Carteira recomendada

As ações preferidas dos analistas para comprar em julho

De olho na recuperação da atividade, analistas seguem atentos a um cenário mais favorável para empresas ligadas às commodities e a setores domésticos

Por  Bruna Furlani

SÃO PAULO – A flexibilização das medidas de mobilidade e o avanço da vacinação têm ajudado a dar mais força para a visão de uma retomada da atividade econômica brasileira neste ano. Não é à toa que o mercado vem revisando para cima as projeções para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 2021.

De olho na recuperação da atividade observada em outros países desenvolvidos, como Estados Unidos, analistas mantêm um tom otimista, com a avaliação de que um cenário mais favorável possa se refletir em lucros maiores para as empresas, especialmente as ligadas às commodities e a setores domésticos, como bancos, empresas de concessão e varejo, entre outros.

Na esteira do aumento da atividade industrial na China e da manutenção do preço do minério de ferro a níveis elevados, um levantamento feito pelo InfoMoney com 11 corretoras mostra que a campeã das indicações para o mês de julho continua a ser a ação da Vale (VALE3).

Mesmo com a alta de 125% nos últimos 12 meses, a expectativa dos analistas é que a empresa ainda tem potencial para entregar bons resultados. Não é à toa que os papéis da companhia se mantêm no topo das indicações da carteira desde maio de 2020.

Mesmo com um reinado quase único, na passagem de junho para julho, a carteira compilada pelo Infomoney sofreu uma alteração. Houve a saída dos papéis da BR Distribuidora (BRDT3) e a entrada das units do BTG Pactual (BPAC11) na lista das recomendações.

A carteira compilada pelo InfoMoney é divulgada no início de cada mês e seleciona os cinco nomes mais recomendados pelas corretoras consultadas. O número de indicações pode ser maior, se houver empate.

Confira a seguir as ações mais indicadas para julho, a quantidade de recomendações e o desempenho de cada papel no ano:

EmpresaTickerNº de recomendaçõesRetorno em junhoRetorno no 1º semestreRetorno em 12 meses
ValeVALE390,60%37,99%124,82%
B3B3SA37-2,88%-15,08%-2,89%
BradescoBBDC47-2,76%4,85%40,28%
Rede D’OrRDOR34-1,58%1,51%
BTG PactualBPAC114-1,80%30,78%61,77%
Ibovespa0,46%6,54%33,40%

*Indicações compiladas das carteiras de ações de Ágora, Ativa, BB Investimentos, BTG Pactual, Elite, Genial, Guide, Órama, Santander Corretora, Singulare e XP Investimentos.
Fonte: Economatica

De olho na retomada

Com uma boa parcela da carteira recomendada formada por bancos ou instituições ligadas ao mercado de capitais, Rodrigo Wainberg, analista de investimentos da Suno Research, destaca que vê o cenário de retomada econômica como positivo para que os bancos captem mais clientes de perfis diferentes como, por exemplo, de gestão de fortunas.

Mesmo que a reforma tributária gere impacto negativo no lucro e que a Selic tenda a se elevar, para ele, a tendência de busca por aplicações financeiras mais atrativas é estrutural no setor e, portanto, não deve parar.

“Tivemos uma redução muito forte do juro real e, mesmo com a alta da Selic, ele continuaria baixo. Além disso, a inflação segue avançando e corroendo o rendimento dos investidores. Então, vejo a tendência de buscar melhores aplicações financeiras como algo irreversível. Talvez os investidores até diminuam um pouco os aportes para economizar, mas acho que não deve mudar muito”, afirma o analista.

De olho nas commodities, o especialista da Suno Research diz que a subida nos preços é bastante positiva para exportadoras de materiais metálicos, petroleiras e empresas do agronegócio. Mas ressalta que ainda há uma parcela do mercado que questiona se esse movimento de aumento expressivo nos preços seria conjuntural, com a reposição de estoques, ou se de fato seria um novo ciclo de commodities.

