Na Stone (STOC31), novo CEO deverá administrar expectativas do mercado

Empresa divulga resultados do primeiro trimestre nos próximos dias, em mais um ano de teste para as fintechs

Equipe InfoMoney

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A Stone (STOC31) reporta seus resultados do primeiro trimestre de 2023 nos próximos dias já sob o comando de Pedro Zinner, CEO que assumiu a fintech no fim de março. Com um histórico de trabalhos voltados a longo prazo, a expectativa é de que o CEO não apresente grandes mudanças no discurso e tente administrar a expectativa dos investidores.

Depois de seis anos à frente de um exitoso turnaround na Eneva (ENEV3) e quase uma década na Vale (VALE3), Zinner comandará pela primeira vez uma empresa de tecnologia em fase de crescimento e com poucos ativos (o chamado asset light), embora já fosse conselheiro da Stone antes de ser alçado a CEO, em anúncio feito em novembro do ano passado.

Para o Satander, Zinner encontrará alguns desafios em seu início de gestão. O research lista risco de má execução de crédito, vertical em que a Stone enfrentou problemas recentemente em função da subida nos juros e que pretende retomar aos poucos, conforme já informou ao mercado.

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Outra preocupação na frente de crédito é sobre como será a integração e captura de sinergias com a Linx, empresa que entrou no portfólio da Stone por R$ 6 bilhões há quase dois anos. Embora o calendário sugira atraso, o argumento é que a adoção de uma plataforma única demandou tempo.

O Santander cita ainda a intensificação de concorrência, sobretudo “no segmento de PMEs e mais cara no segmento de microcomerciantes” que pode pressionar as margens da companhia. Vale destacar que o cenário macroeconômico atual é diferente do de 2019, quando Stone e PagSeguro (PAGS34) promoveram a chamada “guerra das maquininhas” com as gigantes Rede e Cielo (CIEL3) por market share.

Agora, o jogo das fintechs de maquininhas é demonstrar resiliência em meio à onda ascendente de juros vista em meados de 2021 e que está estacionada em 13,75% ao ano desde agosto do ano passado.

Pedro Zinner (à esquerda) e Thiago Piau, fundador e antigo CEO da Stone (Divulgação)
Pedro Zinner (à esquerda) e Thiago Piau, fundador e antigo CEO da Stone (Divulgação)

Para além disso, a Stone é uma das empresas de maquininhas que poderá assinar nas próximas semanas um contrato com a Meta para ofertar pagamento com cartões via a ferramenta WhatsApp Pay.

Anunciado antes do lançamento do Pix, em meados de 2020, o WhatsApp Pay sofreu embaraços regulatórios e somente neste ano passou a permitir o pagamento de pessoas a comerciantes, o chamado P2M – antes, a partir de 2021, a funcionalidade estava disponível apenas para transações entre pessoas (P2P).

Embora o potencial de retorno financeiro não seja visto com grande otimismo pelas adquirentes, elas também entendem que não podem deixar de oferecer essa opção aos usuários.

Para o primeiro trimestre de 2023, o Santander estima que a Stone reporte lucro líquido de R$ 201 milhões, o que seria uma alta de 289,6% em relação a igual período de 2022. A margem líquida esperada pelos analistas do banco é de 8,2%, ante 2,5% no mesmo comparativo.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, em inglês) é projetado em R$ 1,29 bilhão, com alta de 35,1% e margem de 52,9% (+6,6 pontos percentuais). Apesar disso, o banco tem recomendação neutra para o papel, com preço alvo de US$ 11,39, com downside de 18,2% frente ao fechamento de terça-feira (9).

Calibrando expectativas

Na lista de desafios de Stone e outras fintechs listadas é o de lidar com a pressão dos investidores por projeções (guidances) de curto prazo. Zinner, que tem um histórico de entregar resultados a longo prazo, deverá utilizar este track record para mostrar que seu trabalho será o de pavimentar as avenidas de crescimento da empresa para a próxima década.

Entre as vias para a perpetuidade do negócio, a Stone já externou o desejo de ampliar sua presença no mercado de contas digitais e na oferta de crédito – vertical esta que foi impactada pela forte subida dos juros e que está sendo retomada aos poucos. O aceno ao público final já foi dado no início do ano, quando a Stone substituiu a PicPay no patrocínio do Big Brother Brasil.