Olimpíada

Beatriz Ferreira, do boxe, chega a Tóquio como pódio mais garantido do Brasil

Aos 28 anos, brasileira chega para a estreia nos Jogos Olímpicos podendo ser a primeira mulher brasileira campeã olímpica do boxe

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Treino da equipe de boxe do Time Brasil, Beatriz Ferreira (Míriam Jeske/COB)
Treino da equipe de boxe do Time Brasil, Beatriz Ferreira (Míriam Jeske/COB)

“Algo ou alguém cujas características ultrapassam o considerado normal; algo ou alguém extraordinário”. Quando abrimos o dicionário essa é a definição encontrada para a palavra “fenômeno”. Analisando o ciclo para os Jogos Olímpicos de Tóquio, de 2017 até agora, essa é a melhor palavra para descrever os feitos de Beatriz Ferreira, a Bia, do boxe feminino, que chega ao Japão podendo ser a primeira mulher de sua modalidade a subir no lugar mais alto do pódio.

Aos 28 anos, a brasileira chega na capital japonesa como “a medalha mais garantida da delegação do Brasil”, segundo especialistas, e isso tem uma justificativa. Desde que começou a competir pela seleção brasileira de boxe, Bia tem a incrível marca de só não ter ido ao pódio em um torneio em que subiu ao ringue para lutar. Durante os quase cinco anos de ciclo, a atleta participou de mais de 30 competições.

“A Beatriz vem em um desenvolvimento muito rápido nas questões de números desde que começou na equipe olímpica permanente do Brasil. Ela foi chamada em 2016 para ser a sparring [reserva] da Adriana Araújo, que era a nossa medalhista olímpica, e já nos primeiros meses foi notada uma característica, principalmente na potência e na força dos golpes. O que diferencia ela das meninas dos 60 quilos”, explica Mateus Alves, técnico da seleção brasileira de boxe.

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Mesmo com toda a experiência internacional conquistada no ciclo para os Jogos Olímpicos de Tóquio, Beatriz é estreante no Japão. Na edição realizada no Rio de Janeiro, em 2016, Bia fez parte do programa Vivência Olímpica, do COB (Comitê Olímpico do Brasil) e sentiu na pele o que é ser uma atleta olímpica.

Apesar da expectativa envolvendo sua primeira participação olímpica, Beatriz Ferreira não se vê pressionada para a conquista da medalha nos Jogos Olímpicos de Tóquio. “Não me sinto pressionada. Encaro a situação com tranquilidade. Penso que são mais pessoas confiando no meu trabalho, da minha equipe, da comissão técnica, de todos que me ajudaram a chegar neste momento”.

A luta vem de berço

A trajetória de Beatriz Ferreira no boxe começou muito cedo, literalmente dentro de casa. A representante do Brasil na categoria até 60kg nos Jogos Olímpicos de Tóquio é filha de Raimundo Ferreira, o ‘Sergipe’. O pai da atleta foi bicampeão brasileiro de boxe e acabou sendo o responsável por apresentar Bia à modalidade.

O primeiro contato direto dela com o boxe foi aos quatro anos, quando a atleta acompanhava os meninos nos treinos que o pai dava na garagem de casa aos fins de semana. Beatriz foi pegando o jeito aos poucos e passou a levar a modalidade mais a sério depois de alguns anos. “Antigamente ela me via subir no ringue para lutar. Hoje é a minha vez de vê-la subindo nos ringues do mundo”, comentou Sergipe.

Após crescer, se desenvolver em algumas academias de boxe perto de casa, Beatriz foi chamada para treinar com a seleção brasileira permanente e surpreendeu pela qualidade técnica. “Lembro que a comissão técnica da seleção perguntou onde eu tinha treinado antes, comentei que a maior parte do tempo foi com o meu pai mesmo e foi assim que eu cheguei”, disse a atleta sobre o seu início da seleção permanente.

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Mesmo com a pandemia do coronavírus e o período de cerca de 1 ano e meio sem treinos, Beatriz Ferreira não parou de treinar. Assim que se iniciou a questão da Covid-19, a atleta foi para a casa de seu pai e, segundo a própria, “o chicote estralou”. Sem pena da filha, “Seu Sergipe” manteve o ritmo de treinos dentro de casa, na já conhecida garagem. Desta forma, nem mesmo com chuva, Bia deixou de treinar e conseguiu manter a forma.

Treino da equipe de boxe do Time Brasil, Beatriz Ferreira (Míriam Jeske/COB)
Treino da equipe de boxe do Time Brasil, Beatriz Ferreira (Míriam Jeske/COB)

Entrando no ringue com o pé no chão

Com tudo ao seu favor, o que faz Beatriz Ferreira não tirar o pé do chão? A resposta é direta: o próprio passado da atleta. Durante o ciclo para os Jogos Olímpicos de Tóquio, Bia só não subiu ao pódio no Mundial de 2018. Antes da competição, a brasileira vivia o melhor momento da sua carreira, até o momento, e acabou caindo.

No segundo duelo do Mundial, Beatriz foi derrotada pela sul-coreana Oh Yeon-Ji, quem já havia vencido por decisão unânime. O revés no maior campeonato mais importante que havia disputado, até então, fez com que a brasileira parasse e tivesse que repensar algumas coisas.

“A pior coisa que tem é decepção. Naquele momento [da derrota no Mundial], eu me decepcionei comigo mesma. Mas penso que tudo de ruim que já aconteceu na minha vida é para que eu tire uma lição e para que eu amadureça”, disse.

“Aquele momento ruim serviu para que percebesse que é preciso ter confiança, ter experiência, mas nunca deixar transbordar, nunca pensar que é a melhor de todas. Dessa vez eu vou fazer diferente para buscar a medalha que eu perdi”, comentou a atleta em entrevista na época da preparação para o Mundial de 2019, quando conquistou o ouro.

Depois da derrota, de ter ficado fora do pódio e de ter encontrado os motivos que a levaram para a derrota, Beatriz Ferreira cresceu mais uma vez. No ano seguinte a lutadora conquistou a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Lima, o vice-campeonato do Mundial Militar e o título Mundial, com direito a ser eleita a melhor atleta da competição.

Atravessar o mundo para entrar para a história

Bia e toda a seleção brasileira de boxe já estão há mais de 10 dias no Japão finalizando a preparação para os Jogos Olímpicos. Última campeã mundial e atual líder do ranking de sua categoria, a brasileira sabe que é a referência e que será estudada por todas as adversárias. Contudo, a brasileira não esconde o que pensa sobre a Olimpíada.

“Todas aqui são minhas adversárias. Estou pronta para o que precisar. Amo o boxe e estou pronta para o que der e vier. Independentemente do combate que acontecer aqui, eu sei que será um grande espetáculo para a galera. Eu sei para o que me preparei, seu meu objetivo aqui e vou em busca dele”.

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