“De qualquer forma, eu acredito que a nossa economia já vinha de um estado bastante debilitado e fraco, então essa alta vai ajudar a estimular a indústria. Além disso, olhando no longo prazo, a demanda por algumas commodities, como o cobre, pode ser intensificada com a mudança da sociedade para o uso mais frequente de carros elétricos”, aponta o especialista.

Vale (VALE3)

Novamente com nove menções na carteira de julho, os papéis da mineradora Vale (VALE3) são os preferidos dos investidores para comprar neste mês.

Em relatório divulgado a clientes, Fernando Hadba, estrategista pessoa física do Santander, diz ter inclusive feito um leve aumento da posição da Vale na carteira do banco, de 12% para 13%, na passagem de junho para julho.

Segundo ele, a mineradora continua a manter forte balanço e sólida geração de caixa. A retomada mais forte da atividade industrial na China e a elevação dos preços do minério de ferro também devem ajudar a sustentar os preços da commodity em níveis mais altos nos próximos anos.

Hadba ainda destaca que a companhia reduziu a dívida líquida expandida de US$ 13,3 bilhões, no quarto trimestre do ano passado, para US$ 10,7 bilhões, no primeiro trimestre deste ano, e que apresentou Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) recorde para o primeiro trimestre, de US$ 8,5 bilhões.

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Para o estrategista, a diminuição da dívida líquida expandida e a manutenção do preço do minério de ferro em patamares mais elevados podem fazer com que a companhia entregue dividendos mais altos no segundo semestre deste ano.

Já entre os riscos do papel, o especialista afirma que a valorização do real frente ao dólar pode gerar um aumento de custos caixa, porque o minério de ferro é cotado em dólar.

Na visão dos analistas do BTG Pactual Carlos Sequeira, Osni Carfi, Bruno Lima e Luiz Temporini, os preços do minério de ferro acima dos US$ 200 por tonelada dão a impressão de estarem nos níveis máximos. Há, contudo, em sua visão, uma margem de segurança relevante na ação.

“Mesmo assumindo uma correção de cerca de 40% nos preços do minério de ferro em 2022 (US$ 130/t), a Vale ainda estaria negociando a três vezes o múltiplo EV/Ebitda 2022, o que consideramos excessivamente descontado”, pontuaram os analistas, em relatório.

B3 (B3SA3)

No “top 3” das indicações, empatadas com Bradesco, as ações da B3 representam um papel a ser bastante beneficiado pela demanda aquecida por novas emissões de ações e pela falta de concorrentes.

Na avaliação dos analistas da Ágora Investimentos, ainda que tenham circulado notícias sobre uma possível concorrência, os especialistas acreditam que as mudanças ficariam restritas às receitas de negociação.

Segundo os cálculos da equipe da Ágora Investimentos, caso entrasse um novo participante e ele passasse a representar 20% do mercado, a perda de receita e em termos de lucro líquido da B3 ficaria em torno de 0,7% e 1%, respectivamente

Para eles, mesmo que a competição aconteça mais no pós-negociação, o mercado já teria precificado, em grande medida, o pior cenário possível. Isso porque, segundo os analistas, os múltiplos da B3 estão próximos do valor que estavam em meados de 2019, o que não parece ser justificável.

Já na visão do estrategista de pessoa física do Santander, Fernando Hadba a B3 parece estar negociando a um valuation “razoável”, de 17,1 vezes preço/lucro para 2021, em linha com os pares globais.

Segundo ele, o bom histórico de entrega de resultados combinado com o desenvolvimento de novos produtos justifica um nível de avaliação elevado.

A visão também é partilhada pela equipe de research da XP. Com a criação de produtos cada vez mais diversificados e com uma taxa de juros baixa, dados operacionais da B3 mostram que houve aumento de 27,6% no volume financeiro médio diário (ADVT) de 27,6% apenas em maio, o que representa uma alta de pouco mais de 2% na comparação com abril.

“O número de investidores ativos seguiu crescendo 1,4% mensalmente e 50,2% anualmente, atingindo 3,8 milhões de investidores. Com isso, permanecemos otimistas com a retomada do mercado de capitais e com as taxas de juros ainda em patamares baixos”, afirmou a XP, em relatório.

