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A médica e CEO do Grupo Fleury (FLRY3), Jeane Tsutsui, avalia que a medicina diagnóstica tende a incorporar inovações de forma contínua, mas ressalta que “a inteligência artificial não vai substituir o médico”. Segundo a executiva, a saúde envolve uma complexidade e uma visão integral que a máquina não possui.
O setor utiliza essas tecnologias para ampliar a capacidade de atendimento sem elevar as despesas estruturais, o que torna a implementação de sistemas automatizados um dos elementos centrais da busca por eficiência, sem abrir mão do fator humano.
No podcast Expert Talks: Na Mesa com CEOs, produzido pela XP, com mediação de Fernando Ferreira, estrategista-chefe da instituição, e participação de Gustavo Tiseo, analista responsável pela cobertura do setor de saúde, a executiva detalhou o uso de IA na companhia.
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Com trajetória profissional iniciada na gestão de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) da companhia, Tsutsui associou a bagagem acadêmica às decisões corporativas. A proximidade com o desenvolvimento científico contribuiu para a expansão dos sistemas que sustentam os serviços de diagnóstico.
A corrida pela automação clínica
O avanço tecnológico no ambiente clínico ultrapassa as ferramentas de geração de conteúdo e também abrange rotinas de automação laboratorial. A utilização de algoritmos no processamento de informações faz parte das operações da empresa há mais de uma década, especialmente em áreas especializadas.
“Já usamos IA há mais de 10 anos em exames de genômica – não a generativa, mas a preditiva, machine learning e outras técnicas –, então isso já está incorporado.”
Ela também reforça que a modernização de aparelhos médicos e o uso de sistemas inteligentes reduzem os tempos de coleta e ampliam a capacidade produtiva das instalações.
Em exames de alta complexidade, as ferramentas permitem otimizar o uso de equipamentos de grande porte em todo o país. “No processo de transformação digital da empresa, usamos a IA em equipamentos de ressonância magnética, dobrando a produtividade do equipamento ao reduzir o tempo de captura dos exames”, destaca a CEO.
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No segmento de atendimento domiciliar, a otimização de rotas e das escalas de profissionais gerou ganhos diretos no aproveitamento de recursos. “No atendimento móvel, que corresponde a 8% da receita total do grupo, usamos IA para roteirização, ganhando 14% na disponibilidade de agendas e 32% na disponibilidade de coletadores, além de aumentar a satisfação do cliente pela pontualidade”, detalha.
A automação das centrais de atendimento ao cliente também simplifica a leitura de solicitações médicas e o agendamento de procedimentos. “No agendamento digital, a IA lê o pedido médico, faz a correlação do tempo de jejum e da sequência dos exames, e oferece a melhor opção de unidade e horário”, pontua Tsutsui.
O valor preditivo dos dados
A utilização do histórico médico exige rigor no cumprimento das regras estabelecidas pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O cruzamento de registros clínicos permite criar análises preditivas que auxiliam o corpo médico na tomada de decisões.
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“Temos exames que vão da saúde populacional ao diagnóstico, utilizando dados para análise preditiva em oncologia. Por exemplo, informamos ao médico o risco de recorrência de um determinado câncer, permitindo optar pelo tratamento mais adequado e gerando grande economia ao evitar quimioterapia desnecessária em casos de baixo risco em câncer de mama”, explica.
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O equilíbrio entre investimentos e retornos operacionais orienta o aporte contínuo de recursos na infraestrutura tecnológica do grupo. Além disso, a destinação de verbas à modernização de sistemas busca ganhos de escala. “Investimos de 5,5% a 6,5% ao ano em Capex (Investimentos em Bens de Capital), sendo grande parte em tecnologia para obter ganhos de eficiência sem perder qualidade”, afirma a executiva.
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O ganho de eficiência em escala
A capacidade de processamento em larga escala permite diluir os custos operacionais e fortalece a atuação da empresa no mercado. A maior eficiência no fluxo diário das áreas técnicas também contribui para consolidar a posição da companhia.
Jeane explica que, atualmente, a companhia processa cerca de 368 milhões de exames por ano, volume que contribui para ampliar a eficiência ao longo do tempo e também para o ganho de market share.
Ela avalia que a transformação digital e a expansão automatizada das centrais de análise contribuem para os ganhos operacionais e para a manutenção dos parâmetros de qualidade no setor de saúde.
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