Balanço de ETFs

As 10 maiores altas e baixas de ETFs em fevereiro; fundos de índices de ações de valor, ouro, commodities e renda fixa lideram

Apenas 15 ETFs conseguiram fechar o mês no azul diante do cenário adverso dos mercados

Por  Katherine Rivas -

O comportamento dos ETFs (fundo de índices) em fevereiro traduziu as principais influências que afetaram os mercados financeiros. Com as tensões entre Rússia e Ucrânia e a procura dos investidores por ativos seguros, ouro, ativos de valor, commodities e renda fixa foram algumas das teses vencedoras.

A Selic subindo para o patamar de 10,75% ao ano, logo nas primeiras semanas do mês, trouxe à tona os ETFs de renda fixa, que atraíram o olhar dos investidores. O forte fluxo de investidores estrangeiros também acabou fortalecendo ETFs que replicam o Ibovespa, que em janeiro também lideravam entre as principais altas do mês.

Foram apenas 15 ETFs que conseguiram fechar o mês no azul diante de um cenário adverso.

Na contramão, os segmentos que mais sofreram foram os de tecnologia e internacional, refletindo um fluxo de migração dos investidores para ativos de valor e mercados emergentes.

No balanço de ETFs de fevereiro, o InfoMoney apresenta os fundos de índice com melhor desempenho e os que mais desvalorizaram, segundo levantamento exclusivo feito pela Economatica.

Os dez ETFs da B3 com melhor desempenho em fevereiro:

ETFRetorno em fevereiro 
BBSD112,03%
GOLD111,96%
PIBB111,84%
BRAX111,37%
CMDB111,35%
BOVV111,07%
BOVX110,89%
XBOV110,87%
B5P2110,87%
BOVA110,85%

Fonte: Economatica 

BBSD11: o melhor ETF de fevereiro

O ETF com o melhor desempenho neste mês foi o BB ETF S&P Dividendos Brasil (BBSD11), que valorizou 2,3% em fevereiro. Em 2022, o ETF acumula um retorno de 7,44%.

O ETF acompanha o índice S&P Dividendos Brasil – que mede o desempenho dos 30 maiores ativos pagadores de dividendos. A taxa de administração é de 0,50% ao ano.

Bruno Komura, analista da Ouro Preto Investimentos, explica que empresas que pagam muitos dividendos são consolidadas e com alto grau de estabilidade – uma das principais características das empresas de valor. “Ativos de valor se beneficiaram com a rotação de carteiras, com investidores deixando empresas de crescimento para investir em ações de valor”, explica.

Essa rotação acabou puxando a alta do BBSD11 em fevereiro. Outro fator segundo Komura foi o fluxo de investidores estrangeiros que favoreceu ações pagadoras de dividendos pela liquidez elevada.

GOLD11: o ouro voltou a brilhar

O segundo ETF com o melhor desempenho neste mês foi o Trend ETF LBMA Ouro (GOLD11) – que permite ao investidor uma exposição direta ao ouro. O fundo de índice replica a performance do ETF iShares Gold Trust (IAU), que por sua vez acompanha o índice LBMA Gold Price, referência mundial para o preço do metal.

O ETF GOLD11 possui uma taxa de administração de 0,30%.

Komura aponta duas forças contrárias que impactaram na alta do ETF GOLD11. O ETF valorizou 1,96% em fevereiro. No ano, ele tem um retorno negativo de 4,24%.

Ele explica que para fevereiro o movimento mais natural e esperado era a queda do ouro, por causa da sinalização de aumento dos juros americanos. “Com o juro nominal subindo acima da inflação, ocorreria um aumento do juro real”, explica.

Segundo Komura, isso provocaria o aumento de rentabilidade na renda fixa norte-americana e acabaria atraindo um bom fluxo de investidores. Um dos efeitos deste movimento seria o dólar ganhando força, em consequência os investidores teriam que reduzir a sua posição no ouro.

Contudo, longe disso acontecer o metal valorizou nas últimas semanas puxado pelas tensões entre Rússia e Ucrânia e o sentimento de aversão ao risco.

Com o aumento de incertezas em relação a economia global, os investidores decidiram buscar ativos mais seguros como os metais preciosos, entre estes ouro e prata.

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PIBB11 ainda lidera

Na terceira posição se encontra um velho conhecido, que também esteve presente entre os melhores desempenhos de janeiro: o It Now PIBB IBrX-50 Fundo de Índice (PIBB11), que replica o Índice Brasil 50 (IBrX50).

O ETF PIBB11 teve um retorno de 1,84% em fevereiro. No acumulado de 2022, ele já saltou 9,65%.

O índice IBrX50 reúne as 50 ações mais negociadas da bolsa brasileira e apresenta uma composição muito semelhante ao índice Ibovespa.

