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Emissões de debêntures incentivadas disparam 114% em setembro, com incerteza sobre IR

Entre as maiores operações do mês de debêntures tradicionais está uma da Rede D’Or , que captou R$ 2,74 bilhões

Paulo Barros

Hospital Barra D'Or. (Foto: Reprodução/Rede D'Or)
Hospital Barra D'Or. (Foto: Reprodução/Rede D'Or)

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As emissões de debêntures incentivadas, isentas de IR para pessoa física, dispararam em setembro, a R$ 19,7 bilhões, alta de 114% frente a agosto, quando empresas captaram R$ 9,2 bilhões por meio desse instrumento. Parte dessas operações, no entanto, foi encarteirada pelo BNDES, como no caso da concessão Noroeste Paulista.

O movimento ocorre em meio à incerteza sobre o futuro da tributação dos ativos incentivados a partir de 2026, com as discussões no Congresso sobre a MP 1.303/25. O texto originalmente previa o fim da isenção, mas o parecer do relator, deputado Carlos Zarattini (PT-SP), manteve os incentivos para debêntures de infraestrutura, além de CRIs e CRAs.

As debêntures incentivadas também ficaram livres do imposto mínimo para alta renda no projeto de isenção do Imposto de Renda aprovado por unanimidade na Câmara dos Deputados na quarta-feira (1º). No entanto, o projeto ainda será analisado pelo Senado.

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Já as debêntures tradicionais somaram R$ 47,5 bilhões, um aumento de 33% em relação a agosto. Entre as maiores operações do mês estão a Rede D’Or (R$ 2,74 bi), a Aegea (R$ 2,78 bi), a Energisa SA (R$ 3,65 bi) e a Rodovia Noroeste Paulista, que captou R$ 3,9 bi via BNDES.

O forte fluxo de capitais para os títulos incentivados tem pressionado os spreads de crédito, especialmente nos papéis de maior qualidade (rating AAA). Nos títulos de infraestrutura isentos, o spread médio caiu para mínimas históricas, chegando próximo de -60 pontos-base em relação às NTN-Bs de referência.

No mercado de papéis atrelados ao CDI, o spread médio também recuou, refletindo principalmente o fechamento observado nas debêntures da Cosan, após o anúncio de aumento de capital. Desconsiderando esse efeito, os spreads ficaram estáveis no mês.

Paulo Barros

Jornalista há mais de 15 anos, editor de Investimentos no InfoMoney. Escreve sobre renda fixa e variável, alocação e o universo dos criptoativos