De olho no campo

Única gestora especializada em commodities agrícolas no Brasil, Sparta vê nos contratos futuros uma opção para diversificar em cenário de juros baixos e Bolsa volátil

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SÃO PAULO – Enquanto grande parte dos investidores está com os olhos voltados para a crise na Europa e os problemas econômicos globais, um pequeno grupo nunca para de olhar para o céu. A intenção desses gestores não é pedir um milagre divino, mas saber se vai ou não chover, um fator determinante para o sucesso ou fracasso da safra agrícola. “As pessoas normalmente só querem saber se vai chover em janeiro, quando vão tirar férias. Técnicos como nós olham para o céu e logo pensam na produção de soja”, diz Ulisses Nehmi, diretor da Sparta Fundos de Investimento, única gestora especializada em fundos de commodities agrícolas no Brasil.

Com um cenário de juros mais baixos e de forte volatilidade no mercado acionário, a aplicação em commodities agrícolas serve como uma maneira de o investidor diversificar o portfólio e ficar menos correlacionado às oscilações do preço das ações. “A renda fixa está começando a incomodar [devido aos juros baixos], e a Bolsa segue volátil. O brasileiro está procurando alternativas. A nossa intenção é mostrar oportunidades”, afirma o executivo.

A casa é especializada em analisar o mercado do campo, não só no Brasil como em outros países que têm alguma relevância para a agricultura e a pecuária. Estados Unidos, Argentina, Índia e até Vietnã (que se destaca no café) estão sempre no radar dos profissionais que atuam na equipe de gestão. Na análise fundamentalista, fatores como oferta e demanda têm um peso importantíssimo.

“Do lado da oferta, analisamos produtividade, aumento de área plantada, novas tecnologias, clima – tudo aquilo que possa afetar o tamanho da produção”, explica. Em relação à demanda, é preciso ficar atento aos dados macroeconômicos do país, como o crescimento da economia e o enriquecimento da população. “Uma nação muito pobre não consome grande quantidade de açúcar. Quando começa a melhorar o padrão de vida das pessoas, explode o consumo dessa commodity. É o povo saindo do campo e indo para a cidade, consumindo refrigerantes, doces, coisas populares”, exemplifica.

Ao antecipar movimentos como esse, comprando açúcar no mercado futuro, é que se ganha muito dinheiro. Foi isso que a gestora fez em 2007 e 2008, quando conseguiu uma rentabilidade de três dígitos com seus fundos de commodities. Poucos anos antes, em 2004, com o preço do boi gordo muito baixo, os pecuaristas brasileiros começaram a vender mais – o que provocou a falta de bezerros nos anos seguintes. A doença da vaca louca na Europa, em 2005 e 2006, agravou a situação, e, em 2008, a quantidade de bois no Brasil diminuiu drasticamente. “O preço da arroba disparou duas vezes e meia. É o tipo de coisa que acontece uma vez na vida, e quem está fazendo análise fundamentalista pega esse movimento ‘de cabo a rabo’”, pontua.

Impacto menor
Quando problemas financeiros globais afetam de forma direta os investimentos em ações, as commodities aparecem como uma alternativa para fugir dessas turbulências. Não significa que elas não sofram o impacto, mas ele acontece de maneira mais branda. Para comparar, a Bolsa brasileira sofre com a volatilidade em 2012, alternando períodos de altas e de baixas por conta, principalmente, da crise mundial. Ao mesmo tempo, a soja acumula forte elevação neste ano devido à quebra de safra na Argentina e nos Estados Unidos, além de uma forte seca no Rio Grande do Sul. “Você pode argumentar que, com a recessão no mundo, as pessoas vão consumir menos soja. Pode ser, mas uma quebra de safra é muito mais significativa para o preço da commodity”, explica.

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Se a alternativa é tão interessante para diversificar, por que não comprar diretamente contratos futuros na BM&F? A resposta é que esse tipo de transação exige grande conhecimento técnico. Na Sparta, além de gestores, a equipe inclui engenheiros agrônomos e diversos profissionais capacitados para identificar oportunidades. “A maioria das pessoas passa por uma plantação e só enxerga três coisas: se ela está verde, amarela ou se já foi colhida. Esses profissionais sabem se está com pouca chuva e se a plantação está com problemas”, aponta.

O investidor que quiser operar no mercado futuro também precisa saber lidar com a pressão. Isso porque é comum que as transações sejam feitas de forma alavancada (com recursos acima do que você realmente possui), o que deixa a operação muito mais arriscada. É claro que a possibilidade de ganhos elevados também aumenta, mas o preço pode ser alto. “É uma operação mais sofisticada, algumas commodities são até mais voláteis do que as ações. Por isso, dá para perder ou ganhar bastante dinheiro – normalmente perder, se for um investidor inexperiente”, alerta Nehmi.

Como a intenção é diversificar, e não concentrar as aplicações apenas em commodities, os fundos da Sparta têm baixo tíquete de entrada. Para aplicar no Sparta Commodities FIM, é preciso um investimento inicial de R$ 5 mil, enquanto o Sparta Cíclico FIM, que, além de commodities, também investe uma parte do patrimônio em ações, pede um mínimo de R$ 10 mil.

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Boas oportunidades

Se a década passada foi considerada de “ouro” para as commodities, Ulisses Nehmi, diretor da Sparta Fundos de Investimento, afirma que os próximos anos têm tudo para ser ainda melhores. Com o aumento da população e o crescimento da renda, a demanda por alimentos deve ser cada vez maior, o que pode provocar uma elevação dos preços dos produtos agrícolas. “A população cresce cada vez mais, e as pessoas precisam comer. China, Índia e o continente africano concentram quase a metade da população do planeta, e essas pessoas estão saindo do campo e indo para as cidades, consumindo e comendo mais.”

Em junho, as chuvas na região Sudeste prejudicaram o andamento da colheita de cana, fazendo os preços subir e afetando o desempenho dos fundos que estavam “vendidos” na commodity. Mesmo assim, a estratégia não mudou. “Como não esperamos escassez de produto no curto prazo, em função do superávit de produção e dos altos preços que restringem a demanda, acreditamos que esses fatores são baixistas e que os fundos estão posicionados para buscar retornos diferenciados nesse cenário”, disseram os gestores da Sparta, em relatório aos investidores.

“Ficha técnica da gestora”

Início das atividades

Começaram em 1993, com carteiras administradas e clubes de investimentos. Desde 2005 atuam com a gestão de fundos de investimento.

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Patrimônio sob gestão

R$ 110 milhões

Foco

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Fundos de commodities agrícolas. Também conta com frente de renda fixa e de fundos quantitativos.

Fundos abertos para captação:

6

Principais fundos

Sparta Cíclico FIM

Rentabilidade no ano: 0,6%

Rentabilidade nos últimos 12 meses: -4,5%

Sparta Commodities FIM

Rentabilidade no ano: 4,6%

Rentabilidade nos últimos 12 meses: 10%

Essa matéria foi publicada na edição 40 da revista InfoMoney, referente ao bimestre setembro/outubro de 2012. Para tornar-se um assinante da revista, clique aqui.


Coordenador de conteúdo educacional do InfoMoney, ganhou 3 vezes o prêmio de jornalismo da Abecip