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Credit Suisse mostra as melhores ações para comprar e vender em 15 setores

São quinze setores analisados na América Latina

banco Credit Suisse em Zurique, Suíça
(Reuters)

SÃO PAULO – Os analistas do Credit Suisse divulgaram suas previsões para quinze setores diferentes nas bolsas da América Latina. Eles expuseram suas estratégias de “Long and Short” para os setores, escolhendo assim as ações que estão em um momento positivo e as que estão em um viés mais negativo para operar agora.

Agronegócio
No setor, a favorita dos analistas para operar comprado é a SLC Agrícola (SLCE3), que está com bons prospectos na safra 2013/2014; oportunidades de expansão de margens e depreciação do real. O preço-alvo para o papel é de R$ 27,00/ação, potencial de alta de 57,43% em relação ao fechamento do dia 28 de março.

Já para operar vendido no setor, a recomendação do Credit Suisse é a Adecoagro, empresa argentina, com operações no Brasil, Argentina e Uruguai. Os principais riscos para o papel são os baixos preços do açúcar no curto prazo e a atuação política e econômica do governo Kirchner na Argentina.

Bens de Capital
Para esse setor, duas empresas brasileiras são citadas: para a estratégia comprada a escolha é pela Tegma (TGMA3). “Após uma fraquíssima performance por conta de fracos resultados no e-commerce, a companhia trocou seu CEO e CFO; a nova equipe parece ter um forte perfil de estruturação corporativa”, afirma o Credit Suisse, que ainda destaca que a companhia reduziu seus custos com funcionários em cerca de 20%.

A ideia “Top Short” dos analistas para o setor é a Marcopolo (POMO4). Os problemas com o papel? Os analistas destacam que após os protestos de 2013 no Brasil, as cooperativas de ônibus diminuíram seus pedidos. Apesar de a ação já ter sofrido recentemente, a instituição europeia acredita que o mercado estava muito otimista com o papel e que uma visão mais pessimista agora ainda se justifica.

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Construtoras
No setor de construtoras a “Top Long” dos analistas é a mexicana Cemex. Das brasileiras, seis empresas aparecem como boas para a estratégia de operar comprado: Even (EVEN3), Gafisa (GFSA3), Eztec (EZTC3), Cyrela (CYRE3), Rossi (RSID3) e Tecnisa (TCSA3). Sobre a Gafisa, o Credit ressalta que a geração de caixa de R$ 178 milhões no quarto trimestre de 2013 da empresa foi uma surpresa muito positiva. “Enquanto esperamos que a companhia tenha um desempenho de caixa mais neutro em 2014, a geração de caixa no último trimestre de 2013 (...) indica que as operações podem estar mais acertadas do que o esperado”, explicam os analistas.

Educação
O setor de educação é outro que aparece com empresas brasileiras em suas duas pontas. A melhor ação para operar comprado é a Estácio (ESTC3), um dos pontos positivos da empresa são seus ganhos de market share, especialmente no Rio de Janeiro. Além disso, o papel está descontado em relação a seus pares, acredita o Credit.

A escolhida como “Top Short” da instituição europeia é a Anhanguera (AEDU3). “A companhia não está em seu melhor momento por conta de mudanças em sua diretoria e seus resultados dos últimos trimestres ficaram abaixo do esperado. A anhanguera não tem mais o forte crescimento que foi visto”, decretam os analistas.

Elétricas
Seis empresas no Brasil estão na lista para operar comprado: Equatorial (EQTL3), CPFL (CPFE3), Cemig (CMIG4), Light (LIGT3), Alupar (ALUP11) e CESP (CESP6). Em relação à CPFL, os analistas destacam que a empresa será dificilmente afetada pelos medos de um possível racionamento de energia e que ela pode ser beneficiada da situação atual por conta de volumes mais fortes e potenciais melhorias regulatórias no próximo ciclo de revisão de tarifas.

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No lado da operação vendida aparecem cinco papéis: AES Eletropaulo (AELP3), Taesa (TAEE11), AES Tietê (GETI4), EdP (ENBR3) e Tractebel (TBLE4). A respeito da Eletropaulo, o Credit explica que a companhia é muito sensível à qualquer impacto de volume negativo de um potencial racionamento. “Nos nossos números, é a única ação que não está refletindo completamente o downside potencial para uma redução de volume”, escreve a instituição europeia.

Bancos
O Bradesco (BBDC4) é a “Top Long” dos analistas do Credit Suisse para o setor no Brasil. “Acreditamos que existem outros potenciais de alta para o Bradesco que nós nem consideramos em nosso cenário base, como o aumento de taxas de cartões de crédito ao longo do ano”, destaca a instituição. Outro ponto positivo é o fato de que a instituição está muito menos exposta à volatilidade e taxas de juros do que em seu passado recente.

Na ponta oposta, a ação “Top Short” escolhida é o Banco do Brasil (BBAS3). “Enquanto achamos decepcionantes as expectativas para o banco em 2014, o cenário para as receitas líquidas da empresa e sua recuperação de crédito não é tão bom quanto antecipamos”, explica o Credit.

Outras instituições financeiras –Não-bancos
A BB Seguridade (BBSE3) é a escolhida como melhor para operar comprado pelos analistas da instituição europeia para a área. “Em um cenário em que poucas ações mostram a combinação entre resiliência e bons ganhos, a BB Seguridade se destaca”, escrevem os analistas em relatório. Outro destaque da empresa é seu bom dividend yield, na casa de 5% para 2014.

Outra seguradora está na ponta oposta, como “Top Short”: a Porto Seguro (PSSA3). “2013 foi um grande ano para a empresa. Esse ano, no entanto, deve ser mais complicado por conta dos altos preços do papel que a patamares tão altos devem se provar insustentáveis”, assinala o Credit Suisse.

