As ações mais recomendadas pelos analistas para comprar em dezembro; PETR4 e WEGE3 entram e VALE3 lidera

Petrobras (PETR4) e Weg (WEGE3) figuram entre as novidades, ao passo que Renner e Totvs deixam a relação

Márcio Anaya

Ações mais citadas nas carteiras recomendadas para dezembro de 2022
Ações mais citadas nas carteiras recomendadas para dezembro de 2022

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Após quatro meses consecutivos de ganhos, o Ibovespa fechou novembro no vermelho. O indicador recuou 3%, para 112.486 pontos, com fortes preocupações no campo fiscal, em paralelo a mudanças relevantes na curva de juros, o que motivou uma revisão nos preços dos ativos. Com o desempenho negativo no mês passado, a valorização acumulada no ano do principal índice da Bolsa caiu para 7,3%.

Na próxima semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) define os rumos da taxa básica de juros do País (Selic), atualmente em 13,75% ao ano. Com muitas incógnitas no radar, relacionadas principalmente à composição do novo governo e turbulências no exterior, os analistas promoveram diversas alterações nas carteiras de ações recomendadas para dezembro.

No ranking geral, a principal mudança é a volta de (VALE3) para o primeiro lugar no pódio, de forma isolada e em grande estilo: presente em todos os nove portfólios monitorados pelo InfoMoney neste mês. Com isso, a mineradora iguala a melhor marca obtida até então neste ano, em abril, quando também recebeu nove indicações. Só perde para março, quando cravou dez recomendações.

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O segundo lugar entre os destaques do mês é ocupado pelo Itaú Unibanco (ITUB4), que em novembro despontou como líder isolado. A instituição financeira se mantém com oito apontamentos. Na sequência aparece o Assaí (ASAI3), com cinco indicações.

A partir daí, surgem quatro papéis empatados com quatro recomendações por parte das corretoras: B3 (B3SA3), Prio (PRIO3), Petrobras (PETR4) e Weg (WEGE3) – sendo que os dois últimos são novidades em dezembro, ocupando os lugares de Renner (LREN3) e Totvs (TOTS3), substituídos por algumas corretoras deixando a lista principal.

Em termos de conjuntura, o BTG Pactual lembra que a percepção de maior risco fiscal e menor visibilidade se refletiram imediatamente nas taxas de juros reais de longo prazo. “Enquanto as taxas de longo prazo parecem altas e o Ibovespa barato, a aprovação pelo Congresso de gastos adicionais no tamanho e formato propostos pelo novo governo pode estressar ainda mais os mercados, fazendo com que as taxas subam e o Ibovespa passe por outra correção”.

Todos os meses, o InfoMoney analisa as carteiras recomendadas por dez corretoras, apontando as cinco companhias mais citadas pelos analistas. Em dezembro, excepcionalmente, foram consideras nove casas de análise, pois a Elite Investimentos deixou de produzir relatórios. O número de ações em destaque no levantamento mensal pode ser maior, caso haja empate – como ocorreu agora.

Confira a seguir as sete ações mais indicadas para dezembro, a quantidade de recomendações e os desempenhos de cada papel no acumulado de novembro, em 2022 e em 12 meses:

Empresa Ticker Nº de recomendações  Retorno em novembro (%) Retorno em 2022 (%)  Retorno em 12 meses (%)
Vale VALE3 9 27,68 20,09 33,84
Itaú Unibanco ITUB4 8 -14,42 26,56 18,56
Assaí ASAI3 5 1,16 55,96 58,53
B3 B3SA3 4 -15,36 18,3 20,13
Petrobras PN PETR4 4 2,22 60,21 73,98
Prio PRIO3 4 1,86 74,41 77,67
Weg WEGE3 4 -3,18 20,19 23,1
Ibovespa -3,06  7,31 10,37

Fontes: Ágora, Ativa, BB Investimentos, BTG Pactual, Genial, Guide, Órama, Santander Corretora, XP Investimentos e Economatica

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Veja agora os destaques de cada uma das empresas selecionadas para mês, segundo relatórios divulgados pelas corretoras.

