Em onde-investir / acoes

Vender, manter ou comprar? Dicas de especialistas para quem está preocupado com a bolsa

Este é o melhor momento para entrar na bolsa, mas só a longo prazo

perdas e ganhos
(Getty Images)

SÃO PAULO – A aversão a risco no mercado brasileiro, que vem desde o início do ano, foi intensificada durante essa semana, após o discurso de Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve (banco central norte-americano), que sinalizou que o QE3, programa de estímulo monetário do país, pode começar a ser retirado no segundo semestre desse ano.

Acompanhe a cotação de todos os fundos imobiliários negociados na BM&FBovespa

O Ibovespa, principal índice da Bovespa, já tem uma queda acumulada de mais de 20% em 2013 e chegou a perder os 46.000 pontos na quinta-feira, no intraday, alcançado assim o menor nível desde abril de 2009.

Muitos investidores se perguntam o que fazer em um cenário pessimista como esse. Vender as ações? Esperar? Comprar mais? O InfoMoney conversou com especialistas do mercado financeiro para tirar essas dúvidas.

Quer saber mais sobre os termos usados no mercado financeiro? Acesse o glossário InfoMoney

De acordo com Paulo Esteves, analista da Gradual Investimentos, neste momento não é recomendável a venda, principalmente de small caps e outras ações com liquidez menor. “Se for vender, vai pagar pedágio na realização do prejuízo e, lá na frente, querendo manter posição, vai pagar pedágio novamente”, explicou o analista.

Este é o melhor momento para entrar na bolsa, mas só a longo prazo
Em relação à compra, Esteves explicou que se o investidor quiser realizar um lucro num curto espaço de tempo, comprar nesse momento é muito arriscado, pois não se vê em curto-médio prazo uma redução de volatilidade do mercado. Para ele, em momentos fortes de fluxo, os fundamentos das empresas não são muito respeitados e o mercado fica muito imprevisível, ou seja, a compra especulativa é arriscada demais.

“Por outro lado, para quem vai comprar visando uma aposentadoria ou uma faculdade do filho, daqui 10 anos, por exemplo, é ótimo, é o melhor momento possível. Esses momentos de pânico são os mais indicados para compra de ações na bolsa. É quando há sangue nas ruas, em momentos de convulsão social e pânico, que o sujeito que tem sangue frio vai ganhar dinheiro. Este é o melhor momento para entrar na bolsa”, afirmou.

Defina um ‘stop financeiro’
Segundo Clodoir Vieira, economista-chefe da corretora Souza Barros, no momento de estresse do mercado você tem que ter um stop financeiro, ou seja, você precisa saber quanto pode perder na sua carteira. “Por exemplo, se eu tenho R$ 100 mil em ações e decido que 10% é o meu stop financeiro, se cair a R$ 90 mil, zero minhas posições e saio da operação. O ideal nesse momento é fazer isso, porque se você ficar esperando voltar, quando for ver já vai ter perdido quase todo o patrimônio”, disse.

O economista explicou que cada um tem o seu stop. "Pode ser de 10%, 15%, 20%. Não importa, mas tem que ter". De acordo com ele, cada um tem que analisar sua situação e ver quanto pode perder. Assim, quando chegar no stop, é só zerar a carteira e espera o mercado voltar.

Volatilidade da bolsa deve permanecer até o fim do ano
“Se você estiver totalmente fora da bolsa, esta é uma ótima oportunidade para entrar, pois ela está começando a ficar bem interessante. Observe de perto as ações em ciclo de queda, quando ver que o ciclo acabou, entre na hora, porque ela vai embora. No entanto, é importante frisar que essa volatilidade do mercado acionário deve permanecer durante esse ano inteiro. Eu não vejo no curto prazo uma estabilidade, principalmente com o possível fim do QE3. O dólar apreciado faz mal para a bolsa, porque quando o dólar sobe, a bolsa cai. Porque isso acontece? Porque quando se sente que o mercado tem uma crise, as pessoas correm para o dólar (moeda forte) ou para o ouro (ativo real)”, finalizou Vieira.

 

Contato