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12 "insights" que todo investidor de ações precisa ter no pós-eleições

O InfoMoney varreu diversos relatórios para trazer os principais insights sobre o que fazer (e o que não fazer) na bolsa neste momento

Investidor com tela de ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Logo após a escolha do novo presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), analistas de diversos bancos e corretoras enviaram uma série de relatórios aos seus clientes atualizando (ou reforçando) suas recomendações sobre o que comprar na bolsa.

InfoMoney fez uma varredura de todos estes relatórios para trazer a vocês os principais insights sobre o que fazer (e o que não fazer) na bolsa neste momento. 

Antes dos insights, um pano de fundo sobre o momento atual: o consenso dos analistas aponta que o momento é de investir em: empresas expostas à recuperação da economia brasileira (as chamadas 'cíclicas'), empresas que se beneficiam da queda do dólar e também as que podem se beneficiar de acordos comerciais ou estatais envolvidas em processos de privatização.

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Em um dos relatórios que o InfoMoney recebeu, está o do Bradesco BBI, que trabalha com um cenário base de que teremos algum tipo de ajuste fiscal, atribuindo 50% de chance de um ajuste parcial e 50% de ajuste profundo. Em meio a estas duas possibilidades, o cenário para bolsa, dólar e outros indicadores seria esse abaixo:

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Ao todo, chegamos a 12 insights fundamentais que todo investidor de ações precisa ter como um norte para sua carteira. Confira:

1. Três temas de investimentos; 14 ações:

O Bradesco BBI elaborou uma série de relatórios, dividindo a análise em um tema geral de investimentos e outro de setoriais. No tema geral, os analistas dividiram em três sub-temas principais:

  1. i) A queda do risco-Brasil favorece papéis de longo prazo e setores com menor liquidez. As preferidas são: Cemig (CMIG4), Copasa (CSMG3) e Energisa (ENGI11), em utilities, Iguatemi (IGTA3), em shoppings, CVC (CVCB3) e Lojas Renner (LREN3), no varejo, e Azul (AZUL4), em companhias aéreas.
  2. ii) A aceleração do PIB e o ciclo de crescimento, que deve durar no mínimo quatro anos, favorecem a bolsa de valores B3 (B3SA3), a construtora Cyrela (CYRE3) e a siderúrgica Gerdau (GGBR4).
  3. iii) Por último, as privatizações e uma reviravolta nas estatais deve beneficiar Petrobras (PETR4), Banco do Brasil (BBAS3), Cemig (CMIG4) e Copasa (CSMG3). 

2. Utilities: Sabesp e Sanepar na frente de Copasa

Os analistas do Bradesco BBI rebaixaram as ações de Copasa (CSMG3) para “neutra” e elevaram as de Sabesp (SBSP3) para “compra”. Enquanto a mineira não deve ser uma das prioridades na lista de privatizações (dada a crise financeira do estado), a paulista deve se beneficiar com a gestão de João Doria (PSDB), caso ele foque nas eficiências operacionais e busque avançar no plano de capitalização da Sabesp - conforme mencionado em sua campanha.

A equipe de análise também reiterou “compra” para os papéis de Sanepar (SAPR4), considerada a ação com o maior potencial de alta no universo de utilities, dada a vitória do candidato Ratinho Jr. (PSD), que não deve “desafiar o reequilíbrio tarifário da companhia”. Os analistas estimam um preço-alvo de R$ 90 e upside de 82%.

3. Cemig: atualizações pós-Zema

O mercado está revendo o preço-alvo para as ações de Cemig (CMIG4), refletindo a eleição de Romeu Zema (Novo) em Minas Gerais. O Bradesco BBI elevou para R$ 16, enquanto o Itaú BBA elevou para R$ 13, com potencial de R$ 21/ação.

“Preferimos Cemig no curto prazo por acreditarmos que a melhora é mais fácil de ser alcançada, e acreditamos que a companhia possa se destacar entre 10% e 15% no setor”, escrevem os analistas do Itaú.

