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Por que a Citi elevou o preço-alvo das ações de três construtoras?

Juros baixos ajudam desempenho de ações, mas parte operacional ainda travam recomendações

trabalhador da construção civil
(Paulo Whitaker/Reuters)

SÃO PAULO – A equipe de análise da Citi Corretora elevou o preço-alvo das ações da Eztec (EZTC3), da Cyrela (CYRE3) e da Direcional (DIRR3) diante do menor custo de capital após as oito quedas consecutivas nas taxas de juros.

Para a Eztec (EZTC3), o preço-alvo em 12 meses subiu de R$ 18,70 para R$ 24 mesmo após os resultados mais fracos que o esperado no segundo trimestre. O valor esperado está 2% acima do fechamento do pregão de quarta-feira (13). Com a Selic mais baixa, os analistas calculam que o custo de capital deve cair de 12,70% para 11,20%.

O preço-alvo em 12 meses para os papéis da Direcional (DIRR3) foi elevado de R$ 6,20 para R$ 6,60, patamar 7,1% acima do fechamento do último pregão.

Para a Cyrela (CYRE3), o preço-alvo em 12 meses foi elevado de R$ 13,15 para R$ 16,70, valor 17,6% acima do pregão anterior. 

Em todos os casos, a recomendação para os ativos segue em neutra. Do lado operacional, as notícias são menos otimistas. Para a Eztec, a estimativa de venda líquida contratada para o ano foi cortada devido, principalmente, ao resultado abaixo no segundo trimestre e pela expectativa de manutenção de patamar alto de cancelamentos ao longo do segundo semestre.

“Apesar de dados macro mostrarem que os dados do segmento começaram a indicar melhorias que poderiam suportar uma recuperação no mercado imobiliário, ainda acreditamos que uma recuperação será gradual e vagarosa no início. Assim, esperamos que as companhias, incluindo a EZTC3, devem aceitar vender com margens moderadamente comprimidas a fim de reduzir seus estoques do pico histórico”, explica a Citi.

Especificamente sobre a Eztec, a corretora esperamos que as margens fiquem comprimidas devido ao fim do ciclo de desenvolvimento em que a companhia foi bem sucedida ao adquirir terra a preços favoráveis – condições que serão difíceis de replicar daqui para frente, segundo os analistas.

A Citi também reduziu suas estimativas operacionais para a Direcional, com cortes nas receitas e nas margens. Após a redução nas receitas em base trimestral, a gestão da empresa comunicou que o terceiro trimestre pode ser o início de uma tendência positiva, principalmente, devido ao crescimento no segmento Minha Casa Minha Vida (MCMV), enquanto os cancelamentos do segmento média alta renda diminuem lentamente.

“No entanto, esperamos que essa tendência seja ligeiramente mais suave do que a previsão, e, portanto, reduzimos nossas estimativas de receita em -13% para 2017 e cortamos na média -2% em 2018-2019”, afirmam os analistas da corretora.

Além disso, a Citi avalia que os estoques do segmento média-alta renda provavelmente devem afetar as margens. “Acreditamos que a redução desse valor só ocorrerá a preços mais baixos, aumentando a pressão sobre as margens”, explica.

Para a Cyrela, os cancelamentos persistentes ainda serão um fator de atraso no segundo semestre. "Cortamos nossas estimativas para as vendas contratadas líquidas em 24% para refletir os persistentes altos níveis de cancelamentos que provavelmente comprometerão a performance da companhia na segunda metade do ano", afirma a Citi.

Como resultado disso, os analistas também acreditam que os lançamentos serão 9% menores, refletindo esforços da companhia de evitar elevar a oferta para um nível acima das vendas neste momento. Também é esperada fraqueza no curto prazo para as vendas.

 

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