Vale (VALE3)

Com duas estreias em carteiras recomendadas para dezembro – do BTG Pactual e da Genial – a companhia voltou à liderança isolada na preferência dos analistas. No total, foi escolhida por nove instituições.

“A empresa continua sendo um dos nossos nomes preferidos para exposição à reabertura da economia chinesa”, explica o BTG em relatório mensal, citando também a decisão de aumentar o peso do dólar no portfólio selecionado.

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“Em nossa opinião, a administração permanece altamente disciplinada em sua estratégia de alocação de capital (pouco capex de crescimento), e esperamos que a maior parte da agenda estratégica de médio prazo seja voltada ao retorno de caixa dos acionistas”, diz o documento. O banco projeta um retorno entre 10% e 11% para as ações da Vale em 2023, incluindo recompras.

Segundo a instituição, o momento operacional da empresa deve seguir se recuperando, à medida que a produção e os custos (tanto para suas divisões de minério de ferro e metais básicos) devem melhorar nos próximos trimestres.

O BTG diz ainda ter gostado da entrada de um acionista de referência (Cosan) no conselho da Vale e vê uma possível monetização da divisão de metais básicos do grupo como um potencial gerador de valor para os investidores de longo prazo.

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Itaú Unibanco (ITUB4)

O banco manteve as oito indicações recebidas no mês passado e figura na segunda posição do ranking geral.

Em relatório, a Santander Corretora afirma ter reduzido recentemente o preço-alvo estimado para as ações preferenciais do Itaú, com horizonte em 2023. O valor recuou de R$ 32 para R$ 31, o que ainda sugere um retorno potencial de aproximadamente 20%, conforme cálculos da instituição.

“Acreditamos que o ROE [retorno sobre o patrimônio líquido] de 20% do Itaú ainda deve se manter sustentável para 2022 e 2023, dado o mix de produtos atual e taxas de juros mais altas”, diz o Santander. Após 2023, uma normalização das taxas de juros pode ser positiva para os clientes e, portanto, para a lucratividade no longo prazo, segundo avaliação do próprio Itaú.

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Assaí (ASAI3)

A empresa ocupa o terceiro lugar em dezembro, com cinco escolhas por parte de analistas.

Na opinião da Guide, a companhia possui forte geração de caixa, sendo um destaque de crescimento no setor, com uma estratégia e execução bem definidas para a expansão. Além disso, destaca a vasta experiência da administração da empresa no segmento de varejo alimentar.

Em sua análise, a corretora comenta que o Assaí divulgou métricas bastante saudáveis no balanço do terceiro trimestre, com uma expansão de 30% no faturamento, em base anual, e de 9% pelo critério “mesmas lojas” (unidades existentes há pelo menos um ano).

“A despeito das ligeiras quedas de margem (tanto margem bruta quando margem Ebitda tiveram recuos de 1,5 p.p. e 1,7 p.p. [pontos percentuais], respectivamente), a companhia ainda conseguiu manter seu crescimento bastante robusto e ainda revisou os seu guidance [estimativa] de conversão de lojas para cima, sendo agora 45 conversões (que antes eram 40) no ano”.

Petrobras (PETR4)

A gigante estatal é uma das novidades entre as ações mais citadas no mês, com quatro referências, incluindo a estreia na carteira elaborada pela BB Investimentos.

De acordo com a corretora, a companhia segue apresentando bons resultados operacionais e financeiros, em razão da conjuntura de preços elevados do petróleo, redução de custos operacionais e alavancagem menor.

Pelas contas da instituição, os múltiplos da empresa estão descontados em comparação aos pares: o EV/Ebitda projetado para este ano está em 2,2 vezes, ante 3,3 vezes dos concorrentes, enquanto o preço/lucro se situa em 2,2 vezes, frente a 5,2 vezes dos competidores.

