Entenda o aluguel de ações e por que a OGX foi além do limite

Empréstimo de ativos ocorre quando investidores acreditam que uma ação deverá sofrer uma forte queda e tentam se beneficiar disso

Gabriella D'Andréa

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SÃO PAULO – Após atingir a sua mínima histórica na última sexta-feira (15), a OGX (OGXP3), petrolífera do Grupo EBX, viu a demanda pelo aluguel de seus papéis disparar, fazendo com que a BM&FBovespa elevasse o limite máximo do aluguel de ações. 

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O aluguel de ativos é muito utilizado pelos investidores que operam vendido, ou seja, que apostam na queda do papel.  Eles alugam ações e as vendem. Depois que o preço recua,  recompram a mesma quantidade de papéis por um preço mais barato para devolvê-los, ganhando com a diferença entre o valor da venda e da compra.

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“O aluguel de ações ocorre de maneira constante no mercado acionário e se concentra, geralmente, quando há expectativas negativas do preço da ação”, economista e diretor da Norfolks Advisors, Ricardo Torres. “Nessas situações, investidores profissionais acreditam que o preço da ação vai cair e o forçam para baixo, com o intuito de comprar com lucro depois”, explica.

OGX
No caso específico da OGX, Torres explica que como houve um exagero na expectativa de queda da ação, vários agentes do mercado optaram pelo aluguel do papel, fazendo com que as taxas também disparassem. Segundo relataram operadores ao  InfoMoney, a taxa de aluguel têm aumentado a cada pregão, saindo da casa dos 5% para 15% ao ano.

Com a forte demanda por papéis para alugar, a BM&FBovespa optou por aumentar o limite de aluguel das ações de 250 milhões para 376 milhões.  Com isso, o limite para alguel subiu de 20% para 30% das ações em circulação no mercado.

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“Caso essa medida não fosse tomada, poderia, inclusive, haver um risco sistêmico para o mercado, pois se eu vendi na expectativa de conseguir alugar a ação e não a achei, não vou conseguir entregar para quem eu vendi e deixarei de cumprir minha obrigação”, pontua Torres.

De acordo com as regras da BM&FBovespa, normalmente, o limite para aluguel é equivalente a 20% das ações em circulação no mercado. Mas, caso a operação atenda a alguns critérios de risco, a instituição pode considerar elevar essa taxa, como foi o caso da petrolífera do grupo X.  

Vale a pena aderir à prática?
É importante lembrar que apostar na baixa do mercado costuma ser mais arriscado do que investir acreditando na alta, principalmente quando o investidor não tem muita experiência. Para isso, o investidor deve enxergar fortes indícios de que o papel vai cair, caso contrário, corre o risco de amargar prejuízos com a prática.

O especialista sugere que o investidor espere para comprar as ações quando elas estiverem com um preço baixo, pois em algum momento pode ocorrer um movimento conhecido como “short squeeze”, isso é, o preço da ação sobe tão rapidamente que quem operava vendido decide comprá-la e zerar a posição.

Para os doadores (quem empresta a ação), o maior risco é não poder operar com aquele papel enquanto ele estiver alugado. Com isso, se quiser se desfazer do papel por conta de alguma notícia ou movimento muito atípico, terá de esperar.