Renda variável

Brasil atinge a marca de 5 milhões de contas de investidores em renda variável, aponta B3

Na comparação com 2020, houve um crescimento de 56% no número de investidores

Por  Wellington Carvalho -

O número de contas abertas em corretoras no Brasil alcançou 5 milhões, de acordo com levantamento divulgado nesta sexta-feira (4) pela B3. Nos últimos 12 meses, a Bolsa registrou um aumento de 1,5 milhão de investidores no mercado de capitais, crescimento de 56% na comparação com dezembro de 2020.

O relatório “Uma Análise da Evolução dos Investidores”, com dados de dezembro de 2021, destaca que o número de CPFs únicos cadastrados nas corretoras é de 4,2 milhões, uma vez que a mesma pessoa pode ter conta em mais de uma instituição.

Na avaliação de Felipe Paiva, diretor de relacionamento com clientes e pessoa Física da B3, o crescimento no último ano reforça uma tendência que vinha se formando desde 2020, quando as quedas na taxa de juros atraíram mais pessoas para a renda variável.

Para ele, mesmo com as sucessivas altas na taxa básica de juros da economia, a Selic, o que se verifica é que as pessoas físicas vêm mantendo posições em renda variável e diversificando suas carteiras de investimento.

“O mercado de capitais passou a fazer parte da poupança do brasileiro. Conforme a pessoa física vai conhecendo e entendendo como o mercado pode ajudar a atingir seus objetivos, ela se sente mais confiante para continuar realizando investimentos”, afirmou.

Entre os gêneros, 3,8 milhões de contas de investimento foram abertas por homens, contra 1,2 milhões das mulheres.

O relatório da B3 aponta também que os primeiros investimentos das pessoas em renda variável estão sendo feitos com valores cada vez mais baixos. Em janeiro de 2021, as pessoas físicas começavam seus investimentos com valores por volta de R$ 1.500. No final do ano, os novos investidores fizeram alocações iniciais a partir de R$ 44, o menor valor observado desde janeiro 2014. O saldo mediano em carteira fica em torno de R$ 3 mil, aponta a B3.

Investimento em outros produtos de renda variável

Outros produtos oferecidos pela Bolsa brasileira também apresentaram avanço no último ano. O número de investidores de Certificado de Depósito de Ações (BDRs, na sigla em inglês), por exemplo, cresceu 994% em comparação com o mesmo período de 2020. O valor em custódia dos papéis avançou 150%, chegando a R$ 8,8 bilhões.

Em relação aos ETFs, ou fundos de índice, o número de investidores chegou a 500 mil em 2021. De acordo com o relatório da B3, o produto, mais popular em outros países, ainda tem um grande potencial de desenvolvimento no Brasil.

Investidores que possuem algum produto de renda variável já representam 32% do total de pessoas físicas – contando renda fixa e renda variável – na B3. Além disso, os 4,2 milhões de pessoas físicas na Bolsa fecharam dezembro de 2021 com um total de R$ 501 bilhões no mercado brasileiro, um aumento de 9% em relação ao mesmo período de 2020.

O número total de pessoas físicas na B3, ou seja, levando em consideração os investidores de renda fixa e de renda variável, atingiu 13,1 milhões, crescimento de 23% na comparação com dezembro de 2020.

Renda Fixa

O estudo da B3 aponta que, no Tesouro Direto, o número de investidores únicos na modalidade chegou a 1,8 milhão, um crescimento de 26% na comparação com dezembro de 2020. O relatório também aponta aumento de 11% no estoque financeiro da plataforma, chegando a R$ 76,7 bilhões.

Em relação aos investimentos em produtos como CDB, RDB, LC, LCI, LCA, CRA, CRI, debêntures, Notas Comerciais e Letras Hipotecárias, a B3 atingiu 10,1 milhões de pessoas físicas em dezembro de 2021. Na comparação com o final de 2020, o aumento foi de 17%.

O saldo dos investidores de renda fixa avançou 24% – de R$ 843,6 bilhões, em dezembro de 2020, para R$ 1,04 trilhão no mesmo mês de 2021.

O Certificado de Depósito Bancário (CDB) é o principal produto de renda fixa na carteira das pessoas físicas. São 7,2 milhões de contas com CDBs e um saldo de R$ 490,2 bilhões. Em relação ao final de 2020, observa-se um aumento de 18% de pessoas físicas no produto.

Diversificação também aumentou, aponta a B3

No último trimestre de 2021, cresceu ainda mais o número de investidores com produtos além das ações. Em 2016, três em cada quatro pessoas físicas (75%) detinham somente ações. Já em 2021, esse percentual foi de 35%.

“Isso demostra que os investidores estão experimentando mais o mercado de capitais e diversificando seus investimentos, o que é, sem dúvida, a forma mais segura de administrar uma carteira”, comenta Paiva.

A diversificação ocorre não só na variedade de produtos, como também na quantidade de ativos nas carteiras. Em 2016, 21% dos investidores pessoas físicas possuíam mais de 5 ativos em carteira. Em 2021, esse número subiu para 37%.

Além disso, ao analisar o nível de diversificação por faixa de saldo em custódia, o levantamento apontou que, nos saldos até R$10 mil, mais da metade da base (52%) tem mais de um ativo em carteira.

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