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O tombo da Bolsa depois do segundo turno das eleições mudou a lógica das carteiras recomendadas de ações para novembro. Se em outubro bancos e corretoras se dividiam entre exportadoras e empresas domésticas que ganhariam com a queda dos juros longos, agora a prioridade passou a ser atravessar um período de incerteza fiscal com menos risco.
Petrobras e Sabesp lideram o ranking das mais recomendadas, com oito indicações cada entre as dez carteiras consultadas pelo InfoMoney. Vale e Rede D’Or, que estavam entre as mais recomendadas de outubro, ficam de fora com quatro indicações cada.
O Ibovespa caiu 9,88% em outubro e fechou aos 167.922 pontos, reduzindo a alta acumulada em 2026 para 4,22%. No dia 26, primeiro pregão após a reeleição do presidente Lula, o índice recuou 13,88%, com o circuit breaker acionado pela primeira vez desde março de 2020, e o dólar subiu 8,21%, para R$ 5,40.
As casas agora aguardam a escolha da nova equipe econômica e sinais sobre as contas públicas. Também não há consenso sobre os juros. A Genial espera um último corte de 0,25 ponto na Selic, para 13,50%, nesta quarta-feira (4), seguido de uma pausa longa, enquanto o BTG Pactual projeta a taxa parada em 13,75% até o fim de 2027. A XP rebaixou a recomendação para a Bolsa brasileira para neutra, por ver um potencial de alta parecido com o da renda fixa.
A Ágora vê o Brasil barato, mas recomenda uma “postura mais cautelosa”, com exposição gradual à Bolsa e preferência por empresas de caixa forte, boas pagadoras de dividendos e exportadoras.
| Ação | Recomendações | Retorno em outubro (%) | Retorno no ano (%) |
| Petrobras (PETR4) | 8 | 7,31 | 94,28 |
| Sabesp (SBSP3) | 8 | -9,95 | -1 |
| Itaú Unibanco (ITUB4) | 7 | -11,13 | 37,17 |
| Embraer (EMBJ3) | 6 | 2,37 | 16,15 |
| Caixa Seguridade (CXSE3) | 6 | 7,55 | 54,58 |
Petrobras (PETR4)
A petroleira segue como a principal aposta de geração de caixa e de proteção cambial nas carteiras. Para o BTG Pactual, o resultado da eleição “dificilmente mudará a direção estratégica e as perspectivas financeiras da Petrobras”. O banco projeta produção de cerca de 2,9 milhões de barris por dia, acima do guidance, e estima dividend yield entre 10% e 12% em 2027, considerando o Brent entre US$ 70 e US$ 80.
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Os riscos da tese estão no próprio petróleo. A Genial lembra que o barril pode ceder se os conflitos no Oriente Médio se resolverem, enquanto a Planner recomenda atenção à volatilidade do petróleo no mercado internacional, a mudanças de oferta dos países produtores e ao câmbio. O BTG acompanha ainda como a empresa vai cumprir a política de preços de 2026.
Sabesp (SBSP3)
Segundo o BTG, a ação negocia cerca de 23% abaixo do nível pré-eleição, mas segue como “uma de nossas principais escolhas para os próximos 6 a 12 meses”, com taxa interna de retorno estimada em 10,7%. A Ágora a considera sua principal recomendação no setor e aponta a revisão tarifária de dezembro e os leilões de novas concessões, no início de 2027, como catalisadores.
O Santander projeta Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 15,4 bilhões em 2026, alta de 24,2%. O banco reconhece que o segundo trimestre ficou abaixo do esperado, com R$ 320 milhões em gastos ligados ao processo de transformação da companhia e à implantação de um novo sistema de gestão, mas avalia que “os principais pilares da nossa tese de investimento permanecem intactos”.
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Itaú (ITUB4)
A Terra destaca o lucro recorrente de R$ 12,4 bilhões no segundo trimestre, alta de 7,8% em um ano, com retorno sobre o patrimônio de 24,3%, e a Planner vê a tese como “uma das mais sólidas do setor financeiro nacional”, com índice de eficiência na casa dos 38%.
O Andbank pondera que o resultado ficou ligeiramente abaixo do consenso, pela pressão em tarifas e pelo crescimento mais moderado da margem financeira, e que o banco reduziu a projeção de crescimento de tarifas e seguros para 2% a 5%. Mesmo vendo 2026 como um ano de transição, com poucos catalisadores no curto prazo, a casa avalia que o banco segue bem posicionado.
Embraer (EMBJ3)
O Andbank lembra que o Ebitda do segundo trimestre veio 19% acima do consenso e que a companhia elevou o guidance de margem Ebit ajustada para 10,0% a 10,6%. O BTG espera um terceiro trimestre forte, com melhora da produção e da geração de caixa, e avalia que “a recente depreciação do real também deve sustentar ainda mais a tese”.
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O Santander, com preço-alvo de R$ 143,10 para 2027, vê a ação negociando com desconto de cerca de 25% em relação às concorrentes do setor aeroespacial. O banco também acredita que a área de defesa “pode representar um forte catalisador” para a companhia, num cenário de aumento dos gastos militares no mundo.
Caixa Seguridade (CXSE3)
Para o BTG, é uma ação “resiliente em qualquer cenário”, por combinar crescimento previsível de lucros, dividendos atrativos e sensibilidade favorável a juros mais altos por mais tempo, com dividend yield de 7%. A XP a vê como um nome defensivo, mais resistente aos juros altos, e a Genial a chama de “a posição mais defensiva da carteira”.
A Ágora descreve a empresa como uma espécie de “pedágio” sobre a rede da Caixa e argumenta que, com a Selic em queda, um dividendo alto e previsível ganha valor relativo. Entre os riscos, o BTG cita o efeito de condições financeiras mais apertadas sobre o seguro prestamista, e a Genial, o ritmo de vendas na rede da Caixa.
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