Análise do Itaú BBA

Uma das promessas de 2014, Mills enfrenta cenário de “tempestade perfeita” em 2015

Analistas do Itaú BBA avaliam que a empresa enfrenta um cenário de "tempestade perfeita" neste ano, em meio à combinação de demanda fraca e dívidas; companhia foi rebaixada para undeperform

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SÃO PAULO – Uma das promessas da Copa de 2014, mas que gerou uma certa decepção durante o ano (assim como a seleção do Brasil), as ações da Mills (MILS3) foram rebaixadas pelo Itaú BBA para underperform, enquanto o preço-alvo foi reduzido de R$ 10,00 para R$ 8,00.

A Mills era uma das promessas do ano passado, uma vez que a expectativa era de que as empresas de infraestrutura iriam ter um bom desempenho por conta das obras para o evento esportivo. Porém se, em março, as ações da Mills registravam alta de 160% desde que abriram capital na Bovespa, no ano de 2014, os ativos da empresa registravam forte queda de 75% no final do ano. No acumulado de 2015, a queda já é de 19,48%. 

Voltando para 2015, as analistas Renata Faber e Thais Cascello avaliam que a empresa enfrenta um cenário de “tempestade perfeita” neste ano, em meio à combinação de demanda fraca e dívidas. Em termos de receitas, a divisão de infraestrutura continua a ser a mais resistente, dado o perfil de longo prazo de seus contratos. Por outro lado, esta margem de divisão deve ser afetada pela aumento da provisão de créditos.

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Quanto à divisão de aluguel, a baixa utilização e os preços mais baixos vão continuar a colocar alguma pressão sobre as receitas e margens. A performance na divisão de construção civil é a pior, onde as receitas e as margens estão fracas, refletindo o cenário adverso das construtoras.

Indo para o “novo normal”
Segundo as analistas, apesar do grande esforço da companhia para melhorar a sua rentabilidade, o valuation ainda parece pouco atrativo. Além disso, a expectativa de que o cenário seguirá adverso em 2015 e 2016 trazem perspectivas pouco positivas, com baixa utilização da capacidade instalada e preços sob pressão. Por outro lado, a Mills está se ajustando para um “novo normal” e, após a fase de ajustes, ela deverá ser uma empresa menor em termos de ativos, mas com menor dívida e melhores margens, além de melhor ROIC (Retorno sobre o capital investido). 

A fim de resolver o problema de sobrecapacidade, a Mills está reduzindo o capex e realizando a venda de alguns equipamentos. “Em nosso modelo, esperamos que o capex seja menor do que a amortização dos ativos até ao final de 2017 (…). Por causa da redução de capacidade, esperamos que ROIC comece a melhorar em 2016″, avaliam as analistas, esperando que eles voltem para dois dígitos em 2018, quando esperam que ele atinja 10,7%. 

Apesar dos resultados operacionais adversos, as analistas destacam que a Mills permanece em uma posição financeira confortável. Porque não está investindo, a empresa tem um fluxo de caixa positivo.

Embora espere-se um aumento da relação entre a dívida líquida e o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) da empresa num primeiro momento, por causa da expectativa de queda do Ebitda neste ano, a dívida líquida da empresa está caindo rapidamente. “Portanto, tão logo o Ebitda comece a se recuperar, o que em nossa previsão vai começar no próximo ano, vamos ver a relação entre a dívida líquida e o Ebitda companhia caindo rapidamente”, afirmam as analistas.