Olhando para a cesta de ativos do ETF PIBB11, os principais componentes são Vale (VALE3), Petrobras (PETR4), Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4).

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Renda fixa volta a aparecer

Em fevereiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou a taxa básica de juros para 10,75% ao ano. Já a inflação nos últimos 12 meses chegou a 10,39%.

Komura explica que na curva de juros é perceptível um movimento próximo ao pico de alta – que deve perdurar até o começo de 2023. Fatores como o cenário fiscal acabaram impactando diretamente o mercado gerando volatilidade, com discussões em torno a PEC dos combustíveis e reajuste salarial de servidores públicos – que acabaram não se concretizando ou sofrendo ajustes.

“Ativos de renda fixa indexados à inflação e títulos prefixados apresentaram uma rentabilidade positiva por causa do movimento da curva de juros”, avalia o analista da Ouro Preto Investimentos.

Este cenário puxou um ETF de renda fixa: o IT NOW B5P2 (B5P211), que replica a carteira do índice IMA-B 5 P2 da Anbima.

Na sua cesta de ativos, o ETF reúne títulos públicos indexados ao IPCA com vencimento de até cinco anos. O B5P211 valorizou 0,87% em fevereiro. No ano, o ETF avança 1,88%. Sua taxa de administração é de 0,2% ao ano.

Os piores ETFs de fevereiro

ETFRetorno em fevereiro
TECK11-10,11%
GENB11-9,23%
XINA11-8,72%
TRIG11-7,91%
BTEK11-7,84%
MILL11-7,80%
NASD11-7,45%
SHOT11-7,35%
USTK11-7,10%
TECB11-6,96%

Fonte: Economatica 

Entre os piores desempenhos de fevereiro entre os ETFs se destacam dois segmentos: tecnologia e internacional.

O It Now NYSE FANG+™ Fundo de Índice (TECK11) teve o pior desempenho do mês, com queda de 10,11%.

O ETF replica o índice NYSE FANG+™. A cesta de ativos reúne ações estrangeiras do segmento de tecnologia e também as famosas FAANG (Facebook, Amazon, Apple, Netflix e Google).

A taxa de administração é de 0,25% ao ano.

Segundo Dionatan Silva, analista de investimentos da Warren, o setor de tecnologia foi muito afetado desde o começo de fevereiro quando foram divulgados os resultados do Meta (ex-Facebook) com a ação chegando a cair mais de 25% no intraday.

O analista explica que com a sinalização do Federal Reserve (banco central dos EUA) de um aumento de juros nos próximos meses, o fluxo de investidores acaba migrando das empresas de tecnologia para ativos de valor mais descontados. Este movimento de rotação também acaba penalizando ETFs do segmento de tecnologia.

Silva também ressalta que as principais quedas que aconteceram nos ETFs em fevereiro foram com ativos mais expostos ao dólar. “Isso fez que o ETF sofresse duas vezes, com a queda dos ativos e do câmbio”, avalia.

No ano de 2022, o TECK11 acumula queda de 23,66%.

Ainda entre os piores desempenhos estava outro ETF de tecnologia, o BTG Pactual S&P/B3 Ingenius Fundo de Índice (GENB11) que caiu 9,23%. No ano, o GENB11 tem baixa de 22,46%.

O GENB11 espelha o índice S&P/B3 Ingenius, que busca medir o desempenho de ações internacionais com forte crescimento e que são consideradas empresas inovadoras.

A taxa de administração do GENB11 é de 0,25% ao ano.

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ETFs internacionais também perdem

Ainda entre as maiores quedas do mês estavam os ETFs XINA11 (XINA11) e (NASD11), que caíram 8,72% e 7,45% em fevereiro, respectivamente.

O Trend China tem como referência o índice MSCI China – que reúne empresas chinesas de grande e médio porte. Enquanto o Trend ETF Nasdaq 100 Index Investment Fund replica o desempenho do índice Nasdaq-100, com as 100 maiores empresas não financeiras listadas na bolsa americana de Nasdaq.

Ambos os ETFs possuem uma taxa de administração de 0,30% ao ano.

De acordo com o analista da Warren, as quedas destes ETFs se justificam em um movimento de migração de mercados, com os investidores olhando para países emergentes e ativos descontados de valor. Motivo que foi perceptível no aumento de fluxo estrangeiro na B3 – que já superou os R$ 47 bilhões desde janeiro.

“Estes ETFs tiveram forte influência da mudança de fluxo dos investidores, gerada pela incerteza dos mercados e a alta apresentada em períodos anteriores”, cita Silva.

O analista destaca que o mercado chinês perdeu atratividade comercial, o que acabou puxando a queda do índice asiático e do ETF.

Em 2022, o XINA11 e o NASD11 recuam 14% e 20,16%, respectivamente.

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