Bradesco (BBDC4)

No empate com os papéis da B3, há quem acredite que as ações do Bradesco possam se beneficiar e muito de uma combinação positiva de fatores. O banco é a principal recomendação da equipe do Santander.

Na visão da casa, a instituição financeira possui a melhor execução potencial em despesas com vendas e administrativas, e ainda deve haver redução de 2% desse quesito em 2021.

O Bradesco ainda é o maior pagador de dividendos neste ano entre os grandes bancos. Com o preço-alvo para as ações em 12 meses de R$ 32, o Santander vê alta potencial de 20% em relação à cotação do dia 30 de junho.

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Entre os riscos, o Santander assinala que o banco possui maior exposição aos impactos da pandemia de Covid-19 do que seus pares do setor financeiro, especialmente por ter a Bradesco Saúde.

Na mesma linha, os analistas da Singulare apontam que o banco está “bem preparado para se beneficiar da recuperação da economia local”. Para eles, o capital do banco está saudável e a inadimplência e a cobertura de juros estão em níveis adequados.

Segundo os analistas da corretora, o retorno sobre o patrimônio (ROE), que é bastante utilizado para medir a saúde financeira dos bancos, no segmento de crédito está elevado. “Com volumes de crédito começando a exibir melhoras, entendemos que o banco pode retomar um ROE de 20% nos próximos 12 a18 meses”, pontuam.

No primeiro trimestre deste ano, o ROE do Bradesco ficou em 18,1%, o que representou um aumento de quase sete pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano passado. Na comparação com os balanços dos demais bancos, apenas o Santander registrou ROE acima de 20% nos três primeiros meses de 2021.

Rede D’Or (RDOR3)

Na passagem de junho para julho, as ações da Rede D’Or ganharam mais espaço no compilado das carteiras recomendadas feito pelo Infomoney. Neste mês, os papéis ocuparam o lugar das ações da BR Distribuidora (BRDT3), que saíram da lista das “top 5” mais recomendadas.

Os papéis foram recém-adicionados à carteira de Ações do BTG Pactual, em meio ao seu “momentum” na área da saúde.

Em relatório, os analistas do BTG pontuaram que o momento é bastante propício para que a companhia faça novas fusões e aquisições, especialmente no curto prazo. A empresa fez recentemente uma captação de recursos por meio de uma oferta subsequente de ações (follow-on) em que captou R$ 4,9 bilhões de reais, sendo que R$ 1,7 bilhão de reais destinados a empresa e o restante aos acionistas vendedores.

A visão também é compartilhada pela equipe da XP que afirma que a companhia deve ter um forte impulso de ganhos, com indicadores operacionais financeiros positivos e que deve permanecer bastante ativa na frente de fusões e aquisições.

BTG Pactual (BPAC11)

Em quinto lugar, a preferência dos analistas está nas units do BTG Pactual. Segundo Luis Sales, analista da Guide, o banco reforçou seu balanço no início da crise, e o caixa ao levantar quase R$ 3 bilhões em uma oferta subsequente (follow-on) de ações neste ano.

Para Sales, a instituição continua apresentando bons resultados e níveis confortáveis de liquidez com espaço inorgânico. “Há ainda expectativa que um terceiro follow-on possa ser realizado em breve para manter o ritmo de crescimento”, pontua o analista.

O especialista da Guide ressalta que o cenário também se mostra favorável para novas realizações de ofertas públicas, o que poderia impulsionar ainda mais o segmento de investment banking.

Na mesma linha, os analistas da Órama acrescentam que o banco vem entregando crescimento notável das operações, em especial nos serviços mais voltados para gestão de fortunas, o que ajuda a gerar mais receita e sinergia a empresa.

“O banco vem se consolidando como uma plataforma completa de serviços financeiros, que atende desde a pessoa física até os clientes mais sofisticados. Assim, enxergamos com bons olhos o aumento nas taxas de juros, que resulta em maiores spreads cobrados nas operações de intermediação e gera uma ampla gama de possibilidades de estruturação e prestação de serviços”, afirmam os analistas.

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