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Por que o seguro de vida deve entrar na carteira antes mesmo de formar patrimônio

Proteção ajuda famílias durante a fase de construção da riqueza e não apenas na sucessão, explicam especialistas em painel desta sexta-feira (24) na Expert XP

Jamille Niero

Da esquerda para a direita: André Lauzana, da XP Seguridade, Breno Gomes, da MetLife Brasil, Luciano Soares, da Icatu Seguros, e Patrícia Freitas, da Prudential do Brasil (Foto: Fabio Rizzato / InfoMoney)
Da esquerda para a direita: André Lauzana, da XP Seguridade, Breno Gomes, da MetLife Brasil, Luciano Soares, da Icatu Seguros, e Patrícia Freitas, da Prudential do Brasil (Foto: Fabio Rizzato / InfoMoney)

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Quem pensa em planejamento financeiro costuma associá-lo à construção de patrimônio, investimentos e aposentadoria. Mas, especialistas alertam que uma estratégia financeira completa também precisa incluir proteção contra imprevistos.

Atualmente, o seguro de vida deixou de ser uma proteção tradicional somente para casos de morte e passou a ocupar um papel mais amplo na gestão financeira, servindo para proteger a renda em imprevistos de saúde, como no diagnóstico de uma doença grave, mas servindo também para garantir a sucessão e a preservação do patrimônio.

“Não existe planejamento financeiro completo sem discutir proteção”, defendeu Luciano Soares, presidente da Icatu Seguros, durante painel realizado nesta sexta-feira (24) na Expert XP, que acontece até sábado (25) em São Paulo.

Segundo o executivo, a baixa participação do seguro de vida no Brasil mostra o espaço para crescimento desse mercado. Hoje, cerca de 18% dos brasileiros possuem esse tipo de proteção, percentual bem inferior ao observado em mercados mais maduros, como os Estados Unidos, onde essa fatia pula para 50%.

Na avaliação de Soares, o principal desafio não é apenas ampliar a oferta de produtos, mas inserir a proteção dentro das conversas sobre planejamento financeiro. “Precisamos parar de pensar que primeiro se investe e depois contrata o seguro. Qualquer instrumento de proteção tem que fazer parte de todos os momentos da vida. Se não temos isso ao longo do caminho, estamos fazendo uma análise incompleta”, pontuou o executivo.

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E quem ainda está construindo patrimônio?

Outro ponto recorrente do debate foi a ideia de que o seguro de vida não deve ser visto apenas por famílias de alta renda ou por quem já acumulou patrimônio.

Para Breno Gomes, presidente da MetLife Brasil, o produto pode ser ainda mais importante justamente durante a fase de construção da riqueza, ainda mais em um país com uma enorme quantidade de pessoas na classe média que ainda não formaram patrimônio.

“O seguro funciona como um antecipador do patrimônio que a pessoa ainda não construiu”, salientou Gomes.

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Na prática, isso significa que, caso ocorra um imprevisto — como morte, invalidez ou perda de renda —, a indenização pode garantir recursos para que dependentes mantenham despesas essenciais, como educação dos filhos, financiamento da casa ou o padrão de vida da família.

“Se acontecer alguma coisa no primeiro ano de construção desse patrimônio, o seguro tem essa importância fundamental para quem tem filhos estudando, por exemplo, para já ter acesso a um ‘patrimônio’ que vem do seguro para cobrir essas despesas e não ter problemas para a família”, explicou o executivo ao defender que a proteção acompanhe toda a jornada financeira do cliente.

Leia mais: El Niño e seguro de vida: por que o clima também entra na conta das seguradoras

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Seguro de vida além da cobertura por morte

Os painelistas também destacaram uma mudança importante na percepção sobre o seguro de vida: o produto passou a oferecer cada vez mais benefícios que podem ser utilizados pelo próprio segurado durante a vida.

“Hoje, 92% dos nossos benefícios são pagos em vida. Nós não estamos falando de morte”, destacou Patrícia Freitas, presidente e CEO da Prudential do Brasil.

Entre eles estão coberturas para doenças graves, invalidez, perda de renda, cirurgias e até quebra de ossos, que ajudam a preservar o patrimônio da família diante de eventos inesperados.

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De acordo com Patrícia, esse movimento acompanha o aumento da longevidade da população brasileira. “Seguro de vida faz parte da gestão de risco do planejamento financeiro. A teoria já está na cartilha, só falta executar. Como gerir o risco enquanto se mantém e se acumula um patrimônio”, salientou.

Patrícia destacou ainda que as coberturas para doenças graves vêm crescendo acima da média do mercado justamente porque representam um benefício utilizado em vida. Ela lembra que enquanto o mercado de seguro de vida cresceu 10% no primeiro semestre do ano, só o segmento de coberturas para doenças graves cresceu 21%.

Apesar da evolução dos produtos, a executiva avalia que o principal desafio ainda é cultural. Ao comparar a realidade brasileira com a dos Estados Unidos, onde a contratação de seguro de vida é muito mais disseminada, ela chamou atenção para um contraste. “O brasileiro tem cultura de bet. A gente está vivendo isso. Mas o brasileiro não tem cultura de seguro”, alertou.

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Para a CEO, ampliar a educação financeira e simplificar a forma como o seguro é apresentado ao cliente será fundamental para aumentar a proteção da população.

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Sucessão patrimonial também entra na conta

Além da proteção contra imprevistos, os especialistas defenderam que o seguro de vida também ganhou importância dentro do planejamento sucessório.

Segundo Patrícia, a indenização pode oferecer liquidez imediata para a família enquanto o inventário ainda está em andamento, reduzindo a necessidade de vender bens ou comprometer investimentos para arcar com despesas e tributos.

“O investimento é importante, mas não é líquido para a família, nem para uma transferência de patrimônio”, observou a executiva ao destacar que o seguro pode garantir recursos imediatos enquanto o inventário é concluído.

Para André Lauzana, CEO de Seguridade da XP, a forma de apresentar o seguro ao cliente também precisa mudar.

Durante muitos anos, disse ele, a proteção era tratada como um complemento ao planejamento financeiro. Agora, a expectativa é que ela ocupe o mesmo nível de importância dos investimentos.

“Seguro era tratado como sobremesa. Para mim, ele tem que fazer parte do prato principal”, defendeu.

Na avaliação dos participantes do painel, o crescimento da assessoria de investimentos, o envelhecimento da população, a ampliação das coberturas e a maior conscientização sobre riscos tendem a acelerar essa mudança nos próximos anos.

Tem alguma dúvida sobre o tema? Envie para leitor.seguros@infomoney.com.br que buscamos um especialista para responder para você!

Jamille Niero

Jornalista especializada no mercado de seguros, previdência complementar, capitalização e saúde suplementar, com passagem por mídia segmentada e comunicação corporativa