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SÃO PAULO – A saída de Milton Goldfarb da diretoria de incorporação da PDG Realty (PDGR3) deve ser anunciada em breve, mas o que preocupa o mercado principalmente é a lenta recuperação da companhia e o baixo retorno sobre patrimônio líquido.
Embora o analista Eduardo Silveira, do Banco Espírito Santo, não considere a troca de Goldfarb como questão crucial, as ações da companhia caíam 3,25% às 15h58 (horário de Brasília), aos R$ 3,27, enquanto as demais do setor respondiam bem na bolsa, em dia de avanço de 0,08%, aos 61.178 pontos, do Ibovespa.
Os papéis da Cyrela (CYRE3, +2,62%, R$ 18,00), Gafisa (GFSA3, +1,29%, R$ 4,71), Even (EVEN3, +2,51%, R$ 9,40), MRV Engenharia (MRVE3, +0,99%, R$ 11,26), Rossi (RSID3, +0,43%, R$ 0,43) registram valorizações.
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Troca na diretoria
Conforme o Valor apurou, o executivo deve ser substituído por Eduardo Machado, diretor-presidente de incorporação da Viver (VIVR3), que deve ser escolhido pelo head hunter que a companhia contratou para selecionar um novo nome para o cargo no final de 2012.
Goldfarb, no entanto, deve virar consultor da PDG em 2013 e 2014. Segundo Silveira, essa troca já era esperada pelo mercado. “Isso é um processo natural e a empresa já está se preparando para contratar um novo executivo”, disse o analista após reunião com o diretor vice-presidente e diretor financeiro da companhia, Marco Kheirallah.
Com isso, Goldfarb ficaria na área de negócios em São Paulo, enquanto na incorporação os executivos da empresa devem trazer alguém com experiência para o cargo. Essa troca, contudo, não é surpresa, já que a companhia vem trocando todo o seu time, disse o analista.
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Nos último meses, toda a parte administrativa da PDG foi integrada. Cerca de 200 pessoas foram desligadas da empresa, e os escritórios Agre e Goldfarb passaram a funcionar no mesmo local, em São Paulo.
Uma das características de Goldfarb era seu expertise no segmento de baixa renda, mas que, segundo Silveira, não deve impactar a companhia, já que as construtoras começaram a ver que não era tão “fácil” trabalhar com programas voltados a essa classe, como o “Minha Casa, Minha Vida”.
As companhias, no geral, diminuíram um pouco suas exposições a esse segmento – como Rossi (RSID3), Cyrela (CYRE3) e Gafisa (GFSA3) -, comenta o analista. A própria PDG possui menos de 15% dos lançamentos voltados para baixa renda.
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Recuperação lenta preocupa
Uma das principais questões para Silveira, contudo, é a demora na recuperação da PDG, ao passo que as despesas administrativas continuam elevadas e os executivos da empresa não veem projeções de queda tão cedo, enquanto a margem bruta alta não deixa o lucro da companhia aumentar. Para este ano, o BES estima que o indicador retorno sobre patrimônio líquido ficará em 2% e em 4%, em 2014, com potencial para atingir 8% apenas no longo prazo.
A reunião com a diretoria da PDG não animou o analista, que mantém uma visão de cautela em relação ao comprometimento dos gestores da companhia em reverter a situação da empresa.
Além disso, o encontro não alterou o entendimento de que a PDG ainda apresentará números ruins nos próximos dois anos. Não está descartada a possibilidade de a incorporadora apresentar novos reajustes, com revisões orçamentárias, no balanço do quarto trimestre de 2012, disse o analista.
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Por isso, o banco reforça a recomendação de venda: “achamos que a companhia vai ter um ajuste contábil significativo, embora ainda não se saiba o tamanho, mas pode chegar ao patamar da Gafisa em 2011, enquanto a recuperação de seus números levará tempo”.