Dividendos e recompras atingem US$ 6,3 bi no Brasil; veja maior pagadora

Distribuição de empresas brasileiras cresceu acima da média global no primeiro trimestre, e respondeu por 60% do volume em toda a América Latina, segundo índice inédito da Janus Henderson

Paulo Barros

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As empresas brasileiras distribuíram cerca de US$ 6,3 bilhões em dividendos no primeiro trimestre de 2026, o equivalente a quase 60% de tudo o que foi pago na América Latina no período, segundo a primeira edição do Global Dividend and Buyback Index, da gestora Janus Henderson, divulgada nesta terça-feira (21).

O Brasil aparece como o maior pagador da região, à frente de mercados como México e Chile. O crescimento subjacente dos dividendos brasileiros ficou em 9,6% na comparação com o mesmo período de 2025, acima da média global apurada pelo índice.

O índice é a primeira edição de um levantamento que amplia a pesquisa de dividendos da Janus Henderson para incluir também as recompras de ações, com o objetivo de retratar de forma mais completa o retorno de capital aos acionistas. Nos cálculos, a gestora diferencia o crescimento nominal, que considera a variação do valor total pago em dólares na comparação anual, do crescimento subjacente, que ajusta esse resultado por dividendos especiais, efeitos cambiais e de calendário.

No total, as companhias latino-americanas distribuíram cerca de US$ 10,5 bilhões no trimestre, alta de 15% em bases subjacentes ante o primeiro trimestre do ano passado. As recompras de ações, por outro lado, foram mais modestas na região, somando US$ 1,1 bilhão, um volume considerado baixo diante do tamanho dos mercados latino-americanos.

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Vale puxa pagamentos no Brasil

Entre os maiores pagadores brasileiros está a Vale (VALE3), que elevou o dividendo por ação de BRL 2,66 no primeiro trimestre de 2025 para BRL 3,58 no mesmo período de 2026. O setor de mineração também sustentou parte relevante da distribuição em outros países da região.

No México, as companhias pagaram US$ 1,4 bilhão, com destaque para o Grupo México, que registrou crescimento subjacente de 36,4%. No Chile, os dividendos somaram cerca de US$ 2 bilhões no trimestre.

O desempenho da mineração na América Latina acompanha um movimento global. No índice como um todo, o setor de materiais básicos apresentou o maior crescimento de dividendos entre todas as indústrias, com alta de 47,1% na comparação anual.

O avanço foi impulsionado pela demanda elevada por minerais críticos como cobre e lítio, insumos importantes para data centers, semicondutores e a infraestrutura de inteligência artificial, segundo a gestora.

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Bancos na frente globalmente

No mundo, os dividendos alcançaram US$ 424,5 bilhões no primeiro trimestre, avanço de 10,1% em relação a igual período de 2025. As recompras de ações somaram US$ 425,7 bilhões, ligeiramente acima dos dividendos, mas com queda de 3,1% no comparativo anual, o que sugere que as empresas estão mais seletivas na forma de remunerar acionistas.

O setor financeiro foi o maior contribuinte para os dividendos globais, com US$ 90,8 bilhões, além de liderar as recompras, com US$ 110,7 bilhões. A Janus Henderson projeta crescimento de 8,3% nos dividendos globais em 2026, ante 6,8% em 2025, enquanto as recompras devem cair 1,1% no ano.

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Para Jane Shoemake, gestora de portfólio da equipe de Global Equity Income da Janus Henderson, a resiliência dos lucros corporativos tem sido a principal surpresa em meio a um cenário macroeconômico incerto. Segundo ela, esses lucros quase sempre resultam em dividendos mais altos, movimento que agora se observa em diferentes setores e regiões.

A gestora avalia ainda que dividendos e recompras devem ser tratados de forma distinta. Para ela, os dividendos costumam refletir decisões de longo prazo dos conselhos, baseadas em sustentabilidade, enquanto as recompras são mais discricionárias e cíclicas. Nesse sentido, os dividendos seguem como o sinal mais forte de confiança, e as recompras funcionam como um amortecedor mais flexível diante de eventuais deteriorações no cenário.

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Paulo Barros

Jornalista há mais de 15 anos, editor de Investimentos no InfoMoney. Escreve sobre renda fixa e variável, alocação e o universo dos criptoativos