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Eleições nos EUA: como montar uma carteira internacional e aproveitar oportunidades

Os mercados financeiros costumam reagir às potenciais mudanças nas políticas fiscais, regulatórias e comerciais

Lucas Gabriel Marins

Bandeira dos EUA (Foto: Shutterstock)
Bandeira dos EUA (Foto: Shutterstock)

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As eleições costumam deixar as pessoas com os nervos à flor da pele, especialmente quando são marcadas por fortes paixões ideológicas, como é o caso da disputa presidencial dos Estados Unidos neste ano. Longe de serem ilhas isoladas, os mercados financeiros globais também sentem o baque político.

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Ações, bonds, moedas e outros produtos financeiros costumam reagir às potenciais mudanças nas políticas fiscais, regulatórias e comerciais, influenciando a confiança dos investidores. “Historicamente, há aumento de volatilidade no índice S&P 500 entre 3 a 6 meses antes das eleições”, disse Rafael Haubrich, head de offshore da Manchester Investimentos”.

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Os principais riscos incluem a volatilidade cambial, especialmente com o dólar, que pode afetar os retornos dos mercados emergentes, falou Raony Rossetti, fundador e CEO da Melver. “Há também riscos associados a possíveis mudanças regulatórias e políticas comerciais, como aumento de tarifas e barreiras comerciai, que podem impactar setores específicos, como a siderurgia”, completou.

Diante do cenário, segundo especialistas, os investidores precisam ficar atentos a alguns indicadores macroeconômicos dos EUA que podem impactar os investimentos ao longo do ano. Na hora de montar uma carteira internacional, dizem, é ideal focar na diversificação para lidar com a volatilidade.

Indicadores importantes

Os principais indicadores para ficar de olho são os níves de atividade econômica, inflação e juros, falam. Ontem, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) manteve a taxa no patamar atual, entre 5,25% a 5,50% ao ano, e sinalizou que deve fazer apenas um corte neste ano. A atividade econômica continuou a se expandir e a inflação diminiu no último ano, mas continua alta, segundo a instituição.

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De acordo com especialistas, também vale colocar no radar taxa de desemprego, Produto Interno Bruto (PIB), dados de vendas no varejo, produção industrial e índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês), que servem como guias para outros indicadores. Além disso, dizem, é importante também monitorar as pesquisas de opinião pré-eleitorais e propostas econômicas dos candidatos.

Portfólio gringo em ano eleitoral

Dois especialistas consultadas pelo InfoMoney montaram sugestões de portfólios internacionais para o ano.

Carteira internacional da Solutions Wealth Management

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Para Rafael Meyer, sócio da Solutions Wealth Management, uma carteira equilibrada poderia ser estruturada com 60% em renda fixa e 40% em renda variável. “A diversificação internacional é crucial para mitigar os riscos associados à volatilidade eleitoral nos EUA, permitindo que os investidores se beneficiem de mercados com diferentes dinâmicas econômicas e menores correlações com o mercado americano”, disse.

Renda fixa (60%)

Renda variável (40%)

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Carteira internacional da Melver

Rossetti, da Melver, montou portfólio para investidores com perfil mais agressivo. A carteira ficou dividida em 50% com ativos de renda variável e 50% com títulos de renda fixa e alternativos. Ele disse que, embora perfomance passada não seja indicativo de rentabilidade futura, levou em consideração o histórico de eleições anteriores.

Renda fixa e investimentos alternativos (50%)

Renda variável/ações (50%)

Ações sobem ou descem em ano eleitoral?

Apesar da volatilidade, o histórico mostra que os mercados se ajustam em anos eleitorais. Nas últimas 24 disputas presidenciais na maior economia do mundo, o S&P 500 subiu em 91,6% deles, com um ganho médio de 9,5%, segundo levantamento da Ágora Investimentos. Os melhores desempenhos foram em 1932 (+37,6%), seguido por 2020 (+25,5%) e 1980 (+24,5%).

Relatório recente da Morningstar mostra que o mercado acionário teve êxito tanto na gestão do ex-presidente Donald Trump quanto na atual do presidente Joe Biden, apesar da pandemia. “Contraintuitivamente”, disseram os especialistas da empresa de dados, o setor de tecnologia foi melhor com o republicano, enquanto o de energia se destacou no período democrata.

“Mas não devemos presumir que o comportamento do mercado em 2024 será semelhante ao de 2016 ou 2020. Os candidatos podem ser os mesmos, mas o contexto é diferente”, escreveram o estrategista Dan Lefkovitz e o analista Aditya Pillai, da Morningstar