“Achamos a queda da bolsa brasileira exagerada”, diz gestora

Carta do Gestor da Effectus Investimentos afirmou que "a queda da bolsa é exagerada, em um ambiente de ampla liquidez e melhora de percepção de risco"

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SÃO PAULO – A Effectus Investimentos, em Carta do Gestor do mês de março, afirmou que “a queda da bolsa é exagerada, em um ambiente de ampla liquidez e melhora de percepção de risco”. A gestora disse ainda que, por esse motivo, manteve a sua posição comprada.

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O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, fechou o primeiro trimestre de 2013 com uma queda de 7,55%, o que representa o pior início de ano de quase duas décadas, quando a bolsa foi pega por uma crise na economia mexicana, chamada de “Efeito Tequila”, em 1995. Neste começo de abril, o Ibovespa segue em queda, aumentando a perda acumulada de 2013 para 9,11% (até o fechamento da última quinta-feira -11).

De acordo com a Effectus, esse início de ano complicado, que coloca o Brasil em sentido contrário à melhora de risco global, deve-se ao ativismo da equipe econômica brasileira, o que, segundo eles, parece incomodar cada vez mais os investidores e empresários.

“A estratégia das autoridades tem sido buscar o crescimento da economia com medidas pontuais e com artifícios não usuais. As desonerações fiscais não são implementadas de forma homogênea, a política de ajuste dos combustíveis não mostra uma lógica clara, há algum protecionismo para alguns setores, atua-se pesadamente no mercado de câmbio e houve uma alteração não declarada da meta de inflação. Fazia tempo que não se via tantas medidas, nos recordando uma época antes da criação do Real, e parece não estar funcionando”, afirmou.

Ainda segundo a gestora, medidas protecionistas, via tarifa de importação para alguns setores; uma atuação mais ativa no câmbio, que levou a uma elevada depreciação da moeda; um artificialismo nos preços dos combustíveis; uma redução acentuada nos preços de energia sem uma discussão mais ampla; um aumento expressivo nos balanços dos bancos públicos; e uma piora no resultado fiscal seriam os motivos que nos levaram a atual situação e a principal causa da inflação não estar em “níveis civilizados”.

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“Nossa visão é que tem-se feito por merecer, mas também acreditamos que uma mudança de direção possa ocorrer rápido”, completou.

Juros: a salvação da inflação
A Effectus afirmou também voltar a praticar política monetária com objetivo de colocar a inflação em 4,5% ao ano seria o melhor a ser feito nesse momento, afinal, para eles, “somente o ajuste na taxa básica irá garantir essa convergência da inflação para a meta”. “Acreditamos que a alta de juros está próxima”, disse a carta.

“O Real deve ganhar força”
Em relação ao mercado de câmbio, a gestora afirmou que o real, no curto prazo, deve ganhar força, devido à elevada liquidez internacional e a atuação do Banco Central, a despeito da deterioração dos fundamentos da nossa economia.

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Segundo eles, a inflação está corroendo o poder de compra da moeda sem a contrapartida de uma política monetária combativa. “Há uma piora também na conta corrente, que tem sido coberta por uma elevada entrada de investimentos diretos estrangeiros, mas que não deve, na nossa visão, se sustentar com as atuais políticas macroeconômicas”, finalizou.