Receptores da Starlink, de Musk, são encontrados pela PF em zona de mineração ilegal na Amazônia

Por causa da portabilidade, iInternet via satélite da Starlink teria facilitado conexão dos criminosos que estão em regiões remotas

Wesley Santana

Itens encontrados pelos agentes. Foto: Reprodução/AFP

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Em operação contra a mineração ilegal na Amazônia, nesta terça-feira (14), agentes da polícia federal encontraram equipamentos da Starlink, empresa de internet via satélite fundada por Elon Musk. A bordo de helicópteros, ao chegarem no local, os policiais foram recebidos a tiros pelos mineradores, que fugiram antes que conseguissem desmontar o acompanhamento.

Conforme relataram fontes à agência de notícias AFP, um dos terminais foi encontrado ao lado de um poço, em uma área conhecida como “Ouro Mil”. Além do dispositivo tecnológico, foram apreendidos 600 gramas de mercúrio, 15 gramas de ouro e 508 cartuchos de munições, disse um dos guardas que teve sua identificação mantida sob sigilo.

Subsidiária da SpaceX de serviços espaciais, a Starlink é uma startup de telecomunicações que opera serviços de internet via satélite, sendo indicada para regiões remotas, como áreas rurais, onde a rede por cabo não consegue chegar. No ano passado, a empresa norte-americana recebeu aval da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para funcionar no território brasileiro, operando por meio de satélites de órbita baixa no país.

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Para celebrar a decisão, pouco depois, Musk veio ao Brasil e se encontrou com o então presidente Jair Bolsonaro, no interior de São Paulo, em um encontro organizado pelo ex-ministro das Comunicações, Fábio Faria. Na época, a promessa foi de que a tecnologia ia conectar escolas da e regiões afastadas e conter o desmatamento ilegal na floresta amazônica.

“Super animado por estar no Brasil para o lançamento do Starlink para 19 mil escolas desconectadas em áreas rurais e monitoramento ambiental da Amazon”, publicou Musk no Twitter, na época.

Casos têm sido recorrentes

Essa não é a primeira vez que policiais encontram equipamentos da Starlink em regiões de operações ilegais. Segundo relatos dos agentes, nas últimas semanas, ao menos sete dispositivos teriam sido confiscados e destruídos.

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A internet da Starlink se tornou um recurso tecnológico que viabiliza as atividades ilegais, uma vez que, antes, era preciso transportar itens grandes e pesados até as regiões fechadas. Toda a operação da empresa pode ser feita pelo usuário final, e sua velocidade é muito parecida com a de redes que operam nas grandes.

Diante disso, estaria ocorrendo um esforço de algumas instituições para bloquear o sinal da Starlink nestes locais. “Esta medida é crucial para desmantelar a logística que sustenta a mineração ilegal nos territórios indígenas”, revelou uma fonte à AFP.

Atualmente, a Starlink cobre todo o mapa brasileiro e de outros países vizinhos, como Chile, Colômbia e Peru. O pacote de internet custa cerca de R$ 230 por mês, além de um custo inicial único de R$ 2 mil para aquisição dos equipamentos específicos.

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Procurados, o Ministério das Comunicações e a Anatel não se pronunciaram até a publicação desta reportagem.