Adaptação do mercado

Apex, Kinea, Legacy, Occam e XP reabrem captações de fundos em meio à pandemia

Queda dos preços dos ativos tem liberado espaço para novos cotistas em fundos que estavam fechados para captação

(Yozayo/Getty Images)

SÃO PAULO – Com a forte queda do mercado de ações diante da pandemia de coronavírus, gestoras que há algum tempo estavam com seus fundos de investimento fechados para captação voltaram a abrir as portas para aportes de atuais cotistas e novos investidores. É o caso de assets como Apex, Kinea (gestora pertencente ao Itaú), Legacy, Occam Brasil e XP Investimentos.

O movimento tem sido adotado por diversas casas desde o início da crise e já abrangeu gestoras como Dynamo, Atmos, Bogari, Brasil Capital, Oceana e Sharp, em março.

Na quarta-feira (8), o Kinea Chronos FIM reabriu para novos aportes. O multimercado, criado em 2015, tem patrimônio líquido superior a R$ 9,3 bilhões e mais de 100 mil cotistas – um dos maiores do mercado –, e estava fechado desde janeiro.

Destinado ao público geral, o fundo possui um valor mínimo de investimento que pode variar de acordo com a distribuidora. Na XP, por exemplo, a aplicação exigida é de R$ 5 mil. A expectativa, segundo Carolina Carvalho, responsável pelo relacionamento com distribuidores da Kinea, é de uma captação em torno de R$ 500 milhões.

Carolina conta que a reabertura do fundo já estava planejada para abril e que o movimento costuma atrair tanto novos investidores como quem já é cotista. O cenário, atual, contudo, adiciona uma dúvida sobre como será a reação dos investidores.

“Ao longo do ano passado, investidores aumentaram a alocação em risco, então vimos um aumento no número de CPFs nos fundos multimercado. Em janeiro deste ano, não foi diferente. Como vai ser agora, neste cenário, é um bom ponto; vamos ver como o mercado se comporta.”

A XP também reabriu a captação dos fundos de ações XP Dividendos 30 e XP Investor 30, que estavam fechados desde abril de 2019 e exigem aplicação mínima de R$ 10 mil. E houve ainda o lançamento do fundo XP Long Biased III, que replica a estratégia do fundo master de mesmo nome, indisponível para novas aplicações desde maio de 2018.

Simplificação da estratégia

Na Legacy Capital, o multimercado Legacy Capital FIC FIM foi reaberto para novas aplicações na semana passada, com investimento mínimo de R$ 10 mil. O fundo estava fechado desde janeiro.

“Percebemos que, apesar da crise e dos resgates da indústria, havia uma demanda para comprar os nossos produtos, então estamos tentando seguir com o projeto de crescimento”, disse José Eduardo Araújo, diretor-executivo e sócio da Legacy, ao InfoMoney.

Em um ambiente de forte volatilidade, a escolha dos gestores da Legacy em março foi por simplificar as estratégias e privilegiar a liquidez. Em renda fixa, as posições do fundo estão concentradas nas estratégias de Brasil, em juros curtos nominais, e no México.

Em Bolsa, a preferência é pelo mercado americano que deve, segundo Araújo, se recuperar mais rapidamente que os emergentes quando a “poeira baixar”. “Estamos comprando devagar”, afirma.

Além disso, a casa tem aumentado a posição em ouro: “Achamos que é um ativo interessante para se ter na carteira. Com as economias piorando o lado fiscal, o ouro tende a se valorizar”.

Em busca de R$ 100 milhões

A Occam também decidiu reabrir o multimercado Retorno Absoluto na segunda-feira (6). Com aplicação mínima de R$ 10 mil e voltado para o público geral, o fundo estava fechado desde novembro. A expectativa é de que o período de captações dure 30 dias, ou quando o novo montante atingir R$ 100 milhões.

Com relação às mudanças do portfólio no cenário atual, o sócio da Occam Brasil Carlos Eduardo Rocha, mais conhecido como Duda, conta que a casa tem ido às compras. “Estamos comprando quase todo dia. No mercado americano, ações focadas em tecnologia, e no mercado local, em tecnologia, exportadoras, utilities e do setor de saúde. Seguimos aplicados nos juros de curto prazo no Brasil e sem posições relevantes no câmbio”, diz.

A baixa no preço dos ativos também gerou espaço nos portfólios da Apex Capital, que reabriu nesta quinta-feira (9) os fundos Long Biased FIC FIM e Infinity 8 Long Biased FIC FIA.

Ambos estavam fechados desde o início do ano passado e são regidos pela mesma estratégia, com aplicação mínima de R$ 1 mil, mas com público-alvo distinto – o primeiro é para investidores em geral e o segundo, restrito a qualificados.

“Optamos por reabrir as estratégias long biased porque o nível de incerteza ainda é muito elevado e esses fundos têm a liberdade de ficarem vendidos caso o mercado tenha novas quedas”, explica Diney Vargas, sócio da gestora.

Vencedores e perdedores em aberto

Segundo ele, apenas daqui a algumas semanas será possível começar a identificar vencedores e perdedores da crise, quando posições devem ser feitas tanto na ponta comprada (aposta na alta) quanto na vendida (aposta na queda) dos fundos.

Dado o nível de incerteza no curto prazo, sendo difícil mensurar a intensidade de uma eventual recuperação, a Apex ainda não estabeleceu qual limite de recursos os fundos suportarão enquanto estiverem abertos.

O Long Biased FIC FIM tem patrimônio líquido aproximado de R$ 150 milhões e o Infinity 8, de R$ 700 milhões. “Acreditamos que, ao fazer o investimento hoje, a chance de ganhar em um horizonte de dois a três anos é bastante alta”, afirma Vargas, em referência ao desempenho esperado da Bolsa. “Estamos dando uma oportunidade para investidores com opinião semelhante à nossa e que já queriam investir nos nossos fundos, mas não podiam por estarem fechados.”

Na Bahia Asset, os fundos Bahia AM Maraú Advisory FIC de FIM e Bahia AM Long Biased II Advisory FIC FIM também estão disponíveis para investimento, mas na plataforma da XP. O investimento mínimo para ambos os fundos é de R$ 20 mil.

Como se tornar um trader consistente? Aprenda em um curso gratuito os set-ups do Giba, analista técnico da XP, para operar na Bolsa de Valores!