“Entendemos que tal patamar de desconto reflete certa cautela por parte dos investidores devido às mudanças esperadas após troca de governo, com possíveis alterações na política de preços da companhia e, principalmente, na estratégia de alocação de capital, com um provável aumento em investimentos em energia renovável (que vemos de modo positivo) e no refino (que levanta maior nível de cautela)”.

Apesar das ponderações, a corretora acredita que o custo benefício segue favorável para a entrada no papel, sobretudo em função de alguns fatores positivos: operacional robusto, com 15 novos sistemas já contratados para entrada em operação nos próximos anos; manutenção de preços de petróleo em patamar que garante elevada geração de caixa; boas perspectivas de dividendos; e múltiplos em níveis bastante atrativos.

Nesta quarta-feira (30), a Petrobras divulgou seu Plano Estratégico para 2023-2027. A empresa estima investir US$ 78 bilhões no período, volume 15% maior no comparativo com o planejamento anterior.

Weg (WEGE3)

Outro ingresso na lista de destaques fica por conta da Weg, também com quatro recomendações para dezembro.

Assim como Petrobras, a companhia aparece entre as novidades selecionadas pela BB Investimentos para o período. “Os fundamentos [da Weg] permanecem consistentes, com posicionamento e protagonismo na transição energética/descarbonização da indústria mundial, além da diversificação de portfólio de produtos e geográfica, com plantas industriais ao redor do globo”.

Segundo a corretora, a companhia apresenta importantes diferenciais de mercado, que vão desde a verticalização da capacidade produtiva, que confere maior flexibilidade e estrutura de custo competitiva, até a chamada “expansão modular”. Tal característica reduz a ociosidade do potencial produtivo, maximiza o retorno sobre o capital e diminui os riscos de demanda.

“A Weg segue consistente com seu planejamento de crescimento por meio de suas operações e novos investimentos nas fábricas do Brasil, México, Índia, China e EUA, e no 3T22 [terceiro trimestre] criou uma joint venture para produzir e vender motores elétricos, com foco nos mercados da Argélia e norte da África”, diz o relatório.

B3 (B3SA3)

Os papéis da Bolsa também registraram quatro apontamentos neste mês e permanecem entre as principais escolhas dos especialistas.

“Apesar do fraco desempenho ao longo do mês de novembro, continuamos acreditando que a B3 deve ser um dos principais players a se beneficiar de uma possível recuperação da atividade no mercado de capitais, com os investidores dispostos a aumentar a alocação para investimentos mais arriscados em um cenário pós-eleitoral”, afirma a Ágora Investimentos.

A instituição pondera que tal cenário ainda parece bastante dependente de avanços nas condições de mercado/econômicas nos próximos meses, razão pela qual considera o papel uma escolha “tática”.

Após o resultado das eleições, diz a corretora, os volumes negociados diariamente na B3 aumentaram de forma expressiva, o que naturalmente será positivo para a companhia em termos de geração de receita neste quarto trimestre.

Prio (PRIO3)

Maior empresa independente de óleo e gás natural do País, a Prio fecha a relação de destaques do mês, também empatada com quatro recomendações.

Entre as casas de análise que mantiveram o papel no portfólio para dezembro está a Genial Investimentos, que reiterou a recomendação de compra após o balanço do terceiro trimestre.

Apesar de ter ficado em linha com as expectativas do mercado, o resultado do período foi considerado “muito positivo” pela instituição, sob o ponto de vista de execução do plano de negócios e sinalização estratégica. A Prio reportou lucro líquido de US$ 153,7 milhões entre julho e setembro, com alta expressiva em relação a igual período de 2021, equivalente a 542%.

Para além dos números, a Genial acredita que a empresa pode se beneficiar de uma leitura de mercado sobre o risco político de Petrobras, considerado mais alto após o resultado da eleição para a presidência da República.

Na opinião da corretora, “faz muito sentido” que parte do fluxo migre para um case privado e sem os riscos relacionados à Petrobras, o que deve colocar a Prio nos holofotes para investidores internacionais.

Márcio Anaya

Jornalista colaborador do InfoMoney