Não há otimismo para margens do setor no curto prazo, diz Gerdau

Para CEO da empresa, indústria enfrenta problemas de competitividade no País, entre câmbio e impostos

Por  Julia Ramos M. Leite

SÃO PAULO – Depois de um terceiro trimestre não muito animador, parece que o final de ano também não trará surpresas positivas para o setor de siderurgia. Segundo André Gerdau Johannpeter, CEO da Gerdau (GGBR4), não há perspectiva de melhores margens para a indústria siderúrgica nos próximos trimestres.

Em reunião realizada nesta terça-feira (30) em São Paulo pela Apimec (Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais), Johannpeter e Osvaldo Schirmer, vice-presidente executivo de Finanças, Controladoria e Relações com Investidores, explicaram que a margem Ebitda (relação entre geração operacional de caixa e receita líquida) não deve vir boa no quarto trimestre, assim como aconteceu entre julho e setembro.

Os executivos lembraram que a Gerdau não fornece guidance e, por isso, não poderiam abrir os números. “Mas não há otimismo para as margens do setor no curto prazo”, disse Schirmer, afirmando que os custos de estoque devem pressionar os resultados no quarto trimestre e no primeiro trimestre de 2011.

Brasil: demanda em alta, problemas também
Demanda no País, de acordo com os executivos, é o que não falta. Entre Olimpíadas, Trem Bala e Copa do Mundo, a tendência é que o consumo de aço aumente no Brasil – o que justifica o fato de 80% dos investimentos estarem previstos para o mercado doméstico. A expectativa de crescimento do País e a decorrente alta na demanda também são bem vistos.

Apesar disso, o mercado brasileiro apresenta alguns problemas para a Gerdau. Entre eles, está o elevado número de importações de aço, que vem minando os números da indústria nacional. “Sempre houve importação, mas era algo por volta de 6% ou 7%, e agora está em 20% na média total”, explica Johannpeter.

O câmbio é um dos vilões da história. “O Brasil está muito caro, e a China está muito barata”, diz o executivo. Mas o País perde em competitividade não só com o real valorizado, mas também com a pesada carga tributária. “O vergalhão é tributado em 42% no Brasil. Na China, em 19%”, aponta.

“O governo já sabe desse problema de carga tributária, em tudo o que consumimos. Com o novo governo, vamos ver se haverá essa desoneração tão importante para a indústria do aço”, diz o executivo, alertando que, com os atuais impostos e taxa cambial, a tendência é que o Brasil perca competitividade e caminhe para uma desindustrialização. “Temos que buscar a desoneração do País”, completaram os executivos.

Dumping
Segundo Johannpeter, a empresa está sempre de olhos abertos para a possibilidade de processos antidumping contra as siderúrgicas estrangeiras. “Cada empresa monitora os preços dos materiais que entram, para ver se há possibilidade de antidumping”, explicou.

Internacional
Perguntado sobre uma possível atuação da empresa na China, Johannpeter afirmou que a Gerdau não conseguiu se estabelecer por lá. “Acabamos não encontrando uma oportunidade correta no momento. As práticas de negócios são diferentes, eles têm diversas restrições a controle estrangeiro, e precisávamos de um parceiro certo, e não encontramos”, disse. Com isso, a escolha foi pela Índia, que tem boas perspectivas para a indústria automobilística e de construção civil. 

Nos outros mercados de atuação da empresa, as perspectivas não são muito otimistas. Os EUA e a Espanha, dois dos grandes mercados onde a Gerdau tem fábricas, caminham para uma recuperação bastante lenta.

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