Surto do coronavírus

Olimpíadas de Tóquio podem ser canceladas, alerta mais antigo membro membro do Comitê Olímpico

Desde a primeira infecção em Wuhan, na China, o coronavírus já chegou em diversos países. No Japão, há mais de 800 pessoas infectadas

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(Photo by Colton Jones on Unsplash)

SÃO PAULO – Faltam cerca de cinco meses para o inicio das Olimpíadas de 2020. No entanto, a competição esportiva pode não acontecer e ser cancelada, de acordo com Dick Pound, membro do Comité Olímpico Internacional (COI). Pound afirmou em entrevista que, se a situação com o coronavírus (Covid-19) não melhorar até maio, o evento não deve ocorrer.

Pound afirmou é que possível esperar até dois meses antes do inicio dos jogos para tomar a decisão de continuar ou não com o evento – que significaria adiar uma decisão até o final de maio e esperar que o vírus estivesse sob controle até a data.

Pound é membro do Comitê Olímpico Internacional desde 1978, 13 anos a mais do que o atual presidente Thomas Bach, e é o mais antigo membro ativo da organização. Ele também foi o primeiro presidente da Agência Mundial Antidoping. Por tudo isso, sua opinião aumentou o sentimento de alerta sobre o evento esportivo ao redor do mundo.

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“Essa é a nova guerra e é preciso encarar isso. As pessoas deverão se perguntar: ‘Isso está sob controle? O suficiente para que possamos estar confiantes de viajar para a Ásia?'”, disse Pound em entrevista à agência de notícias Associated Press.

Entretanto, Pound mantém-se otimista, dizendo que indícios apontam que será possível realizar os jogos, mas garantiu que o COI não agirá de forma irresponsável e que, se o cenário não melhorar, o órgão não vai mandar ninguém “para uma epidemia”.

“Até onde sabemos, vocês estarão em Tóquio”, disse Pound. “Todos os indícios apontam que tudo ocorrerá como sempre. Portanto, mantenha o foco no seu esporte”

Pound comentou sobre a incerteza sobre a doença e repetiu a posição do COI – que depende de consultas à Organização Mundial da Saúde (OMS) para tomar qualquer futura decisão. Até agora, a OMS não emitiu nenhuma recomendação de segurança para cancelar o evento. Ou seja, por ora, os Jogos continuam de pé, mas a situação é delicada.

Por enquanto, ele recomendou que os atletas continuem treinando e dedicando para os Jogos. Cerca de 11 mil atletas são esperados para as Olimpíadas, e outros 4,4 mil para as Paraolimpíadas, que inciarão logo após as Olimpíadas, em 25 de agosto.

Se forem necessárias mudanças, Pound disse que todas as opções enfrentam obstáculos e que mudar o evento para outra cidade ou país parece difícil e improvável.

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“Mudar o local é difícil, porque há poucos lugares no mundo que poderiam pensar em construir instalações em tão pouco tempo”, ponderou.

O candidato a prefeito de Londres Shaun Bailey sugeriu a capital britânica como alternativa – Londres sediou o evento nos Jogos de 2012. Em resposta, Yuriko Koike, governador de Tóquio, sugeriu que essa era uma oferta inadequada, usando o vírus como desculpa para uma jogada exclusivamente política.

Pound também disse que não é a favor da dispersão de eventos em vários locais porque isso “não constituiria Jogos Olímpicos e causaria uma série de campeonatos mundiais. ”

No passado, três edições das Olimpíadas foram cancelados. Os Jogos de Berlim (1916), Tóquio (1940) e Londres (1944) não ocorreram em função das duas grandes Guerras Mundiais.

Governo japonês responde afirmações

Segundo o jornal japonês Nikkei Asian Review, Seiko Hasimoto, a ministra dos Jogos Olímpicos do Japão, disse em pronunciamento que o Japão deve continuar com os planos de sediar a Olimpíada.

“Acreditamos que é necessário criar o prior cenário possível para melhorar nossa operação e alcançar sucesso”. A ministra ainda acrescentou que estão sendo realizados planos de contenção “para que possamos realizar com segurança as Olimpíadas de Tóquio”, afirmou Seiko.

Yoshihide Suga, um porta-voz do governo japonês, também afirmou, nessa quarta-feira, em resposta aos comentários de Pound, que o COI e os organizadores locais estão agindo conforme o planejado e que os Jogos Olímpicos ainda estão previstos para acontecer.

“Em relação ao comentário desse membro [fala de Pound sobre um possível cancelamento dos Jogos, o COI respondeu que essa não é sua posição oficial e que o COI está prosseguindo com os preparativos para os Jogos conforme os planejados”, afirmou Suga em entrevista coletiva.

Vírus ameaça investimentos

Caso a epidemia com o coronavírus cause um eventual cancelamento da Olimpíada, o investimento bilionário do governo local para preparar o país para o evento pode se tornar um problema.

Segundo o último orçamento atualizado, os gastos envolvendo o evento giram em torno de US$ 12,6 bilhões. Porém, em um relatório separado, o Conselho de Auditoria do Japão identificou bilhões a mais em gastos de governos municipais que não foram incluídos nos registros da Comissão Olímpica.

Entretanto, cálculos da mídia japonesa colocaram os gastos gerais com os Jogos entre US$ 26 bilhões e US$ 28 bilhões – mais do que triplo dos custos previstos pelas autoridades japonesas quando o COl selecionou a anfitriã em 2013.

Cancelando viagens e passagens

Para os turistas que estão apreensivos com a epidemia, mas já compraram passagens para os Jogos, é importante saber que o cancelamento ou remarcação da viagem é um direito do consumidor.

O passageiro que já adquiriu os pacotes de viagem ou passagens aéreas devem entrar em contato com as companhias responsáveis. Por enquanto, não há previsão de tratamento diferenciado por conta dos riscos com o coronavírus. Ou seja, o procedimento de cancelamento continua o padrão.

Segundo informações da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o passageiro pode solicitar remarcação, cancelamento ou reembolso da passagem, mediante ao pagamento de taxas da empresa aérea, sendo que essas tarifas não poderão ser maiores que o valor pago pela passagem originalmente.

Para que não haja nenhum custo com eventuais taxas, o passageiro tem até 24 horas para desistir de sua compra após receber o comprovante da compra da passagem aérea, desde que a aquisição da passagem tenha sido feita com 7 dias ou mais de antecedência em relação à data do voo.

Qualquer alteração feita pela empresa aérea, em especial quanto ao horário do voo ou o seu itinerário (como a mudança de um voo direto para um voo com escala ou conexão), deve ser informada ao passageiro no prazo de até 72 horas antes da data do voo original.

Caso o passageiro não seja informado e compareça ao aeroporto, tomando conhecimento da alteração somente no local, a empresa aérea deverá oferecer, além das alternativas de reembolso e de reacomodação, a execução do serviço por outro meio de transporte e a assistência material, quando cabível.

Desde a primeira infecção em Wuhan, na China, o coronavírus já chegou em diversos países. No Japão, há mais de 800 pessoas infectadas, mas, na península coreana, os números são mais alarmantes. Na Coreia do Sul os casos já ultrapassam 1,1 mil e o número de mortes é de 13 pessoas.

Na Europa, a Itália é o país que se encontra na situação mais delicada do continente. O território já registrou 11 mortes e mais de 300 infectados. No Brasil, o primeiro paciente infectado foi confirmado nesta quarta (26).

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