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O terceiro trimestre ainda não terminou, mas já dá para bater o martelo: o Bitcoin (BTC) é, de longe, o investimento mais rentável do períodp entre os principais ativos negociados no Brasil, com alta de 39,26% até 28 de setembro, segundo levantamento elaborado pela consultoria Elos Ayta a pedido do InfoMoney. A criptomoeda deixa bem para trás o ouro, que sobe 2,58% no período, mas a arrancada ainda não basta para tirá-la do último lugar no ranking de 2026, em que acumula queda de 10,18% em reais.
A recuperação vem depois de um primeiro semestre de perdas pesadas. Depois de renovar o recorde histórico em outubro de 2025, acima de US$ 126 mil, o Bitcoin aprofundou a queda ao longo de junho e chegou a ser negociado abaixo de US$ 58 mil no início de julho, no menor patamar em quase dois anos. Nesta quarta, a criptomoeda gira em torno de US$ 84 mil, ainda distante da máxima.
Segundo a Binance Research, a virada combina a volta da demanda e a melhora dos sinais técnicos. Os fundos de índice (ETFs) à vista de Bitcoin negociados nos Estados Unidos, que passaram boa parte do ano com resgates, voltaram a captar a partir de julho, e em setembro o ativo fechou a semana acima da média móvel de 50 semanas pela primeira vez desde novembro de 2025, movimento que reforça a tese de recuperação, embora ainda não confirme uma reversão sustentada.
E o ouro também enfrenta um ano difícil. O metal renovou recordes em janeiro, recuou mais de 25% até junho, e fecha o trimestre com ganho modesto, depois de aparecer como o pior ativo de setembro no ranking da Elos Ayta.

Especialistas divergem sobre o que o contraste diz a respeito da tese do Bitcoin como reserva de valor. “Um ativo que cai mais de 50% entre topo e fundo em menos de um ano não cumpre esse papel”, diz Rafael Castaneda, head of ecosystem da EverValue, para quem a criptomoeda é hoje mais uma aposta de longo prazo contra uma ruptura do sistema financeiro tradicional.
Kevin Voigt, CEO da Chainless, considera que o descolamento reforça a tese. “Reserva de valor não se mede em um trimestre. Mede-se em anos, pela capacidade de preservar poder de compra”, ressalta ele, que vê os dois ativos mais como complementares do que concorrentes em uma carteira.
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Thaise Saeter Rytenband, sócia-fundadora da Convex Research e do multi family office Convex Wealth, tem leitura semelhante. Para ela, no curto prazo o ouro tem funcionado como ativo neutro diante das tensões geopolíticas e como principal reserva dos bancos centrais, enquanto o Bitcoin reage com mais intensidade às mudanças nas condições financeiras e ao fluxo de novos compradores.

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Mychel Mendes, CFO da Tokeniza, vai na mesma linha ao explicar que o comportamento dos dois depende do custo do dinheiro. Com juros altos e dólar forte, “o ouro acaba protegendo melhor”, enquanto “quando destrava a liquidez, o Bitcoin acaba capturando mais valor”, aponta.
O que esperar para o Bitcoin
Os juros americanos são um dos principais obstáculos para a continuidade da alta. O rendimento do título de 10 anos do Tesouro americano chegou no fim de setembro ao maior nível desde 2007, o que ajudou a devolver o Bitcoin para baixo de US$ 84 mil. O índice de preços de gastos com consumo (PCE) de agosto veio mais fraco do que o esperado e ajudou a reduzir as apostas de alta de juros já em outubro, mas o mercado segue projetando aumento para dezembro.
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Diante do quatro, a Binance Research classifica o cenário “construtivo, mas condicional”. Para Thaise, da Convex, o ativo segue no ciclo de alta iniciado em novembro de 2022, e uma nova máxima em 2027 pode ser coerente com esse ciclo apenas se o afrouxamento das condições financeiras se consolidar. “Para superar a máxima, o Bitcoin precisaria subir cerca de 50% a partir daqui, e não trato isso como cenário central para 2026”, avalia.
Mas outubro gera expectativa positiva porque concentra historicamente a maior mediana de retorno mensal da criptomoeda desde 2011, segundo destaca o Mercado Bitcoin, em relatório. A casa pondera, porém, que a sazonalidade não é garantia de alta. Sobre um novo recorde, Voigt vê o cenário como improvável ainda em 2026, mas viável em 2027, desde que a demanda pelos ETFs se sustente mesmo com juros mais altos.
Em relatório, o Itaú BBA avalia que a superação de resistências relevantes no fim de setembro reforça a visão de que o mercado de criptoativos pode estar no início de um ciclo estrutural de alta. Segundo o banco, o Bitcoin entrou em tendência de alta e acionou ponto de compra, com a próxima resistência em R$ 444,5 mil (cerca de US$ 86 mil) e suporte em R$ 390,1 mil (cerca de US$ 76 mil), patamar que mantém a tendência positiva.
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Quanto ter na carteira?
Os especialistas apontam que não há um percentual único e que a fatia depende do patrimônio, do perfil de risco e do prazo de cada investidor. Voigt cita recomendações de grandes bancos e gestoras que variam de 1% a 4% do patrimônio e avalia que, para um investidor conservador, até 5% pode funcionar como proteção, desde que a posição seja dimensionada para que uma queda de 50%, que já aconteceu várias vezes, não mude seus planos.
Castaneda recomenda a entrada gradual, com aportes ao longo do tempo para formar preço médio, e lembra que as compras costumam render mais quando o mercado está desacreditado. “Se a posição tira o sono, ela está grande demais”, diz.
Thaise considera cerca de 5% um percentual interessante para o investidor de varejo, mas avalia que a disciplina importa mais do que o número exato, com entrada gradual, rebalanceamento periódico e sem aumentar a posição por impulso depois de altas fortes.
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Mendes defende que mesmo o investidor conservador tenha entre 1% e 5% da carteira em Bitcoin, fatia que pode chegar a 10% para os mais arrojados. Ele ressalta, porém, que o principal risco do ativo é a volatilidade e que quem pode precisar do dinheiro em pouco tempo deve manter um percentual menor.