4. Com dólar baixo, companhias aéreas voam mais longe

O setor de companhias aéreas é um dos mais alavancados à apreciação do real. Por possuírem receita em real e custos lastreados em dólar - combustível -, tendem a se beneficiar com a queda da moeda americana, aumentando suas margens. Entram no call Gol (GOLL4) e Azul (AZUL4). “A cada R$ 0.10/US$ de apreciação, podemos adicionar R$ 3 no preço-alvo da Gol (aumento de 17%) e R$ 2 (alta de 6%) em Azul”, escrevem os analistas do Bradesco BBI.

5. Bancos: o setor da vez

Um cenário doméstico mais positivo deve beneficiar o setor e, segundo os analistas do Credit Suisse, há espaço para um re-rating devido à compressão do custo de capital, com uma possibilidade de upside de até 34% no setor.

Os top picks são Banco do Brasil (BBAS3) e Bradesco (BBDC4), dado o desconto de valuation e maior alavancagem à recuperação econômica. Na sequência aparecem Itaúsa (ITSA4), Itaú Unibanco (ITUB4) e Santander Brasil (SANB11). 

6. Materials: Mineradoras, siderúrgicas e produtoras de commodity

A maior exposição ao mercado doméstico e o potencial de diluição do custo fixo deve beneficiar Usiminas (USIM5), Duratex (DTEX3) e Gerdau (GGBR4), na opinião do Bradesco BBI. Os analistas recomendam compra para os três papéis, elevando também o preço-alvo das duas primeiras para R$ 17 e R$ 15, respectivamente.

7. Papel e Celulose: “compre na fraqueza”

Apesar de terem fundamentos sólidos e da celulose estar em um bom momento, Suzano (SUZB3) e Klabin (KLBN4) devem recuar no curto prazo por conta da queda do dólar. Para o Bradesco BBI, as ações já estão precificando um dólar a R$ 3, por isso, “compre na fraqueza”.

8. Real estate: Direcional e Tenda são destaques

No setor de real estate (construtoras e shopping centers), as preferidas do Bradesco BBI são Direcional (DIRR3) e Tenda (TEND3), duas construtoras de baixa renda focadas em áreas metropolitanas, seguidas pelas ações da operadora de shopping centers Iguatemi (IGTA3).

9. “Também gostamos de Cyrela”

O Bradesco BBI substituiu em sua carteira as ações de MRV (MRVE3) pelas de Cyrela (CYRE3). Os analistas estimam um dividend yield (dividendos/preço da ação) de 16% em 2019 e 2020,e acreditam que a companhia está bem posicionada nos segmentos de classe média e baixa renda, além de possuir um nível atrativo de valuation.

10. Concessionárias e locadoras de veículos: quem ganha com o juro baixo?

A queda da taxa de juros de longo prazo deve favorecer as concessionárias, visto que são empresas endividadas e já investem com uma taxa de retorno pré-definida. Também devem se beneficiar as locadoras de veículos.

Em outras palavras, quanto mais os juros caem, maior será a taxa interna de retorno e, consequentemente, mais a empresa valerá. Alguns nomes no radar de Bradesco BBI são, em ordem, CCR (CCRO3), Ecorodovias (ECOR3), Movida (MOVI3), Locamerica (LCAM3) e Localiza (RENT3).

11. Acordo Embraer-Boeing: tarda, mas não falha

“Tanto Temer quanto Bolsonaro devem aprovar a estrutura do deal, no entanto, as ERJ (ações da Embraer negociadas em Nova York) estão precificando apenas 54% de chance de aprovação, o que parece ser bem conservador na nossa visão”, escrevem os analistas do Bradesco BBI.

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12. Varejistas: consumidores vão abrir a carteira?

A expectativa é que uma expansão do crédito, a queda do desemprego e um aumento da confiança do consumidor devem ser positivos para todos os players do varejo.

Em um “beta rally”, as beneficiadas serão CVC (CVCB3), B2W (BTOW3), Via Varejo (VVAR11) e Magazine Luiza (MGLU3). Porém, em uma combinação de estratégia e valuation, apenas a CVC está entre as preferidas, juntamente com Lojas Renner (LREN3) e Burger King (BKBR3).

 

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