Bebidas e comidas
A Ambev (ABEV3) é a queridinha do Credit Suisse para operar comprado. A principal justificativa é a expectativa de que o crescimento de volumes no primeiro trimestre de 2014 será forte. As receitas podem crescer até 10% em 2014 em uma comparação ano a ano.

Já para operar vendido, a escolhida é a chilena produtora de bebidas CCU. Aparecem ainda em um “momento mais fraco” a BRF (BRFS3) e a Minerva (BEEF3). Sobre a segunda, os analistas destacam que um cenário macroeconômico mais desafiador, combinado com baixa liquidez e uma relação dívida líquida/EBITDA na casa de três vezes pode manter a pressão no papel no curto-prazo.

Metais e Mineração
A equipe do Credit Suisse sugere uma operação com o par Bradespar (BRAP4), para operar comprado, e Vale (VALE5), para operar vendido. “Apesar dos riscos relacionados com a renovação do acordo com a Valepar, nós acreditamos que um resultado final vai ser alcançado após as eleições. Por outro lado, estamos mais cautelosos com a Vale por contra de atrasos na execução de dos projetos de minério de ferro”, escreve o Credit.

A “Top Long” escolhida pelos analistas é a Usiminas (USIM5). Eles acreditam que a empresa divulgará fortes resultados referentes ao primeiro trimestre de 2014 por conta dos picos de preços anunciados em janeiro de 2014, volumes estáveis e um melhor mix de vendas.

Petróleo, Gás e Petroquímicas
A “Top Long” da instituição europeia no setor é a Braskem (BRKM5). “O papel está em uma queda de 20% no ano até agora, principalmente por conta do medo de racionamento e fortes custos de eletricidade”, afirmam os analistas. No entanto, mesmo em um cenário de racionamento, com demanda reduzida, eles acreditam que a ação está barata. Outras ideias “Long” dos analistas são a Petrobras (PETR4), Ultrapar (UGPA3) e HRT (HRTP3).

Papel e Celulose
Duas empresas brasileiras são as “Top Long” dos analistas no setor: a Klabin (KLBN4) e a Suzano (SUZB5). Sobre a primeira, os destaques positivos são a melhora de margens da empresa por uma redução de custos e a resiliência dos preços de papel no mercado doméstico.

Já em relação à Suzano, os pontos positivos são a forte posição da companhia no setor doméstico; o baixo custo na produção de celulose; e as iniciativas da empresa em relação a cortes de custos.  A favorita para operar vendido dos analistas é a chilena CMPC, responsável, entre outras empresas, pela Celulose Riograndense no Brasil.

Exploração de imóveis
No setor, a favorita dos analistas para operar comprado é a mexicana Vesta. Aparecem ainda como “Long Ideas” a Iguatemi (IGTA3), Multiplan (MULT3), BR Malls (BRML3), Sonae Sierra Brasil (SSBR3) e Aliansce (ALSC3).  Sobre a Iguatemi, os analistas ressaltam que a empresa entregou com sucesso três shoppings no segundo semestre do ano passado, além disso, ela tem sido negociada muito descontada em relação a seus pares.

Na ponta oposta, em um momento mais fraco, aparece a BR Properties (BRPR3). “A transação industrial deve reduzir o nível de endividamento da companhia e gerar bons dividendos”, explicam os analistas. Contudo, a companhia vai sair do segmento industrial, que na visão deles apresenta melhores prospectos comparados ao mercado de escritórios em São Paulo.

Varejo
As Lojas Americanas (LAME4) são as preferidas do Credit Suisse entre as varejistas para operar comprado. “A empresa permanece como uma das varejistas de maior crescimento no Brasil, entregando forte expansão de margens”, explica a instituição europeia que destaca ainda a execução perfeita da empresa em seu ambicioso programa de expansão, dobrando o número de lojas em quatro anos.

Já a “Top Short” do varejo é a Marisa (AMAR3), que enfrentou um ano difícil em 2013, particularmente no segundo semestre por conta da desaceleração de vendas e uma forte compressão de margens. “Nós estamos 9% abaixo do consenso em relação à projeção de lucros da empresa”, afirma o Credit.

Tecnologia, mídia e telecomunicações
A Totvs (TOTS3) foi selecionada como “Top Long” dos analistas no setor. “Momento de ganhos e valuation atrativo sugerem um atrativo ponto de entrada para uma empresa de alta qualidade”, afirma o Credit Suisse. Além disso, a instituição espera que os resultados do primeiro trimestre de 2014 sejam significativos na ação, mostrando a recuperação de rentabilidade.

A “Top Short” é a Vivo (VIVT4). Ela está em um cenário desafiador em que os segmentos de telefones móveis e fixos devem ter uma linha de crescimento na casa de 2% com uma pequena expansão de margem. “As ações estão sendo negociadas em um valuation alto que não vemos como garantido”, afirmam os analistas.

Infraestrutura e Transportes
A Mills (MILS3) foi escolhida como “Top Long” do Credit Suisse por conta do fraco desempenho de suas ações relacionado ao resultado da divisão de imóveis em 2013. “Como os prospectos de demanda não se deterioraram, os ajustes implantados na parte de suprimentos devem ser suficientes para normalizar o retorno sobre o capital investido”, acreditam.

Já a “Top Short” é a Santos Brasil (STBP11), que tem riscos de curto-prazo de uma possível renovação da concessão da Tecon Santos, principal recurso da empresa. O Credit explica que as condições de renovação não são claras, o que desafia uma visão positiva para a empresa.

 

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