Danos colaterais

Atmos: empresas que passarem melhor pela crise serão convocadas a pagar a conta

Para gestora, investir em ativos com longa duration, como ações ou títulos prefixados com prazo de vencimento elevado, é única alternativa viável hoje

(Getty Images)
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SÃO PAULO – Com a crise do coronavírus fechando as portas de uma série de negócios, principalmente de pequenas e médias empresas, as companhias de maior porte, muitas vezes líderes em seus setores de atuação, se viram em uma situação favorável mesmo em meio à pandemia.

Isso porque, com diversos concorrentes ficando pelo caminho, a dominância das corporações tende a se fortalecer, o que fez com que muitos investidores se voltassem para os papéis dessas empresas nas bolsas nas últimas semanas.

Essa é uma tese compartilhada pelos gestores da Atmos Capital. Empresas estabelecidas possuem de fato mais fôlego para sobreviver, e até mesmo para se beneficiar da pane do sistema econômico, escrevem os gestores, em carta divulgada nesta terça-feira, em uma das raras interações com o mercado.

“Por outro lado, serão os sobreviventes chamados para assumir a conta da pandemia”, pontuam os especialistas no documento, lembrando que as companhias em melhores condições no pós-crise serão as primeiras a serem lembradas em uma eventual necessidade de aumento de arrecadação por parte do Estado.

“O monitoramento da queda de braço entre essas duas forças deverá ser uma das nossas principais atividades ao longo dos próximos anos.”

Ações ou prefixados de longo prazo

Na carta, os gestores compartilham também a visão de que a pandemia tirou o mundo real e o financeiro do frágil equilíbrio em que estava até então, culminando em novos efeitos e de extensão enigmática.

Ainda assim, a despeito das incertezas geradas pela pandemia, a queda das ações foi tamanha desde o carnaval que a gestora optou por uma reabertura relâmpago do fundo Atmos Ações.

“O apetite da nossa base de investidores foi maior que o esperado, mostrando amadurecimento para investir nos momentos potencialmente corretos”, apontam os gestores.

Com a Selic em 3% e em via de cair ainda mais, alocar capital na renda fixa à espera de retornos altos e baixa volatilidade faz parte do passado, afirmam os especialistas da Atmos.

Investir em ativos com longa duration, como ações ou títulos prefixados com prazo de vencimento elevado, é a “única alternativa viável hoje para compor patrimônio ao longo do tempo”, diz a carta da gestora carioca.

Apesar do prognóstico, a casa destaca a importância de o investidor estar preparado para suportar períodos de forte volatilidade, ressaltando a importância da disciplina e da paciência ao se investir em ações.

“Talvez ainda não seja momento de caçar um animal grande, mas de encher o cantil para atravessar o deserto”, sugere a Atmos.

Pegos no contrapé

Um dos legados deixados pela crise, preveem os gestores da Atmos, será uma desaceleração no processo de diversificação das carteiras por parte dos investidores.

“Alterar-se-á o comportamento: em primeiro lugar o risco de perder capital e, somente depois, o retorno potencial”, projetam os especialistas da asset, que teve o fundo de ações eleito em fevereiro o melhor da classe de renda variável da década pelo ranking InfoMoney-Ibmec 2020.

Desde o seu inicio, em outubro de 2009, até maio de 2020, o fundo da Atmos acumula rentabilidade anualizada de 19,6%, contra 2,3% do Ibovespa. Neste ano, o fundo cai 20%, ante uma queda de 24,4% do índice de referência.

Frente às perspectivas positivas para os lucros corporativos das empresas brasileiras até o carnaval, os gestores da Atmos dizem terem entrado na fase aguda da crise sem proteção e com caixa mínimo.

Olhando sob uma ótica do retrovisor, eles ainda reconhecem que a falta de experiência em relação à temática sanitária os levou a minimizar a extensão e a duração do problema.

Por fim, a velocidade brutal de realização dos ativos, prosseguem os especialistas, impediu um aprofundamento maior do conhecimento sobre o vírus a tempo de qualquer reação mais tempestiva.

“Resta-nos agora avaliar o efeito de longo prazo da pandemia vis-à-vis ao valuation e às perspectivas das empresas.”

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