As sete razões de Roubini para a desvalorização do ouro

O economista Nouriel Roubini lista sete motivos para explicar o preço do metal e o que chama de "estouro da bolha do ouro"

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SÃO PAULO – Nouriel Roubini, economista famoso por suas previsões pessimistas do mercado e por ter previsto a crise de 2008, listou sete razões principais para a queda no preço do ouro. O economista reforçou que o valor do ouro pode até subir temporariamente, mas terá caráter muito volátil e deve cair conforme a economia resolver lentamente  seus problemas.

O preço do metal, que já esteve em torno de US$1.900 a onça em 2011, agora está abaixo de US$ 1.300, no que o economista classifica como um estouro da bolha do ouro. Os sete principais motivos listados são:

1. Riscos menores
Segundo Roubini, o ouro tende a ser mais procurado pelos investidores quando a economia global sofre sérias ameaças econômicas, financeiras ou geopolíticas. Em 2007, por exemplo, as pessoas compraram ouro por não confiarem em seus depósitos em bancos ou no cumprimento de compromissos por parte do governo. Além disso, havia muitas preocupações no cenário geopolítico, como a possível saída da Grécia da zona do Euro, ou o risco de uma queda acentuada na China ou ainda um conflito entre Irã e Israel. No entanto, o economista afirma que o ouro é o investimento procurado no ápice de crises, o que não é o momento atual da economia.

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2. Inflação baixa e caindo
A inflação está em patamar baixo e caindo, apesar dos investimentos agressivos de muitos bancos centrais, o que significa queda no preço do ouro também. Para Roubini, o ouro é uma tradicional reserva de dinheiro em momentos de inflação alta e a demanda atual é mais baixa, o que implica em uma queda no preço.

3. Outros investimentos têm melhores retornos
Com a recuperação econômica, ações e até mesmo imóveis apresentam performance melhor que o ouro, segundo o economista. O ouro não provém nenhum outro retorno, diferentemente de ações, que podem ter dividendos, ou residências, que geram aluguel, ou seja, esses investimentos, além de estarem se valorizando mais, ainda produzem outra forma de lucro além de sua valorização simplesmente.

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4. Elevação dos juros dos EUA
A saída do patamar zero para a taxa de juros dos EUA também colabora com a baixa do ouro, para Roubini. Taxa de juros e o preço do ouro são inversamente proporcionais, e a tendência atual é de aumento de taxas de juros em todo o mundo, inclusive nos EUA, para taxas com ganhos mais reais, o que significa que o ouro não é um bom investimento.

5. Países endividados
Roubini acredita que muitos países que se endividaram nos últimos anos venderão parte de suas reservas de ouro para reduzir suas dívidas. É o caso do Chipre, que vendeu uma pequena parcela de suas reservas de ouro fazendo o mercado crer que outros países periféricos da zona do Euro fariam o mesmo. Segundo o economista, esse foi o gatilho para uma queda de 13% no preço do ouro em abril desse ano.

6. Valorização do dólar
O preço do dólar e o valor de commodities, incluindo metais preciosos, costumam ter valor inversamente proporcional. Para o economista, a força que a economia norte-americana tem tomado nos últimos tempos indica que o dólar deve se valorizar no futuro, as recentes altas do dólar em relação a outras moedas, como o Iene, Euro, Libra e o Real, corroboram a ideia, segundo Roubini.

7. Valorização irracional
O último argumento de Nouriel Roubini se relaciona com o passado e não com o futuro. O economista acredita que a valorização do ouro nos últimos anos foi uma reação irracional do mercado por se sentir mais seguro ensse investimento frente a outros, segundo ele, muitas pessoas acreditavam em uma hiperinflação contínua e que bancos centrais iriam desvalorizar as moedas.

Por fim, o economista recomenda que os investidores tenham um pouco de ouro em seu portfólio de investimento para o caso de situações extremas e inesperadas. No entanto, Roubini afirma que outras ações também podem proteger o investidor contra riscos, que segundo ele são muito menores agora. O economista ainda reforça que as ações de ouro podem até subir nos próximos anos, mas terão caráter volátil e aos poucos perderão valor.