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SÃO PAULO – Neste mês de maio, muitos investidores que possuem dinheiro aplicado em fundos de renda fixa ou DI podem se assustar, caso retirem um extrato de seus investimentos, já que os mesmos podem apresentar rentabilidade negativa em relação à última quarta-feira, chegando inclusive a acumular perdas para todo o mês de maio.
No total, R$ 4 bilhões podem desaparecer das carteiras dos fundos, o que representa cerca de 1,1% do total dos recursos aplicados em fundos de investimentos.
A forte perda que esses fundos devem sofrer se deve a uma determinação do Banco Central e da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que obriga os gestores, a partir desta sexta-feira, a contabilizar os ativos nas carteiras pela marcação a mercado ao invés da marcação pela curva de juros do papel, praticada por alguns bancos.
Com a entrada em vigor do novo SPB (Sistema de Pagamentos Brasileiro), já havia sido acordada a mudança que, no entanto, deveria ser feita até o final de setembro deste ano. Apesar da insistência de alguns gestores, que preferiam contabilizar as perdas gradativamente até essa data, o BC e a CVM preferiram privilegiar os cotistas e estipularem o prazo para adequação até esta sexta-feira.
Preços mudam a cada instante
Quando você aplica num fundo DI, seus recursos são destinados principalmente para compra de títulos públicos pós-fixados, ou seja, que renderão de acordo com o patamar da taxa Selic e com o tempo que o dinheiro foi aplicado. Porém, devido ao grande número de cotistas e ao elevado volume de dinheiro aplicado, às vezes pode ser difícil para o gestor afirmar com precisão quanto cada cotista possui em determinado dia, já que o mercado financeiro é extremamente dinâmico.
Assim, uma notícia ruim pode trazer pessimismo aos investidores, que exigirão rentabilidade maior do governo para que esse possa vender seus títulos. Ou ainda uma perspectiva positiva para a economia pode animar os investidores, ocorrendo exatamente o inverso.
Marcação a mercado vs. marcação pela curva de juros do papel
Para avaliar quanto cada cotista possui a cada instante, o novo SPB optou pela chamada marcação a mercado, que estabelece que o preço dos papéis deve ser estipulado com base no preço de mercado a cada instante. Porém, alguns bancos costumam estabelecer os preços dos títulos de acordo com os juros que serão pagos, a chamada marcação pela curva de juros do papel. Essa alternativa geralmente confere maiores ganhos aos cotistas, porém, não reflete o real patrimônio do fundo.
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Isso ocorre porque, caso haja uma corrida aos bancos e muitos investidores queiram resgatar seus recursos, os gestores não conseguirão vender os títulos de acordo com os juros prometidos, acabando por prejudicar os cotistas.
Nova marcação privilegia cotistas
Suponha que você tenha aplicado R$ 1 mil no início de um mês, quando a taxa de juro no período atinja 1% num fundo de investimentos que não contabiliza seus ativos de acordo com o real valor de mercado. Na metade do mês, uma grave crise econômica ocorre e o Banco Central eleva os juros, que passam a 2% ao mês. Nesse dia, um investidor, aproveitando a alta dos juros, também aplica R$ 1 mil no mesmo fundo.
Assim, seu dinheiro rendeu 1% ao mês até a metade daquele mês, ou seja, 0,5% e você passa a ter R$ 1.005. Na segunda metade do mês, seu dinheiro renderá 1%, já que os juros chegam a 2% ao mês. Logo, ao final de 30 dias, você terá R$ 1.015,05, o que representa rentabilidade no mês de 1,51%.
Já a aplicação do outro investidor também renderá 1% na segunda metade do mês, e o montante do investimento atingirá R$ 1.010. Porém, houve uma transferência de riquezas, já que a rentabilidade mensal equivalente para um mês chegou a 2,01%, acima dos 1,51% que seu dinheiro rendeu.
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Com a marcação a mercado, isso não ocorreria e todos os cotistas teriam a mesma rentabilidade, independentemente do momento em que o dinheiro for aplicado ou de qualquer alteração na Selic, a taxa de juros básica da economia brasileira estipulada pelo Banco Central.
Perdas podem chegar a 4%
Como terão até hoje para se adaptarem à nova regra de contabilização dos ativos, os gestores terão que provisionar as perdas de uma só vez nas cotas desta sexta-feira, ao invés distribuírem as perdas ao longo dos dias até o final de setembro. Com isso, alguns fundos de renda fixa e DI podem apresentar variação negativa de até 4%, o que representa praticamente a rentabilidade de três meses dessa modalidade de investimento, que acumula 4,09% de valorização nos últimos três meses.
Mesmo depois da provável baixa nos fundos, as cotas devem oscilar mais com a implementação da nova contabilização dos ativos, já que passarão a refletir a volatilidade dos mercados financeiros. Apesar das perdas em um primeiro momento, as medidas devem ser vistas com bons olhos pelo investidor, que agora poderá ter um controle mais efetivo de quanto está realmente ganhando ao acompanhar a variação da cota do fundo em que aplica.