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BDRs: 5 pontos para conhecer antes de começar a investir

Saiba mais sobre paridade, liquidez, tributação, dividendos e novas alternativas de BDRs

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SÃO PAULO – Passado um longo período de espera (e de expectativa) dos investidores, os BDRs, produtos que dão acesso a ativos estrangeiros a partir de negociações na Bolsa brasileira, estão acessíveis ao mercado de varejo desde quinta-feira (22/10).

Com isso, cai a exclusividade até então ao investidor qualificado. Independentemente do valor que você tiver aplicado hoje, é possível escolher um dos 671 recibos lastreados em ações de empresas estrangeiras à disposição na B3.

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E, em breve, haverá ainda a opção de investir em BDRs lastreados em fundos de índice (ETFs), com exposição, por exemplo, ao desempenho de bolsas internacionais.

A B3 também começará a ter BDRs de renda fixa, permitindo ao brasileiro investir no mercado de dívidas internacionais, tanto de emissores estrangeiros quanto nacionais.

Antes de dar o primeiro passo, reunimos cinco pontos importantes para você ter em mente sobre os BDRs, referentes à paridade entre os recibos e as ações negociadas no exterior, à liquidez dos papéis, ao Imposto de Renda, aos dividendos pagos e às novas alternativas de produtos.

Confira a seguir.

Paridade

Ainda que o tamanho do lote padrão de negociação dos BDRs no mercado secundário tenha sido reduzido em setembro para apenas uma unidade, para ter o montante exatamente equivalente ao de uma ação negociada nas bolsas estrangeiras, o investidor terá que desembolsar, em parte dos casos, um valor bem acima do mínimo exigido pela Bolsa. Isso porque há uma relação de paridade estabelecida para cada um dos BDRs.

No recibo da Apple, por exemplo, a relação é de um para dez. É necessário ter, portanto, dez BDRs para deter o correspondente a uma ação da Apple negociada na Nasdaq.

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No caso da rede de alimentação Chipotle, por sua vez, a relação é de um para 20. Há situações em que a paridade é de uma ação para 200 BDRs, como da empresa de comunicação Cable One.

É possível conferir a paridade de cada BDR negociado no site da B3. A lista mais recente pode ser conferida aqui.

Tributação – BDRs x Ações

O processo de investimento em um BDR é muito parecido com o de uma ação.

Os custos envolvidos são semelhantes, com o investidor sujeito a uma taxa de corretagem e a uma eventual taxa de custódia dependendo da instituição financeira, além dos valores cobrados pela própria Bolsa.

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Os ganhos obtidos nas negociações de BDRs também são tributados sob a alíquota de 15% de Imposto de Renda. Fica sob a responsabilidade do próprio investidor calcular o valor devido com base no lucro das vendas realizadas no mês e pagar, via DARF, até o último dia do mês seguinte.

Até aqui, tudo igual. Mas muita gente se depara com uma dúvida no que diz respeito à isenção fiscal para determinados valores. Portanto, que fique claro: diferentemente das ações, BDRs não contam hoje com a isenção de imposto em caso de vendas de até R$ 20 mil ao mês.

Dividendos

Nem sempre o investidor de BDRs irá receber dividendos. Isso porque parte das empresas com recibos negociados no Brasil não distribui proventos.

Conforme revelou levantamento feito pela Economatica, em agosto, das 25 empresas com maior valor de mercado dos Estados Unidos, oito não pagavam dividendos há dez anos, ou desde o IPO. Entre elas figuravam nomes como Amazon, Facebook, Tesla, Netflix, Google e a seguradora do megainvestidor Warren Buffett, a Berkshire Hathaway.

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Quando há distribuição de dividendos pela empresa no seu país de origem, os valores são repassados aos investidores aqui no Brasil já descontados impostos e custos dos bancos emissores de BDRs.

Esses bancos têm como prática cobrar uma taxa sobre os dividendos distribuídos pelos BDRs no Brasil.

Vale conferir mais informações nesta entrevista realizada pelo InfoMoney no início de setembro com Mário Palhares, diretor de produtos listados da B3.

Liquidez

O número de alternativas para você dar o primeiro passo no mercado de BDRs não para de crescer. Só ao longo da última semana, cerca de 120 produtos foram anunciados pela B3, de empresas como AstraZeneca, Novartis, BHP, Ryanair e Weibo.

O maior leque de opções é muito positivo para o investidor. É fundamental, contudo, se atentar à liquidez do papel escolhido antes de decidir comprá-lo.

Com um mercado ainda em desenvolvimento, a tendência é que a liquidez só cresça. Mas, por ora, há uma concentração das negociações em alguns papéis.

O boletim de BDRs mais recente da Bolsa, referente a setembro, mostra que, no ano, os dez produtos mais negociados (em volume médio diário) representavam 43% do total. Destaque para Apple, Amazon, Mercado Libre, Microsoft, Tesla e Alphabet (dona do Google).

Palhares, da B3, disse ao InfoMoney em setembro que, com a atuação de formadores de mercado, é possível garantir preço adequado para a negociação dos BDRs e ressaltou que, embora a liquidez não seja a mesma dos ativos negociados nas bolsas estrangeiras, não é um impeditivo aos negócios locais.

Novos BDRs de empresas brasileiras

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Além da flexibilização das regras para que todo investidor pudesse acessar os BDRs, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) tornou possível comprar recibos de empresas com a maior parte do seu negócio no Brasil que optaram por abrir capital fora do país.

Segundo a B3, é necessário, contudo, que a companhia tenha ao menos um ano de listagem da ação para lançar um BDR.

Companhias como PagSeguro, Arco Educação e Stone realizaram seus IPOs em 2018 e, portanto, estão elegíveis a lançar BDRs. O mesmo vale para a Afya, com IPO em julho de 2019. A XP Inc. irá completar um ano de listagem de suas ações na Nasdaq em dezembro.

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