Retornos ajudam crédito e indústria de fundos tem 2º melhor semestre em 5 anos

No acumulado do ano até junho, fundos de renda fixa baixa crédito livre foram os que tiveram maior destaque em termos de desempenho, ao avançar 6,06%

Bruna Furlani

Moedas de 1 real (Foto: Bruno Domingos/Reuters)
Moedas de 1 real (Foto: Bruno Domingos/Reuters)

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A indústria de fundos brasileira mostrou recuperação no primeiro semestre deste ano e captou R$ 159,0 bilhões líquidos (depósitos menos saídas), bem mais que os R$ 124,1 bilhões em saídas líquidas no mesmo período do ano passado, no melhor resultado para a janela nos últimos cinco anos. Entre os motivos, a Selic ainda alta, mas também os retornos de algumas subclasses, que ajudaram a atrair investidores.

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Destaque para os fundos de renda fixa baixa crédito livre, que avançaram 6,06% no período, contra 5,22% do CDI, seguidos pelos fundos de renda fixa média grau de investimento, com 5,51% de retorno. Não coincidentemente, a subclasse de fundos de renda fixa com crédito na carteira atraiu próximo de 40% de toda a captação líquida dos fundos de renda fixa no período (R$ 77,5 bilhões de R$ 192,5 bilhões), segundo dados divulgados nesta sexta-feira (5) pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima).

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Em entrevista a jornalistas, Pedro Rudge, diretor da Anbima, reconheceu que há uma recuperação nas captações, mas ponderou que ela vem de uma “base muito deprimida” e que os dois últimos anos foram de mais saídas do que entradas nos fundos.

O resultado do último semestre foi também ajudado por mudanças promovidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que restringiu algumas emissões, como de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e do Agronegócio (CRAs), e alongaram carências de Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e do Agronegócio (LCAs).

Ano da renda fixa

Outro indício do maior interesse do investidor por fundos de renda fixa apareceu também em uma pesquisa da XP realizada com assessores de investimento. No levantamento de junho, menções a esses produtos ultrapassaram a de fundos imobiliários (FIIs), que perdeu a segunda colocação — a primeira é da renda fixa.

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O movimento rumo a fundos de renda fixa, com destaque para crédito de gestoras ligadas a bancos, fez algumas casas até mesmo fecharem alguns produtos para captação em maio, caso de Santander Asset, Itaú Asset e Sparta.

Sangria em multimercados e ações permanece

Os fundos de ações apresentaram resgates líquidos de R$ 111,4 milhões no primeiro semestre. Situação parecida vista nos multimercados, que seguem impactados pela forte sangria, com saídas líquidas de R$ 81,0 bilhões entre janeiro e junho.

Já os fundos de previdência ficaram no positivo, com captações líquidas de R$ 16,9 bilhões no período, ante saídas líquidas de R$ 3,1 bilhões no ano passado.