Bitcoin recua no trimestre e perde para ações, renda fixa, ouro e commodities

Cripto foi impactada por juros, falta de dinheiro novo no mercado e situação das mineradoras

Lucas Gabriel Marins

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Ações, títulos de renda fixa, ouro e commodities entregaram melhores retornos do que o Bitcoin (BTC) até agora no trimestre, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Enquanto o BTC caiu -5% desde abril, o Bloomberg Commodity Spot Index – índice que mede os movimentos de preços das commodities – subiu +5% no mesmo período. O ouro avançou +4% e os papéis ficaram estáveis.

A maior criptomoeda do mercado é negociada a US$ 66.835 na manhã desta sexta-feira (14), com queda de -10% em relação à máxima histórica, de US$ 73.798, registrada em março deste ano. As demais criptomoedas operam mistas hoje.

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Parte do mau desempenho do ativo digital, segundo analistas, envolve a política monetária nos Estados Unidos. Na quarta-feira (12), o Federal Reserve (Fed, o banco central do país) manteve a taxa de juros e passou a prever apenas um corte no ano.

O Bitcoin também pode estar com dificuldades de subir por causa da falta de dinheiro novo na indústria de criptomoedas, disse Noelle Acheson, autora do boletim Crypto Is Macro Now, para a Bloomberg.

Ela falou que parte dos investidores dos ETFs (fundos de índice) à vista de Bitcoin dos EUA, liberados para negociação no início deste ano, pode ser de detentores antigos do criptoativo.

“Em outras palavras, nem todas as entradas nos ETFs representam dinheiro novo sendo injetado no mercado, e apenas dinheiro novo irá movimentar o preço”, escreveu ela.

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Os estrategistas do JPMorgan, liderados pelo diretor administrativo Nikolaos Panigirtzoglou, também exploraram a natureza da demanda pelos fundos de índice, que atraíram cerca de US$ 15 bilhões em entradas líquidas até o momento, segundo a Bloomberg.

Eles disseram que “provavelmente houve uma rotação significativa das carteiras digitais nas exchanges para os novos ETFs à vista de Bitcoin”. Excluindo isso, eles estimam o fluxo líquido deste ano para o mercado cripto – incluindo ETFs, captação de recursos por carteiras de capital de risco e contratos futuros no CME Group – em US$ 12 bilhões.

Isso é inferior ao volume de US$ 45 bilhões em 2021 e US$ 40 bilhões em 2022, escreveram os estrategistas em nota, acrescentando que estão “céticos” de que o ritmo atual de fluxos de entradas em 2024 continuará durante o resto do ano.

O papel das mineradoras

As vendas das empresas de mineração de Bitcoin para lidar com circunstâncias mais difíceis após o último halving (evento que corta a recompensa dos mineradores pela metade) podem ser outro fator por trás do recente torpor do Bitcoin, disse Noelle.

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Os mineradores recebem unidades de BTC como “gratificação” pela atividade. Esses valores, no entanto, são reduzidos a cada quatro anos, conforme estipulado na programação do sistema da criptomoeda. A última vez que isso ocorreu foi em abril deste ano, criando um cenário mais desafiador para as empresas de mineração.

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“Atualmente, um indicador que mede a variação líquida de Bitcoin mantida pelos mineradores mostra uma distribuição dos mineradores que não é uma das maiores recentes, mas merece atenção caso se prolongue ou aumente de volume”, disse Fernando Pereira, analista da corretora Bitget.

“No entanto, isso não é um sinal efetivo de reversão, especialmente quando comparamos com o último ciclo, onde os mineradores estavam comprando no pico histórico e vendendo na mínima histórica”, completou ele.

(Com Bloomberg)