Aposentadoria de R$ 10 mil por mês ficou R$ 538 mil mais barata; entenda

Régua da aposentadoria se move com a taxa do Tesouro IPCA+; veja simulação da Alude Capital

Leonardo Guimarães

(Arte: Leonardo Albertino/InfoMoney)
(Arte: Leonardo Albertino/InfoMoney)

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Com juros reais acima de 7%, o Tesouro IPCA+ é uma opção atrativa para investidores que planejam a aposentadoria com títulos públicos. Quem investe hoje nos títulos públicos de inflação pode economizar mais de meio milhão de reais na comparação com quem investiu para se aposentar em 2024, quando as NTN-Bs ainda pagava juro real de cerca de 5,5% ao ano. 

João Debom, sócio da Alude Capital, calculou quanto capital um investidor precisa acumular para viver com uma renda de R$ 10 mil por mês bancada apenas pelo juro real de um título atrelado à inflação. Com uma taxa real de 7,30% ao ano, a conta fecha em R$ 1.643.836. No cenário em que o Tesouro IPCA+ entregava 5,5% – patamar que vigorou por boa parte da década passada –, o mesmo objetivo exigia R$ 2.181.818.

A diferença é de R$ 537.982. É o quanto o alvo encolheu sem que o investidor tenha mudado nada no plano, mantendo a mesma renda desejada. O que mudou foi a taxa na tela. “Com o juro real batendo a máxima do ano, quem está acumulando hoje precisa de bem menos patrimônio para chegar ao mesmo objetivo de renda do que quem planejou a aposentadoria há alguns anos, quando o Tesouro IPCA+ pagava menos”, diz Debom. 

Se as taxas dos títulos longos abrirem para IPCA+ 8% ao ano, os investidores estarão ainda melhor posicionados. Nesse cenário, o capital necessário cai para exatos R$ 1,5 milhão – R$ 681.818 a menos do que no cenário de 5,5%, uma redução de 31,2%, e R$ 143.836 abaixo do que a taxa de 7,30% exige.

Capital necessário por cenário
Taxa real (IPCA+)Capital necessário
7,30% a.a.R$ 1.643.836
8,00% a.a.R$ 1.500.000
5,50% a.a.R$ 2.181.818
Fonte: João Debom, sócio da Alude Capital

O cálculo usa o modelo de perpetuidade, a mesma lógica adotada por fundos que precisam gerar renda de forma indefinida sem esgotar o patrimônio. O investidor aplica o capital, consome apenas o juro real gerado por ele e nunca resgata o principal, que segue corrigido pelo IPCA e preserva o poder de compra ao longo do tempo.

Para chegar ao resultado final, Debom dividiu a renda anual desejada – R$ 120 mil, no caso – pela taxa real do título. Variações pequenas nas taxas causam grandes mudanças no capital necessário para obter a renda desejada. Confira:

Taxa realCapital necessário
7,1% a.a.R$ 1.690.141
7,3% a.a.R$ 1.643.836
7,5% a.a.R$ 1.600.000
7,7% a.a.R$ 1.558.442
8,0% a.a.R$ 1.500.000

Entre 7,1% e 8,0% – intervalo em que os títulos longos oscilaram nos últimos meses – a diferença de capital necessário chega a R$ 190 mil. Para quem está montando um plano de aposentadoria, isso significa que a meta de patrimônio se move junto com o mercado, e não é um número fixo definido no início da jornada.

É importante ponderar que o prêmio elevado que torna a aposentadoria mais barata na conta de hoje é o mesmo que reflete a percepção de risco fiscal do país e que, no meio do caminho, produz volatilidade relevante nos títulos longos por conta da marcação a mercado.