“Caminho para o dólar perder força é estreito”: como investir no novo cenário global?

Em painel da Expert XP, especialistas debatem novo regime global e veem juros mais altos por mais tempo

Lara Rizério

(Foto: Fabio Rizzato / InfoMoney)
(Foto: Fabio Rizzato / InfoMoney)

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A mudança do cenário econômico global após o choque inflacionário dos últimos anos foi o tema central de painel na pop-up do InfoMoney na Expert XP nesta sexta-feira (24).

Reunindo Paulo Eduardo Clini, da Franklin Templeton, Luis Oliveira, da PIMCO, e Andressa Castro, do BNP Paribas Asset Management, o debate apontou que investidores precisam se adaptar a um ambiente marcado por tensões geopolíticas mais frequentes, taxas de juros estruturalmente mais elevadas e pela crescente influência da inteligência artificial sobre a economia mundial.

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Luis Oliveira, vice-presidente executivo na Pimco, afirmou que o mundo deve viver um período de “ruptura e resiliência” nos próximos anos. Segundo ele, a geopolítica passou a representar um risco permanente para os mercados, enquanto a fragmentação econômica avança por meio de tarifas e barreiras comerciais cada vez mais amplas. Ao mesmo tempo, destacou que a inteligência artificial deverá movimentar trilhões de dólares em investimentos em áreas como infraestrutura, energia, defesa e relocalização industrial.

No debate, os participantes também discutiram o futuro do dólar. Apesar de reconhecerem vetores de enfraquecimento da moeda americana, como a redução da demanda global por reservas em dólar e a busca por diversificação, os gestores enxergam dificuldades para uma perda expressiva de protagonismo da divisa.

“O caminho para o dólar perder força é relativamente estreito”, afirmou Clini, head de investimentos renda fixa e multimercados na Franklin Templeton Brasil. Para ele, episódios de aversão ao risco, conflitos geopolíticos ou mesmo uma aceleração do crescimento dos Estados Unidos liderada pela inteligência artificial tendem a reforçar a procura pela moeda americana.

A discussão sobre os juros americanos revelou divergências. Andressa Castro, economista-chefe do BNP Paribas Asset Management, avaliou que a inflação não deve permanecer estruturalmente elevada, mas que os juros tendem a ficar acima dos níveis observados na década anterior à pandemia. Na sua visão, o cenário atual reflete uma economia mais dinâmica, impulsionada por estímulos fiscais, investimento tecnológico e menor demanda global por títulos públicos americanos.

Já Clini demonstrou maior preocupação com a persistência das pressões inflacionárias. Segundo ele, as condições financeiras nos Estados Unidos ainda não parecem suficientemente restritivas e o aumento dos investimentos em inteligência artificial pode gerar nova pressão sobre a demanda, dificultando o trabalho do Federal Reserve.

Outro tema de destaque foi a sustentabilidade da forte valorização das ações ligadas à inteligência artificial.

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Embora os especialistas, concordem que a tecnologia deve impulsionar lucros e crescimento econômico nos próximos anos, Clini alertou que movimentos disruptivos raramente ocorrem de forma linear. Citando a trajetória da Amazon durante a bolha da internet, lembrou que empresas vencedoras podem atravessar longos períodos de correção mesmo quando a tese estrutural permanece intacta.

Diante desse cenário, os participantes defenderam diversificação. Luis Oliveira apontou a renda fixa de alta qualidade como uma das classes de ativos mais atraentes no atual ambiente de juros elevados. Já Andressa destacou oportunidades na bolsa americana e em moedas emergentes, enquanto Clini avaliou que mercados emergentes continuam oferecendo importante proteção e diversificação para investidores excessivamente concentrados nos Estados Unidos.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.