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As cotas do fundo imobiliário CACR11 (Cartesia Recebiveis Imobiliarios) registraram nova sessão de forte queda nesta terça-feira (5), com desvalorização de 11,51%, fechando ao preço de R$ 41,60, ainda refletindo a decisão de não pagar dividendos referentes ao mês de abril.
Essas perdas se somam à queda da sessão de segunda-feira (4), quando as cotas despencaram 42,20%, encerrando o pregão a R$ 47,01. Na última sexta (30), a cota valia R$ 81,33.
A interrupção dos proventos ocorre em meio a um cenário mais desafiador para o crédito imobiliário. O fundo possui exposição a CRIs ligados a projetos de desenvolvimento, muitos ainda em estágio inicial, o que aumenta o risco em momentos de juros elevados e desaceleração econômica.
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Em um ano, CACR11 acumula queda de cerca de 56%
No acumulado de 12 meses, as cotas do CACR11 já somam desvalorização próxima de 56%, saindo de quase R$ 97 para R$ 41, evidenciando a deterioração da percepção de risco por parte dos investidores.
Especialistas apontam que a decisão, embora preventiva, tende a indicar preocupações mais profundas com a carteira. “O fundo optou por reforçar o caixa porque está exposto a CRIs de desenvolvimento imobiliário, que dependem diretamente da evolução das obras e das vendas”, explica Alexandre Pletes, head de renda variável da Faz Capital.
Segundo ele, fatores como juros elevados, aumento nos custos de construção e dificuldades de financiamento podem gerar atrasos nos projetos e comprometer o fluxo esperado. “Esse efeito acaba voltando para o fundo. Se a obra atrasa ou a venda não acontece no ritmo esperado, o pagamento do CRI também pode ser impactado”, afirma.
O especialista destaca ainda que a decisão de suspender dividendos costuma ser interpretada como um sinal de alerta. “Uma medida tão drástica naturalmente assusta o investidor. Pode indicar que já existe algum nível de estresse na carteira, ainda que não totalmente detalhado ao mercado”, diz.
Outro reflexo imediato foi o aumento expressivo na liquidez das cotas. “O volume negociado saltou de uma média de cerca de R$ 1,5 milhão por dia para mais de R$ 6 milhões, mostrando um movimento forte de saída”, acrescenta.
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