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SÃO PAULO – As units do Santander Brasil (SANB11) repercutiram negativamente o noticiário sobre a entrada da Qatar Holding no quadro acionário da instituição financeira, fator visto com certo exagero pelo banco de investimentos UBS. A recomendação é de compra destes papéis, com preço-alvo de R$ 29,00.
O Santander Espanha, matriz internacional do grupo, anunciou na segunda-feira que a Qatar Holding subscreverá uma emissão de títulos no valor de US$ 2,719 bilhões, que serão obrigatoriamente permutáveis por ações já emitidas ou a serem emitidas do Santander Brasil, “à opção do Santander Espanha”.
O vencimento desses títulos ocorrerá após três anos da data de emissão, com um preço de conversão de R$ 23,75 por ação. A remuneração dos bonds conversíveis em ações será de 6,75% ao ano, em dólares. A perspectiva de diluição de participação dos acionistas repercutiu negativamente nas negociações dos papéis, que encerraram a última sessão exibindo uma queda de 1,41%, cotados a R$ 24,53.
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Atenuando riscos
Contudo, para Alcir Freitas, analista do UBS, o cenário mais provável de se confirmar é de que os títulos sejam permutados por papéis já existentes, em vista do considerável excesso de capital do banco brasileiro, bem acima da exigência mínima para os próximos 3 anos. Além disso, o analista afirma que a conversão em novas ações requereria uma oferta de ações para os acionistas minoritários, justamente para evitar a diluição de participação.
Freitas aponta que a permuta por ações já existentes é a alternativa mais positiva, tanto para a empresa, quanto para os acionistas, pois elevaria o free float do Santander, deixando-o em 23,7%, número próximo dos 25% prometidos anteriormente – este é um dos critérios para que uma empresa pertença ao Nível I de governança corporativa da BM&F Bovespa – e aliviaria o cenário de excesso de capital que vem pressionando os papéis.
No mesmo sentido, Daniel Abut e Ricky Sperber, do Citigroup, opinam que a “outra alternativa não só causaria diluição, mas também exarcebaria a situação de ‘excesso’ de capital que o Santander Brasil atualmente enfrenta”.