Psicólogo pela internet

Procura por saúde emocional: startup recebe R$ 45 milhões para expandir terapia online

A Zenklub medeia 50 mil sessões por mês e atende mais de 200 empresas. Startup conecta digitalmente pacientes a coaches, psicanalistas e psicólogos

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Rui Brandão e José Simões, cofundadores da Zenklub (Divulgação)

SÃO PAULO – A busca por mais saúde emocional ganhou força em 2020 – um ano marcado por pressões constantes sobre emprego, relacionamentos e o próprio corpo. A procura também se refletiu nos negócios brasileiros responsáveis por digitalizar o atendimento de coaches, psicanalistas, psicólogos e terapeutas.

Uma delas é a Zenklub, startup que promove desenvolvimento pessoal e saúde emocional por meio de consultas online. O empreendimento recebeu neste mês um investimento série A de R$ 45 milhões, que será usado para expandir a capacitação dos profissionais de saúde e a frente de terapia online como benefício corporativo.

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O InfoMoney conversou com Rui Brandão, cofundador do Zenklub, para entender o crescimento dos segmentos de atendimento online para desenvolvimento pessoal e para saúde emocional durante a pandemia do novo coronavírus – e se as consultas por celular ou computador vieram para ficar.

Nascimento e expansão da terapia online

A Zenklub foi criada pelos empreendedores portugueses José Simões e Rui Brandão em 2016. Simões tem experiência em tecnologia, com o e-commerce de moda Dafiti. Já Brandão estudou medicina no Brasil. “Víamos como as pessoas não tinham um local de referência para endereçar problemas emocionais, como ansiedade, depressão ou pânico. Nem para seu desenvolvimento profissional, trabalhando temas como organização, propósito e resiliência”, conta Brandão ao InfoMoney.

O atendimento psicológico pela internet recebeu uma primeira regulamentação pelo Conselho Federal de Psicologia em 2012. A regulamentação foi atualizada em 2018, derrubando um limite anterior de 20 sessões por mês e tirando o atendimento psicoterapêutico virtual de seu “caráter experimental”. O sinal verde também representou uma expansão das startups para o setor – como Psicologia Viva, Vittude e a própria Zenklub.

Além da possibilidade de receber atendimento durante o isolamento social, outros benefícios propostos pelas startups são encontrar profissionais sem precisar pedir recomendações, e economizando tempo e dinheiro. Segundo Brandão, 60% dos usuários da Zenklub nunca foram a um consultório presencial.

O usuário se cadastra e pode conferir o perfil de cada profissional, incluindo as avaliações de outros usuários. Hoje, são 800 profissionais e os psicólogos dividem espaço com coaches, psicanalistas e terapeutas. Uma consulta na Zenklub custa em média R$ 80, diz Brandão. De acordo com o Conselho Federal de Psicologia, uma consulta tradicional com um psicólogo custa em média R$ 247,49.

Aplicativo da Zenklub (Divulgação)
Aplicativo da Zenklub (Divulgação)

“Não considero que o valor seja reduzido por conta da qualidade do profissional. Ele deixa de pagar deslocamento e aluguel do escritório e, ao mesmo tempo, pode acessar mais clientes potenciais e fazer mais consultas. Um psicólogo fatura em média R$ 5 mil em nossa plataforma, ante uma média nacional de R$ 3 mil”, diz o cofundador.

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A Zenklub começou atendendo pessoas físicas (B2C). Em 2019, criou uma frente corporativa (B2B). As empresas colocam a plataforma como benefício corporativo, subsidiando parcial ou totalmente o valor das consultas.

A pandemia do novo coronavírus impulsionou os dois modelos de negócio. A Zenklub começou o ano com 12 clientes corporativos e mil sessões mensais. Terminou o ano com 214 corporações atendidas e 50 mil atendimentos por mês.

“A demanda ficou mais intensa já a partir de março de 2020, seja por parte dos pacientes, das empresas ou dos profissionais de saúde. Todos foram para o home office e entenderam que o online se tornou um canal válido inclusive para questões de desenvolvimento pessoal e saúde emocional”, diz Brandão.

O faturamento da Zenklub aumentou mais de sete vezes (648% de crescimento) no ano. A participação da frente B2B, mais nova, cresceu de 5% para 40% do faturamento. Os temas mais procurados pelos pacientes durante o último ano foram autoconhecimento, ansiedade e relacionamento interpessoal.

Para o cofundador, a terapia online não é restrita ao momento de pandemia. “O mercado amadureceu. Profissionais de saúde chegam até nós sabendo que o digital é uma alternativa. Querem se sofisticar, apresentando agenda online e site aos seus pacientes. Já as empresas nos contatam não para descobrir o que é saúde emocional, mas para começar um projeto. Algumas até criaram cargos na área”, diz Brandão.

Zenklub: R$ 45 milhões e planos para 2021

A Zenklub já havia captado duas rodadas sementes. Os primeiros R$ 2,5 milhões foram captados com o fundo de venture capital Indico Capital Partners. Depois, R$ 16,5 milhões foram aportados pelos fundos europeus All Iron, 200M e novamente Indico. A série A foi liderada pelos fundos de private equity SK Tarpon e GK Ventures. O Indico complementou o aporte mais uma vez, e os recursos captados chegaram a R$ 45 milhões.

Em 2021, a Zenklub busca chegar a 600 empresas, bater 200 mil sessões mensais e quintuplicar seu faturamento. O atendimento para pessoa física e para corporações deve ser dividido igualitariamente, com cada um representando 50% do faturamento.

O novo aporte será usado para criar treinamentos e ferramentas aos profissionais de saúde. Abertura de empresa e assessoria financeira, de marketing e de capacitação profissional devem ser novas frentes de monetização para a Zenklub. A startup também investirá em novos produtos para empresas, como um treinamento voltado a lideranças sobre como lidar com demandas emocionais dos funcionários.

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“O mercado de desenvolvimento pessoal e saúde emocional ainda é muito fragmentado. Acreditamos que boas experiências serão fundamentais para crescer nossa participação de mercado. Estamos em fase de escala”, conclui Brandão.

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