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A incursão dos EUA sobre a Venezuela, com a captura de Nicolás Maduro, recolocou no centro do debate o risco de contágio político na América Latina, ao explicitar uma disposição inédita de Washington em intervir diretamente na região.
Na avaliação de Artur Wichmann, CIO da XP, esse risco existe, mas depende da forma como os governos latino-americanos irão se posicionar diante do novo padrão de atuação americana.
“Os Estados Unidos já deixaram claro que não toleram discordâncias em relação à sua política externa”, afirmou.
Segundo Wichmann, episódios recentes mostram que a resposta americana a movimentos de confronto tende a ser rápida e econômica, sobretudo por meio de tarifas e restrições comerciais.
“O contágio existe, mas precisa de um gatilho: alguém cometer o erro de antagonizar os EUA”, disse, ao destacar que a escalada de tensões não ocorre de forma automática.
As declarações de Wichmann ocorreram em live especial do InfoMoney, que debateu os riscos, cenários e impactos do evento nos investimentos, junto com Fernando Ferreira, estrategista-chefe da XP.
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Nesse contexto, a América Latina passa a operar em um ambiente mais sensível, no qual decisões diplomáticas podem ter efeitos diretos sobre fluxos de capital e percepção de risco.
A leitura é de que países que adotarem uma postura mais pragmática tendem a sofrer menos impactos, enquanto discursos de enfrentamento podem elevar a volatilidade regional.
Apesar do risco latente, os especialistas avaliam que os efeitos econômicos imediatos ainda são limitados.
A consolidação de uma postura mais intervencionista por parte dos Estados Unidos, no entanto, aumenta a incerteza sobre o médio prazo e exige maior cautela por parte de investidores expostos à região.

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China aposta em dinheiro e infraestrutura para ganhar espaço na região
Enquanto os Estados Unidos reforçam a pressão política, a China segue avançando na América Latina por um caminho distinto.
Segundo Wichmann, Pequim tem evitado qualquer tipo de atuação militar direta e aposta na expansão de sua influência econômica.
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“A China não atua com soldados, mas com dinheiro e infraestrutura”, afirmou.
A estratégia chinesa tem se concentrado em investimentos estruturais, como portos, ferrovias, energia e logística, ampliando sua presença em setores considerados estratégicos.
Para ele, esse movimento garante ao país asiático uma posição relevante no jogo geopolítico regional.
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“Essa presença garante à China um lugar à mesa de negociação, porque ela passa a ser dona de ativos relevantes”, disse.
Essa disputa silenciosa por influência econômica cria um novo equilíbrio de forças na América Latina, colocando os países da região entre duas abordagens distintas: de um lado, a pressão política e comercial americana; de outro, o capital chinês voltado à infraestrutura e ao financiamento de longo prazo.

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No balanço final, os especialistas avaliam que os impactos econômicos mais profundos dessa disputa ainda dependem dos próximos passos das grandes potências.
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O comportamento dos governos latino-americanos, a disposição dos Estados Unidos em endurecer sua postura e a continuidade da estratégia chinesa de investimentos serão determinantes para definir como a região será afetada — tanto no fluxo de capitais quanto na percepção de risco global.