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SÃO PAULO – O corte de gastos do governo federal foi uma medida muito cobrada pelo mercado nos últimos meses para ajustar a situação fiscal do Brasil. No entanto, agora que ele foi anunciado, pode começar a fazer sua primeira vítima na bolsa: a MRV Engenharia (MRVE3).
A companhia tem um valor de mercado de R$ 3,4 bilhões, com 257 obras em andamento em presença em 128 cidades do Brasil. Atualmente a empresa conta com vendas contratadas no valor de R$ 6 bilhões e lançamentos de R$ 4,3 bilhões.
Segundo decreto editado na última quinta-feira (8), o Ministério das Cidades, responsável pelo programa Minha Casa Minha Vida, deverá cortar R$ 1,7 bilhão de seu orçamento em 2015. No entanto, o orçamento da pasta é de R$ 5,2 bilhões e 88% dele estão comprometidos no programa de moradia popular do governo.
Assim, a menos que haja alguma mudança nas regras, o Minha Casa Minha Vida sofrerá cortes nesse ano – mesmo o atual ministro das cidades Gilberto Kassab (PSD-SP) negando essa possibilidade.
A MRV surfou na onda do Minha Casa Minha Vida e foi muito recomendada pelos analistas nos últimos tempos por vender apartamentos para pessoas de baixo poder aquisitivo. No entanto, será que esse corte pode significar problemas para os investidores na companhia?
O estrategista-chefe da XP Investimentos Celson Plácido destaca que cortes no programa realmente podem afetar a companhia, que está totalmente focada no programa do governo federal. Além disso, o analista relata uma possibilidade de aumento de juros para o financiamento da casa própria, que também pode afetar negativamente o desempenho da empresa em um momento de baixa confiança do consumidor para comprar imóveis.
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Por outro lado, um analista que não quis se identificar, afirma que o corte planejado ainda não é um fato consumado e que, mesmo que aconteça, é pequeno demais e não deve afetar o programa com tanta força. Além disso, o especialista destaca que, caso haja algum impacto na empresa, esse não aconteceria no curto prazo.
A MRV afirma que não acredita em cortes para o Minha Casa, Minha Vida. “A companhia esclarece que, desde o ano passado, nas reuniões que vem realizando com o Governo Federal e a Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) a previsão é de continuidade de forma a beneficiar a todos para a redução o déficit habitacional do país”, afirma a MRV.