Tesouro Direto: com alta de 3,6% em julho, rendimento de título de inflação chega a 25% em 12 meses, mas tende a cair

Já o maior rendimento acumulado em um ano é do Tesouro Prefixado 2029; especialistas dizem que ainda vale a pena o investimento

Leonardo Guimarães

(Getty Images)

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Em um mês marcado por deflação, avanço de pautas econômicas importantes no Congresso Nacional e decisão sobre juros nos Estados Unidos, os preços dos papéis do Tesouro Direto apresentaram alta novamente. Os títulos públicos tiveram valorização de até 3,62% em julho.

No Brasil, os indicadores de inflação e atividade econômica surpreenderam e, na visão do mercado, criaram cenário para queda dos juros na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), que ocorre nesta semana.

No início de julho, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que a inflação oficial do Brasil recuou 0,08% em junho na comparação com maio. Depois, no fim do mês (25), o IPCA-15, considerado a prévia da inflação, teve variação de -0,07% em julho, a primeira queda desde setembro do ano passado. Já a prévia do PIB (Produto Interno Bruto), o IBC-Br, caiu 2% em maio, enquanto o mercado esperava estabilidade no indicador.

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Após o IPCA-15, os agentes do mercado foram além nas apostas para a próxima reunião do Copom e começaram a precificar queda de 0,5 ponto percentual na Selic, para 13,25% ao ano. Hoje, os contratos de Opção de Copom negociados na B3 mostram que 53% dos investidores apostam em corte de 0,5 ponto percentual nos juros básicos do Brasil.

Diante desse cenário, as taxas dos títulos do Tesouro Direto tiveram queda em julho, fazendo com que os títulos se valorizassem no período. Os prefixados subiram até 1,44% no mês.

Com o resultado de julho, o Tesouro Prefixado 2029 acumula rentabilidade de 27,05% em 12 meses. Ou seja, o investidor que comprou esse título há 12 meses e vendeu o papel nesta segunda-feira (31), teve retorno bruto de 27,05%.

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Nos últimos 31 dias, o destaque foi o Tesouro IPCA+ 2045, que teve valorização de 3,62%, acumulando rendimento de 25,8% nos últimos 12 meses. “As taxas dos títulos de inflação vêm caindo desde março”, lembra Alexandre Yamamoto, analista de renda fixa da Levante. Ele explica que o ganho do papel para 2045 foi maior por causa do seu prazo: “títulos de longo prazo são mais voláteis”.

Veja os rendimentos dos títulos negociados no Tesouro Direto em julho e no acumulado do ano:

Titulo Rentabilidade em julho (%) Rentabilidade no ano (%) Rentabilidade em 12 meses (%) Taxa de compra (%) Taxa de venda (%)
Tesouro Prefixado 2026 1,44 13,83 20,12 10,12 10,24
Tesouro Prefixado 2029 1,36 19,19 27,05 10,69 10,81
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2033 0,87 17,76 27,02 10,86 10,98
Tesouro Selic 2026 1,03 0,07 0,08
Tesouro Selic 2029 1,02 0,16 0,17
Tesouro IPCA+ 2029 1,21 5,05 5,17
Tesouro IPCA+ 2035 1,12 15,98 21,37 5,23 5,35
Tesouro IPCA+ 2045 3,62 21,79 25,88 5,46 5,58
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2032 0,91 12,65 16,53 5,17 5,29
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2040 1,6 14,98 18,79 5,32 5,44
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045 2,19 16,94 21,09 5,4 5,52

Fonte: Tesouro Direto

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O Tesouro Prefixado 2033 teve a menor valorização de julho (0,87%), movimento que mostra um arrefecimento na alta dos prefixados em relação aos últimos meses. Em maio, a a alta do prefixado para 2033 chegou a 4,35%.

Para Marina Renosto, head de alocação da Blackbird Investimentos, ainda dá tempo de lucrar com a marcação a mercado nos títulos públicos: “já vimos grande parte dos ganhos acontecer, mas isto não significa que não haja mais ganho a ser capturado”, diz a especialista. Yamamoto faz coro: “parece que ainda há um pouco de prêmio”.

Agosto entrega ao mercado o resultado da reunião mais esperada do Copom nos últimos meses. Além disso, o fim do recesso informal do Congresso Nacional esquenta novamente as pautas econômicas que lá tramitam.

Investidores vão monitorar a votação do arcabouço fiscal na Câmara dos Deputados e as negociações para aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da reforma tributária no Senado.

Na agenda de indicadores, destaque para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de julho, que será divulgado no próximo dia 11. Os dados de emprego do Caged serão divulgados no dia 30, enquanto a ata da próxima reunião do Copom deve ser divulgado no dia 8.