bilhões apenas em março de 2026, em um cenário de aumento de liquidez e expansão da base de investidores.

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De acordo com Marcos Skistymas, diretor de Produtos Listados da B3, a medida busca aprofundar o desenvolvimento estrutural da indústria de FIIs. “A inclusão dos fundos imobiliários como ativos aceitos em garantia vem na sequência de recordes de negociação alcançados pelo mercado em 2026”, afirma.

“Esse é um produto que cada vez mais cresce entre as pessoas físicas, por ser uma alternativa atraente de diversificação, especialmente pela regularidade de pagamento de dividendos com isenção de Imposto de Renda. Agora, tanto esses investidores quanto nossos clientes institucionais e estrangeiros contam com mais um incentivo para incluírem os FIIs aos seus portfólio”, acrescenta Skistymas.

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B3 amplia uso dos FIIs no mercado

A aceitação dos fundos imobiliários como garantia faz parte de uma agenda mais ampla da B3 para fortalecer a indústria de FIIs. Nos últimos anos, a bolsa também autorizou recompra de cotas para cancelamento, liberou negociações em grandes lotes e incentivou o avanço dos ETFs de fundos imobiliários com distribuição de rendimentos.

Outro passo relevante ocorreu em 2025, quando os FIIs brasileiros passaram a ser equiparados aos REITs — os fundos imobiliários negociados em bolsas internacionais — ampliando a visibilidade desses ativos no exterior e facilitando sua inclusão em índices globais.

Quais serão os critérios para os FIIs?

Para que um fundo seja elegível como garantia, será necessário cumprir critérios mínimos definidos pela B3, incluindo volume médio diário negociado acima de R$ 2 milhões, presença em pregão em 100% dos últimos 84 dias e média superior a 6 mil negócios diários.

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Com a inclusão dos FIIs, a bolsa passa a contar com 21 tipos de ativos aceitos como garantia em operações com contraparte central. Atualmente, o volume total depositado em garantias na B3 soma cerca de R$ 733,5 bilhões, concentrado principalmente em títulos públicos federais indexados à Selic.

A medida também reforça o avanço da Câmara B3 na ampliação do leque de instrumentos utilizados na gestão de risco do mercado. Em 2024, a bolsa já havia passado a aceitar debêntures como garantia em determinadas operações.

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